Falha crítica CVSS 10 no GitLab é explorada em ataque contra o Alpine Linux
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A falha que atingiu o GitLab é a CVE-2026-97229, com CVSS 10 de 10. A origem não está no código do GitLab em si, e sim no Onigmo, o mecanismo de expressões regulares do Ruby. Segundo o aviso do GitLab de 12 de outubro de 2026, um usuário não autenticado poderia executar código arbitrário no servidor por meio de uma expressão regular especialmente criada numa configuração de CI/CD.
O Alpine Linux relatou que um invasor atacou sua instância em 20 e 21 de outubro de 2026, cerca de uma semana após a divulgação. Ele usou uma conta recém-registrada para enviar configurações de CI malformadas e derrubou o processo worker. Em 4 das quedas, o ataque avançou parte do caminho e falhou na etapa seguinte. O invasor também baixou a imagem de container do GitLab, o que sugere ajuste do exploit para aquela build. O Alpine não achou evidência de execução de código, mas diz que não pode descartá-la. Os repositórios aports, os pacotes e os lançamentos de 21 de outubro não foram adulterados, segundo as verificações. A instância foi reconstruída do zero e todas as senhas foram redefinidas, com aviso sobre tentativas automáticas de login usando senhas vazadas em outros incidentes.
O ponto operacional: como o bug está no Ruby, atualizar para o GitLab 19.3.6 não corrigiu a imagem do Alpine, que roda Ruby padrão. Quem usa Ruby próprio (compilado do código-fonte ou em imagem de container própria) precisa também do Ruby 3.3.13, 3.4.12, 4.0.9 ou posterior. A CISA incluiu a CVE no catálogo KEV e deu três dias para agências federais americanas aplicarem a correção, conforme a BOD 26-04.
O que mudou
Em 14 de outubro de 2026, o CEVIU noticiou, em "Alerta Crítico: GitLab Corrige Falha CVSS 10.0 que Permitiria Execução Remota de Código", a correção da CVE-2026-97229 pelo GitLab, ainda como risco potencial. Agora há exploração confirmada contra uma instância real, e o caso mostra que a correção do GitLab não cobre ambientes com Ruby próprio. Em 23 de outubro de 2026, o CEVIU também cobriu, em "GitLab corrige falha crítica que permite execução de código sem autenticação", um pacote de patches com uma falha de integer overflow no compilador de expressões regulares, citada com outro identificador (CVE-2026-110264). O material não permite afirmar que seja a mesma falha.
Por que isso importa
Para quem opera GitLab self-managed, a leitura é direta: checar a versão do GitLab não basta. Vale inventariar qual Ruby roda em cada instância e imagem de container, principalmente nas builds customizadas. Com a entrada no KEV e exploração observada, a janela para aplicar a correção é curta. Também faz sentido revisar contas recém-criadas e quedas de worker nos logs, e tratar a rotação de credenciais como medida preventiva.
Linha do tempo
GitLab publica aviso sobre a CVE-2026-97229, falha CVSS 10 ligada ao Onigmo do Ruby.
CEVIU noticia a correção da CVE-2026-97229 pelo GitLab.
Início dos ataques contra a instância GitLab do Alpine Linux, que seguem até 21 de outubro.
Exploração contra o Alpine Linux é relatada e a CISA inclui a CVE no catálogo KEV.
Perguntas frequentes
O que é a CVE-2026-97229?
É uma falha com CVSS 10 no Onigmo, mecanismo de expressões regulares do Ruby. Ela permite que um atacante não autenticado execute código no servidor GitLab por meio de uma configuração de CI/CD com regex especialmente criada.
Atualizar o GitLab resolve o problema?
Depende do ambiente. Como a falha está no Ruby, quem usa Ruby próprio, compilado do código-fonte ou em imagem de container própria, também precisa atualizar para Ruby 3.3.13, 3.4.12, 4.0.9 ou posterior. O Alpine Linux, por exemplo, não ficou protegido só com o GitLab 19.3.6.
O ataque ao Alpine Linux teve sucesso?
O Alpine diz que o ataque falhou. Não há evidência de execução de código, mas a distribuição não consegue descartá-la. As verificações indicam que o repositório aports, os pacotes e os lançamentos de 21 de outubro de 2026 não foram adulterados.
Por que a CISA incluiu a falha no KEV?
O catálogo KEV reúne vulnerabilidades com exploração ativa. Com a inclusão, agências federais americanas têm três dias para corrigir, conforme a BOD 26-04.
Fontes
- securityweek.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 02 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

