Botnet Sality P2P Desativada Após 23 Anos em Operação Internacional
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A botnet Sality P2P, em operação por 23 anos até sua recente desativação, exemplifica a resiliência de arquiteturas descentralizadas no submundo cibernético. Criada em 2003, ela se disseminava como um infector de arquivos, anexando-se a executáveis e mídias removíveis. Isso lhe permitia operar sem um servidor de Comando e Controle (C&C) central, uma característica que dificultou sua erradicação por tanto tempo. Nos últimos oito anos, a Sality foi um vetor para a ferramenta de clipjacking EggJagger, responsável por roubar ao menos US$ 150 mil em Bitcoin e Ethereum, além de outras famílias de malware como stealers de informação e carregadores de ataques DDoS.
A desativação da Sality explorou sua própria vulnerabilidade: a confiança cega entre os pares da rede. A CrowdStrike identificou que os bots Sality confiavam sem autenticação ou verificação de identidade nos super pares, máquinas infectadas que formavam a espinha dorsal da botnet. Manipulando este comportamento em nível de protocolo, a CrowdStrike isolou as máquinas infectadas, injetando sinkholes na lista de pares para assumir o controle. Em coordenação com autoridades dos EUA, Bulgária, Hungria e Romênia, as URLs que hospedavam os payloads da Sality foram derrubadas, impedindo novas infecções e garantindo que as máquinas comprometidas passassem a se comunicar com os sinkholes operados pela CrowdStrike, efetivamente neutralizando a botnet.
Por que isso importa
A desativação da Sality P2P é um marco significativo para a cibersegurança global. Representa uma vitória contra uma infraestrutura cibercriminosa que operou por mais de duas décadas, demonstrando que mesmo ameaças antigas e complexas podem ser desmanteladas com cooperação internacional e inteligência técnica. O sucesso da operação valida abordagens que atacam as vulnerabilidades intrínsecas das botnets, mesmo aquelas projetadas para resistir a ataques contra infraestruturas centralizadas.
Para empresas e usuários, a remoção da Sality reduz um vetor histórico de distribuição de malware, diminuindo o risco de infecção por roubo de dados, ataques DDoS e outras fraudes. A iniciativa também serve como um lembrete da importância da higiene cibernética contínua, incluindo a remoção segura de mídias removíveis e a atualização de sistemas, para prevenir a persistência de ameaças tão antigas quanto a Sality.
Linha do tempo
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Perguntas frequentes
O que é uma botnet P2P como a Sality?
Uma botnet P2P (peer-to-peer) é uma rede de computadores infectados controlada por criminosos, que se comunica de forma descentralizada. Diferente das botnets tradicionais, ela não depende de um servidor central de Comando e Controle (C&C), tornando sua desativação mais desafiadora, pois não há um único ponto de falha para atacar.
Como a botnet Sality conseguiu operar por 23 anos?
A Sality persistiu por tanto tempo devido à sua arquitetura P2P e ao método de infecção. Ela se espalhava como um infector de arquivos, anexando-se a executáveis em discos e mídias removíveis, e não necessitava de um C&C central para atualizações de código. Essa descentralização e a capacidade de se auto-replicar dificultaram a detecção e desativação.
Como foi a Sality desativada se não tinha um C&C central?
A desativação explorou uma falha de confiança em seu protocolo. A CrowdStrike manipulou o comportamento da rede, removendo entradas de super pares e injetando sinkholes para isolar as máquinas infectadas. Autoridades de segurança de diversos países colaboraram para derrubar as URLs de distribuição de payloads, garantindo que os bots se comunicassem com os sinkholes, neutralizando assim a botnet.
O que era a ferramenta EggJagger?
A EggJagger era uma ferramenta de clipjacking que a Sality P2P distribuía nos seus últimos oito anos de operação. Ela é acusada de roubar pelo menos 150 mil dólares em Bitcoin e Ethereum de suas vítimas. A EggJagger representou um dos principais usos criminosos da infraestrutura Sality antes de sua desativação.
Fontes
- securityweek.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 03 de setembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

