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Nova York propõe mudanças nas regras para stablecoins

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A proposta de regulamentação do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York (DFS), anunciada em 9 de junho de 2026, representa um dos avanços mais concretos na harmonização entre regulação estadual e federal para stablecoins nos EUA. Baseada na Lei federal GENIUS (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins Act), sancionada em julho de 2025 pelo então presidente Donald Trump, a nova regra não apenas atualiza o marco pioneiro de stablecoins de 2022 do DFS, mas estabelece requisitos operacionais específicos e mensuráveis — como o limite de US$ 500 milhões por custodiante único e o gatilho automático de liquidação após 15 dias consecutivos de reserva insuficiente. Essa proposta posiciona Nova York como o primeiro estado a buscar formalmente a certificação do Tesouro dos EUA sob o regime GENIUS, criando um caminho para que autoridades estaduais mantenham competência supervisória mesmo com a entrada em vigor plena da lei federal.

O alinhamento com a GENIUS vai além de formalidades: ele exige que emissores como Circle (USDC), Paxos (USDP e antigo BUSD) e Gemini (GUSD) adaptem seus modelos de custódia, gestão de risco e comunicação ao público. A proibição expressa de rehipoteca de reservas (exceto com aprovação prévia da superintendente interina Kaitlin Asrow), a vedação de pagamento de juros sobre stablecoins e a exigência de auditorias trimestrais independentes são inovações que elevam o padrão de transparência exigido no mercado norte-americano — e servem como referência para debates regulatórios em outros países, incluindo o Brasil, onde o Banco Central ainda finaliza as diretrizes para stablecoins lastreadas em BRL.

Por que isso importa

Essa proposta importa porque redefine o equilíbrio de poder entre autoridades federais e estaduais na regulação de infraestrutura financeira digital. Ao invés de serem suplantados pela Lei GENIUS, estados como Nova York buscam se tornar 'reguladores certificados', mantendo sua capacidade de licenciar, fiscalizar e punir emissores — desde que atendam aos critérios técnicos e de governança definidos pelo Tesouro dos EUA. Isso cria um modelo híbrido de supervisão que pode influenciar diretamente a estratégia regulatória do Brasil, onde há pressão para que o Banco Central defina se adotará um regime exclusivamente federal ou permitirá parcerias com órgãos estaduais, como a CVM ou bancos centrais regionais. Além disso, os novos limites de concentração de custódia (ex.: máximo de US$ 500 milhões por instituição depositária segurada) respondem diretamente a falhas observadas em crises passadas, como a suspensão do resgate do USDC pela Silicon Valley Bank em 2023, reforçando a necessidade de diversificação real das reservas — não apenas nominal.

Impacto para desenvolvedores

Para desenvolvedores e engenheiros de blockchain, as novas regras implicam impactos técnicos diretos: sistemas de monitoramento em tempo real de reservas precisam agora integrar alertas automáticos para violações de limiares (ex.: queda abaixo de 1:1 por 15 dias úteis), APIs de relatórios regulatórios devem suportar dados granulares por custodiante (não apenas totais), e smart contracts de resgate precisam garantir execução imediata sem custos — conforme exigido para liquidação ordenada. A exigência de programas de gestão de risco abrangendo 'transações de insiders' e 'supervisão de provedores de serviço' também demanda auditoria de logs de acesso, integração com soluções de KYC/AML de terceiros e documentação técnica detalhada para revisão por auditores independentes. Empresas brasileiras que oferecem infraestrutura para stablecoins (como emissão, custódia ou settlement) já estão adaptando arquiteturas para atender a esses padrões, visto que clientes norte-americanos exigem conformidade com o DFS antes de integrar novos fornecedores.

Perguntas frequentes

O que é a Lei GENIUS e como ela afeta stablecoins?

A Lei GENIUS (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins Act) é a primeira legislação federal dos EUA voltada especificamente para stablecoins, sancionada em julho de 2025. Ela exige respaldo de 1:1 em ativos líquidos, auditorias independentes, combate à lavagem de dinheiro (AML) e proíbe pagamento de juros sobre stablecoins. A proposta do DFS de Nova York busca alinhar-se à GENIUS para obter certificação do Tesouro dos EUA e manter sua autoridade regulatória.

Quais são os principais novos requisitos da proposta do DFS de Nova York para stablecoins?

Os principais novos requisitos incluem: limite de US$ 500 milhões de reservas por custodiante único; gatilho de liquidação automática após 15 dias consecutivos de reserva insuficiente; proibição de rehipoteca de ativos de reserva sem aprovação da superintendente; exigência de programas de gestão de risco abrangentes; e vedação de marketing enganoso e pagamento de juros sobre stablecoins.

Quando entra em vigor a nova regulamentação do DFS para stablecoins?

A regulamentação final entrará em vigor simultaneamente com a efetivação plena da Lei GENIUS, com um período de transição de um ano para emissores já licenciados em Nova York. O período formal de comentários públicos teve início em 9 de junho de 2026 e dura 60 dias após publicação no Registro Estadual.

Quais stablecoins estão sujeitas às novas regras do DFS de Nova York?

Estão sujeitas todas as stablecoins lastreadas em dólar americano emitidas sob supervisão do DFS, incluindo USDC (Circle), USDP (Paxos), GUSD (Gemini) e outras que busquem licenciamento no estado. A proposta aplica-se especialmente a emissores com valor em circulação igual ou superior a US$ 25 bilhões, que enfrentam exigências adicionais de diversificação de custódia.

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Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
11 de junho de 2026
Fonte
CEVIU Cripto

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