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Hackers roubam cerca de US$ 2,7 milhões de traders da Polymarket por meio de script sequestrado do DebugBear

Script sequestrado do DebugBear no site da Polymarket leva a roubo de cerca de US$ 2,7 milhões de traders

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

O ataque de 29 de outubro não envolveu invasão direta à Polymarket. O código malicioso entrou no lugar de um script de monitoramento de desempenho (RUM) do DebugBear, carregado pelo site. Segundo a empresa, os registros DNS foram comprometidos via registrador de domínio, e ela diz não ter visto sinal de invasão aos próprios sistemas, embora siga investigando. Pesquisadores da Ohey viram um servidor diferente respondendo pelos endereços do DebugBear às 18:13 UTC, quando o arquivo malicioso ainda estava no ar. Cada cliente carrega sua própria cópia do script, e o arquivo trocado foi o da Polymarket.

A análise da Hudson Rock, feita sem executar o arquivo, mostra que o código aproveita a sessão de quem já estava logado. Ele lê dados da conta no navegador, incluindo chaves de API de trading, mas essas chaves sozinhas não criam ordens, que exigem assinatura da carteira. A Hudson Rock não achou envio de chaves, senha, seed phrase ou chave privada ao servidor do atacante. O código localiza o trecho do site que envia ordens e o signer da conta. Quem entra com carteira própria teve posições movidas direto para a carteira dos atacantes. Quem entra por e-mail teve posições vendidas a preços cada vez piores e o dinheiro retirado. A Hudson Rock ressalva que o pedido de assinatura não prova que o trader assinou sem ver um aviso, pois o provedor da carteira pode perguntar, recusar ou aplicar regras próprias.

Pela rastreabilidade da Ohey, a carteira recebeu fundos entre 17:10 e 18:02 UTC: 28,6 milhões de POL (cerca de US$ 2,64 milhões) e posições de 33 carteiras. Entre 18:28 e 18:38 UTC, tudo foi enviado a outros três endereços. A Polymarket reembolsa US$ 3,9 milhões no total: cerca de US$ 2,7 milhões a 726 carteiras afetadas e US$ 1,19 milhão a cerca de 5.500 carteiras que perderam dinheiro na pausa ou tiveram posições tomadas. Em 30 de outubro, 689 das 726 já tinham sido pagas. O caso foi levado às autoridades.

Como mitigação, o DebugBear pediu que clientes do RUM removam o código de embed. A Polymarket recoloca scripts de terceiros com CSP mais forte, versões fixadas e sandboxing. A Hudson Rock recomenda tirar código de terceiros de páginas de trade ou assinatura, usar Subresource Integrity (SRI) quando possível e revisar o que o código numa página logada pode pedir ao signer. Uma política que apenas libera um CDN confiável não verifica o conteúdo servido por ele.

O que mudou

Em 30 de outubro de 2026, o CEVIU noticiou "Polymarket retoma negociações após exploit de US$ 2,65 milhões e atribui incidente a provedor terceirizado comprometido". Naquele momento, o ponto central era a perda, o modo cancel-only e o compromisso de reembolso. Agora há o vetor detalhado: script do DebugBear trocado após comprometimento do registrador de domínio, o mecanismo do código e o total de US$ 3,9 milhões em reembolsos.

Em 26 de junho de 2026, o CEVIU já havia publicado "Polymarket sofre ataque em seu frontend e usuários perdem 3 milhões de dólares", com um fornecedor terceirizado comprometido e script malicioso no frontend. A cobertura não permite afirmar que seja o mesmo incidente nem o mesmo fornecedor, mas mostra que a plataforma já tinha sido alvo de ataque pela via do frontend.

Por que isso importa

Para quem opera aplicações em que o usuário assina transações, o caso indica que um script de monitoramento é código com acesso à sessão e pode virar vetor de roubo. Na leitura editorial, o risco também passa pelo DNS e pelo registrador do fornecedor, e não só pelo código dele. Controles como SRI e CSP restritiva, citados pela Hudson Rock, entram na revisão de qualquer página logada com terceiros.

Linha do tempo

  1. CEVIU noticia ataque ao frontend da Polymarket via fornecedor terceirizado, com perda de cerca de US$ 3 milhões.

  2. CEVIU noticia a retomada das negociações da Polymarket após exploit de cerca de US$ 2,65 milhões.

  3. Detalhado o sequestro do script do DebugBear e o reembolso de US$ 3,9 milhões pela Polymarket.

Perguntas frequentes

Como o ataque à Polymarket aconteceu?

Um script do DebugBear, usado para medir velocidade de carregamento, foi substituído por código malicioso. Segundo o DebugBear, os registros DNS foram comprometidos via registrador de domínio. O código usou a sessão de traders logados para vender ou transferir posições.

Quanto foi roubado e quem será reembolsado?

Cerca de 28,6 milhões de POL, equivalentes a uns US$ 2,64 milhões, chegaram à carteira dos atacantes, vindos de 33 carteiras. A Polymarket devolve US$ 3,9 milhões no total, incluindo cerca de US$ 2,7 milhões a 726 carteiras afetadas. Não é preciso abrir pedido de reembolso.

As chaves privadas dos traders foram vazadas?

A Hudson Rock não encontrou no código envio de chaves de API, senha, seed phrase ou chave privada ao servidor dos atacantes. O código pedia ao signer da própria conta que assinasse as requisições. A empresa ressalva que isso não prova assinatura sem aviso ao usuário.

Como sites podem se proteger de ataques assim?

A Hudson Rock sugere evitar código de terceiros em páginas de trade ou assinatura e usar Subresource Integrity (SRI), que faz o navegador rejeitar arquivo alterado. Também recomenda revisar o que o código numa página logada pode pedir ao signer. A Polymarket adotou CSP mais forte, versões fixadas e sandboxing.

Fontes

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Categoria
CEVIU Segurança da Informação
Publicado
02 de novembro de 2026
Editoria
CEVIU Segurança da Informação

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