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Nubank troca CFO e ações recuam com alerta de risco de crédito

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O Nubank nomeou Rob Livingston, ex-CFO da Visa para a América do Norte e ex-executivo da Capital One com 30 anos de experiência internacional, como seu novo CFO a partir de 13 de julho de 2026, uma escolha claramente alinhada à ambição de operar como banco nacional nos EUA. A reação do mercado foi imediata: queda de 8% nas ações da Nu Holdings em um dia, com downgrades de Bank of America, Susquehanna e Scotiabank citando compressão de margem (19,2% no 1T26) e aumento de risco com o crescimento acelerado do crédito. As provisões para perdas subiram 33% no trimestre, e a inadimplência de 15 a 90 dias saltou para 5,0%, embora a inadimplência avançada tenha caído para 6,5%. O lucro líquido cresceu 41% ano a ano, mas a margem de juros líquida ajustada ao risco caiu para 9,5%, sinal de que o Nubank está priorizando receita líquida de juros (NII) mesmo com custo de risco em alta.

A transição também revela uma mudança estrutural: o Nubank vai criar um CFO dedicado ao Brasil, além dos já existentes no México e na Colômbia, enquanto prepara sua licença bancária nacional nos EUA com o OCC, aprovação condicional obtida em janeiro de 2026, com lançamento previsto para meados de 2027. Enquanto isso, o Secretário Nacional do Consumidor notificou a fintech em maio por cobranças abusivas, após caso de dívida que multiplicou por 64 vezes em quatro anos, e já recebeu 77 reclamações só em 2026.

O que mudou

Na cobertura anterior do CEVIU sobre a saída do CFO da Adyen em 1º de junho, o foco era expansão nos EUA sob liderança financeira estável. No Nubank, a troca não é por desgaste, mas por reposicionamento estratégico: Livingston traz expertise em regulação bancária norte-americana e gestão de risco em mercados maduros, algo ausente na liderança financeira anterior, que operava sob o modelo de crescimento agressivo latino-americano. Também é nova a estrutura descentralizada de CFOs por país, refletindo a escala operacional real, não mais apenas aspiracional, fora do Brasil. E, pela primeira vez, o Nubank enfrenta fiscalização ativa do consumidor brasileiro por práticas de cobrança, algo que não aparecia nas edições anteriores sobre sua expansão.

Por que isso importa

Essa mudança não é só gerencial: é um teste de maturidade para o maior neobanco do mundo. Se o Nubank conseguir equilibrar crescimento de crédito com controle de risco em três regulações distintas (Brasil, México, EUA), pode definir um novo padrão para fintechs globais. Se falhar, vira caso de estudo como a Parker, que quebrou após US$ 200 milhões levantados, citada pelo CEVIU em 11 de maio. Além disso, o uso de IA própria (NuFormer) para decisões de crédito, mencionado em nossa análise de 3 de junho sobre IA no software corporativo, agora entra sob escrutínio regulatório real: modelos que reduzem custos também precisam explicar por que aumentam a inadimplência inicial.

Linha do tempo

  1. Divulgação dos resultados do 1T26 do Nubank, com aumento de 33% nas provisões para perdas e alta da inadimplência de 15 a 90 dias para 5,0%

  2. CEVIU publica análise sobre neobancos que adotam stablecoins e autocustódia, destacando tendências que o Nubank começa a incorporar em sua expansão global

  3. Saída do CFO da Adyen é noticiada pelo CEVIU, criando paralelo com a troca no Nubank por expansão em mercados regulatórios complexos

  4. Nubank anuncia Rob Livingston como novo CFO, com efetividade a partir de 13 de julho, e sofre queda de 8% nas ações

Perguntas frequentes

Por que a nomeação de um novo CFO fez as ações do Nubank caírem?

Investidores interpretaram a troca como sinal de que o Nubank precisa de expertise internacional mais robusta para lidar com os riscos de sua expansão global, especialmente nos EUA. A queda nas ações seguiu cortes de preço-alvo e downgrades de bancos como Bank of America e Susquehanna, que apontaram compressão de margem e aumento do custo do risco.

O que mudou no risco de crédito do Nubank no primeiro trimestre de 2026?

As provisões para perdas subiram 33% no trimestre, chegando a US$ 1,79 bilhão. A inadimplência de 15 a 90 dias aumentou para 5,0%, alta de 89 pontos-base , , atribuída à expansão intencional para segmentos de maior risco. Já a inadimplência avançada (90+ dias) caiu ligeiramente para 6,5%.

Qual é o status da expansão do Nubank nos EUA?

O Nubank obteve aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) em janeiro de 2026 para uma licença bancária nacional. O lançamento está previsto para meados de 2027. A cofundadora Cristina Junqueira já se mudou para os EUA para liderar a operação, e a empresa investe em parcerias globais, como com o Inter Miami e a Mercedes-AMG PETRONAS, para construir marca.

Como a IA do Nubank está envolvida nessa crise de risco?

O Nubank usa modelos próprios de IA, como o NuFormer, para decisões de crédito no Brasil e México. Mas a alta da inadimplência inicial sugere que esses modelos podem estar priorizando volume sobre qualidade, o que agora atrai atenção regulatória, como visto na notificação do Secretário Nacional do Consumidor em maio.

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
08 de junho de 2026
Fonte
CEVIU Fintech

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