Falha já corrigida no Microsoft Authenticator para Android expôs contas corporativas
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
No Android, o Authenticator faz mais que gerar códigos de seis dígitos. Ele atua como broker de autenticação: quando Teams, Outlook ou outro app da Microsoft precisa logar o usuário, pede um token ao Authenticator. O problema, catalogado como CVE-2026-80097, estava aí. Um componente chamado AccountChooserActivity podia ser iniciado por qualquer app do aparelho, e o Authenticator montava o pedido de token com valores enviados pelo app chamador, inclusive o nome do app que ele dizia ser. Um app malicioso sem permissões se declarava Teams e o broker aceitava.
A checagem de assinatura não barrou o ataque. Ela consultava a assinatura real do app imitado, e como o Teams estava de fato instalado, a assinatura existia e batia. O Authenticator conseguia ver qual app havia feito a chamada, segundo a Enclave, mas não usava essa informação na decisão. Nos testes do pesquisador Ofek Levin, os tokens do Microsoft Graph deram acesso para ler e enviar e-mails, ler e gravar arquivos e calendários. Valem só para a conta de trabalho logada no Authenticator daquele dispositivo. A Microsoft atribuiu o CVE em 8 de setembro, deu nota 8,6 no CVSS ("Important") e corrigiu na versão 6.2606.4246. A Enclave publicou os detalhes em 23 de outubro de 2026.
O que mudou
O padrão não é inédito. Em 4 de junho de 2026, o CEVIU noticiou "Uma linha de código expôs bilhões de downloads de apps Android da Microsoft", sobre uma flag de depuração esquecida em seis apps Android da Microsoft que permitia a um app malicioso obter tokens de acesso à conta. Naquele caso a falha estava nos apps clientes. Agora está no próprio broker, o Authenticator, que centraliza a emissão de tokens. São casos distintos, mas ambos mostram o risco de apps Android da Microsoft entregarem tokens a apps não confiáveis.
Por que isso importa
Para quem opera uma frota Android corporativa, a leitura é prática: o Authenticator é um componente de alto privilégio e deve ter versão mínima exigida. Dá para impor 6.2606.4246 ou superior via gestão de dispositivos. Há ainda uma divergência a pesar: a Enclave diz que o proof of concept funcionou sem interação do usuário, enquanto a Microsoft exige que a vítima conclua um fluxo de login. Em risco, vale assumir o cenário mais duro. Também fica em aberto se a atualização invalida tokens já obtidos, o que a Microsoft não esclarece. Quem tiver suspeita pode avaliar, por conta própria, medidas de revogação de sessões.
Linha do tempo
CEVIU noticia flag de depuração em apps Android da Microsoft que permitia obter tokens.
Microsoft atribui o CVE-2026-80097, com nota 8,6 no CVSS.
Enclave publica os detalhes técnicos da falha no Authenticator.
CEVIU noticia a falha já corrigida no Authenticator para Android.
Perguntas frequentes
Qual versão do Microsoft Authenticator corrige a falha?
A versão 6.2606.4246 para Android, ou posteriores. A falha é a CVE-2026-80097. Equipes de TI podem exigir essa versão mínima pela gestão de dispositivos.
A falha foi explorada em ataques reais?
Segundo a Microsoft, não. Ela diz que a falha não foi divulgada publicamente antes da correção e avalia a exploração como "less likely". Também não constava no catálogo KEV da CISA em 26 de outubro de 2026.
O que um atacante conseguia fazer com a falha?
Um app malicioso, sem permissões, podia se passar por um app da Microsoft como o Teams e obter tokens da conta de trabalho. Nos testes da Enclave, isso deu acesso a e-mails, arquivos e calendários do usuário logado no Authenticator.
Atualizar o app cancela tokens já roubados?
Não está claro. O comunicado da Microsoft traz a correção, mas não diz se a atualização invalida tokens que um app malicioso já tenha obtido. Por isso o ponto segue em aberto nas fontes disponíveis.
Fontes
- thehackernews.comfonte original
- Categoria
- CEVIU TI
- Publicado
- 28 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU TI

