FortiBleed mirou firewalls FortiGate em operação de coleta de 110 milhões de credenciais
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O FortiBleed não é um ataque pontual, mas um sistema automatizado de coleta e processamento de credenciais em larga escala. O uso do FortigateSniffer, baseado em Go, permite interceptar tráfego de autenticação em 24 protocolos diretamente nos firewalls FortiGate comprometidos, aproveitando o comando nativo -diagnose sniffer packet do FortiOS. Isso elimina a necessão de explorar vulnerabilidades zero-day: basta acesso via força bruta ou credenciais vazadas.
O ciclo operacional é meticuloso: varredura com Masscan e Shodan, filtragem geográfica com GeoSplit, validação de credenciais via forticheck em milhares de dispositivos simultaneamente, e captura passiva de tráfego. O pipeline CyberStrike Harvester v1.5 processa os dados coletados, arquivos pcap, sessões web, tokens, e extrai credenciais prontas para uso. A infraestrutura de quebra de hashes, com Hashcat orquestrado por um bot no Telegram (HASHBOT), distribui tarefas entre GPUs e valida modos como NetNTLMv2, FortiGate256 e MS-SQL, com controle de progresso e tempo estimado.
Por que isso importa
Esse ataque expõe uma falha crítica na segurança perimetral de milhares de organizações, especialmente pequenas e médias empresas sem MFA ou senhas fortes. O fato de o grupo classificar alvos por valor econômico mostra que a exploração é seletiva e lucrativa: um único dispositivo comprometido pode abrir caminho para redes de clientes, sobretudo em provedores de TI. Além disso, a descoberta de pares de credenciais repetidas em milhares de IPs, como adminin:ITAdmin@888 em quase 4 mil dispositivos, sugere que o ator plantou backdoors ativas, não apenas reutilizou senhas vazadas. Isso transforma dispositivos em portas de entrada persistentes, mesmo após eventuais trocas de senha locais.
Linha do tempo
Início da operação FortiBleed, com varredura global de firewalls FortiGate e outros dispositivos expostos.
Expansão do ataque para dispositivos Synology NAS, Sophos, Citrix SSL-VPNs e servidores MS-SQL com brute-force automatizado.
Início do ciclo de captura de credenciais via FortigateSniffer em dispositivos FortiGate.
Pico da operação: mais de 659 pipelines de coleta ativos, resultando em 110 milhões de credenciais roubadas.
Divulgação pública do FortiBleed com detalhes sobre o pipeline CyberStrike Harvester, uso de HASHBOT e credenciais plantadas em massa.
Perguntas frequentes
O que é o FortiBleed e como ele funciona?
FortiBleed é uma operação de coleta massiva de credenciais conduzida por um broker russo que usa força bruta contra firewalls FortiGate. Após o acesso, instala o FortigateSniffer para capturar tráfego de autenticação em 24 protocolos. As credenciais são extraídas, os hashes quebrados com Hashcat via infraestrutura automatizada e os acessos revendidos ou usados para movimentação lateral.
Por que o uso do FortiOS -diagnose sniffer packet é perigoso?
Esse comando é legítimo e interno ao FortiOS, usado para diagnóstico de rede. Atacantes o aproveitam porque não gera alertas em muitos sistemas de detecção. Com ele, conseguem espionar tráfego em tempo real, incluindo logins em SMB, LDAP, RDP e outros protocolos, sem instalar drivers ou ferramentas suspeitas que acionariam antivírus.
As credenciais repetidas em milhares de dispositivos são reais ou plantadas?
Evidências indicam que são plantadas. Pares como adminin:ITAdmin@888 aparecem em milhares de redes distintas, com nomes de usuário que imitam serviços oficiais da Fortinet. Isso sugere que o ator as inseriu como backdoors durante acessos anteriores, criando pontos de entrada ocultos e persistentes.
Como proteger um FortiGate desse tipo de ataque?
Ative autenticação multifator (MFA) em todos os acessos administrativos e SSL-VPN. Desative login direto via SSH e force senhas fortes. Revogue sessões ativas regularmente, monitore logs de acesso remoto e evite expor painéis de administração à internet. Faça auditoria frequente de configurações exportadas e verifique tráfego de saída incomum, como transferências SSH em massa.
Fontes
- thehackernews.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 25 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

