FortiBleed expõe 86 mil credenciais válidas de dispositivos Fortinet
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O FortiBleed não é um novo exploit ou vulnerabilidade zero-day, é uma campanha de exploração sistemática de configurações inseguras e senhas fracas em dispositivos Fortinet já expostos à internet. Os invasores não exploraram falhas no firmware, mas interceptaram tráfego de autenticação SSL VPN (via man-in-the-middle ou logs mal protegidos), extraíram hashes de senha armazenados com algoritmos fracos, muitos ainda usando MD5 ou SHA-1 em vez de PBKDF2, e quebraram-nos com força bruta massiva em cluster de 45 GPUs. Isso revela uma falha crítica de gestão de identidade: mais da metade dos firewalls Fortinet acessíveis publicamente ainda usam credenciais padrão, reutilizadas ou nunca rotacionadas desde incidentes anteriores.
O ataque segue a mesma assinatura operacional do ator russo identificado em fevereiro de 2026, que já usava IA generativa para gerar payloads e mensagens de phishing personalizadas contra FortiGate. Agora, a escala explodiu: de 600 dispositivos comprometidos em 55 países para 86 mil credenciais válidas em 194 países. A evolução está na automação do ciclo completo, captura de credencial, cracking em larga escala, pivot para Active Directory e exfiltração via MSSQL, tudo orquestrado por scripts integrados ao Hashtopolis e sem intervenção manual contínua.
O que mudou
Em 19 de junho, o CEVIU relatou duas versões concorrentes do FortiBleed: uma com 30.791 credenciais confirmadas e outra com 73 mil expostas em um servidor comprometido. Em 22 de junho, a cifra consolidada subiu para 86.644 credenciais verificadas, um aumento de quase 190% em três dias. O que era rumor ou dado parcial virou base operacional comprovada: SOCRadar agora confirma que 50% de todos os FortiGate expostos na internet estão representados nessa lista. Além disso, a ligação com o ator russo foi reforçada, não mais como suspeita, mas como conclusão de análise forense conjunta entre Hudson Rock e Kevin Beaumont, que validaram a recência das credenciais e a persistência do mesmo TTP (Tactics, Techniques and Procedures) desde fevereiro.
Por que isso importa
Organizações brasileiras estão diretamente expostas: Shodan registra mais de 1.200 FortiGate com interface de administração acessível no Brasil, e pelo menos 17 delas já aparecem em listas de IPs associados ao FortiBleed. Não se trata de risco teórico, é acesso real a redes corporativas, governamentais e de infraestrutura crítica. Um único login válido de administrador FortiGate permite desabilitar logs, desativar MFA, criar backdoors de SSH ou redirecionar todo o tráfego de VPN para servidores controlados pelo atacante. A CISA não está pedindo 'atenção': está exigindo reset imediato de sessões ativas, rotação forçada de senhas com PBKDF2 e bloqueio estrito do acesso de gerência por IP, medidas que muitas equipes de TI ainda deixam de aplicar por considerá-las 'operacionalmente inconvenientes'.
Linha do tempo
Ator russo usa IA generativa para comprometer 600 dispositivos FortiGate em 55 países
CEVIU reporta duas frentes do FortiBleed: 30.791 e 73 mil credenciais expostas
FortiBleed consolida 86.644 credenciais válidas em 194 países; CISA emite alerta urgente
Perguntas frequentes
FortiBleed é uma nova vulnerabilidade do FortiOS?
Não. Não há falha de software envolvida. O FortiBleed explora senhas fracas, hashes mal protegidos e configurações de exposição acidental, não um bug no FortiOS. É um ataque de engenharia humana e má higiene de segurança.
Como saber se meu FortiGate foi afetado?
Verifique se sua interface de administração (porta 443/8443) está acessível pela internet via ferramentas como Shodan ou Censys. Se estiver, compare seu IP com as listas divulgadas por SOCRadar e Hudson Rock. Mais importante: revise logs de autenticação nos últimos 90 dias buscando tentativas repetidas de login ou sessões atípicas.
Por que PBKDF2 é obrigatório agora?
O FortiGate armazena senhas de administrador em hash. Se usar algoritmos fracos (MD5, SHA-1), um atacante consegue quebrar em segundos com GPU. PBKDF2 com 100 mil iterações torna o cracking inviável em escala, é a única defesa eficaz contra o tipo de ataque usado no FortiBleed.
MFA resolve o problema?
Resolve, mas só se for phishing-resistant (FIDO2/WebAuthn). MFA baseado em SMS ou TOTP pode ser contornado se o atacante já tiver acesso à sessão ativa ou conseguir injetar código no navegador via SSL VPN comprometida. A CISA exige MFA resistente a phishing como parte da resposta imediata.
Fontes
- securityweek.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 23 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

