Coinspect demonstra escape de sandbox do Firecracker a partir do userspace do guest
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A Coinspect encadeou duas falhas no Firecracker. A primeira, CVE-2026-122192 (FC-05), parte do userspace do guest com root, sem exigir código no kernel do guest. O cenário afetado usa uma VM restaurada de snapshot com o backend File, mais um dispositivo balloon ou virtio-mem que permite ao guest pedir o descarte de memória. Para descartar páginas, o Firecracker tenta trocar o mapeamento do snapshot por memória anônima no mesmo endereço, via MAP_FIXED. Se a troca falha depois de o mapeamento antigo ser removido, o memory slot do KVM continua ativo e aponta para um endereço que o VMM depois reaproveita. O guest passa a ler e alterar memória viva do VMM. Na prova de conceito, a falha foi provocada por pressão de memória que consumiu o limite configurado por microVM.
A segunda, FC-03, exige código já rodando em uma thread do VMM. A política de seccomp permitia as chamadas de setup, registro e envio do io_uring, e um ring novo não herda as restrições dos rings criados pelo Firecracker. Com isso, o código no EventManager criou um socket, conectou a um listener no loopback do host e enviou uma mensagem, operação que a chamada direta de socket bloqueava com SIGSYS. O teste funcionou com o jailer sem --netns; com um namespace de rede dedicado, o resultado foi ENETUNREACH. A AWS trata o FC-03 como melhoria de defesa em profundidade, sem CVE própria, e a revisão do seccomp segue no PR #6287. Versões v0.23.0 a v1.16.1 são afetadas, e v1.16.2 e v1.17.0 corrigem o escape. A AWS afirma que serviços como o Lambda não são afetados.
Por que isso importa
Para quem opera Firecracker por conta própria, o ponto prático é checar a versão e se há restauração de snapshot com backend File combinada com balloon ou virtio-mem. Também vale conferir se o jailer roda com namespace de rede dedicado, já que isso mudou o resultado no teste. Para quem roda agentes de IA em sandboxes baseadas em microVM, a leitura é que a fronteira de isolamento depende de detalhes finos de memória e de política de syscalls, e o artigo não avalia as implantações de serviços de terceiros.
Linha do tempo
O Firecracker incorpora o PR #6174, que corrige o bug de descarte de memória.
Publicadas as versões v1.16.2 e v1.17.0 com o reparo.
A Coinspect combina o escape com o FC-03 e envia mensagem de rede a um listener do host.
A AWS publica a CVE-2026-122192, o GHSA-48ww-rqpp-2mgm e o boletim de segurança.
A Coinspect demonstra o escape de sandbox do Firecracker a partir do userspace do guest.
Perguntas frequentes
Quais versões do Firecracker são afetadas pela CVE-2026-122192?
As versões v0.23.0 a v1.16.1. A correção está nas versões v1.16.2 e v1.17.0, que incluem o reparo do caminho de substituição de memória (PR #6174).
O AWS Lambda foi afetado?
Segundo o boletim de segurança da AWS, citado pela Coinspect, os serviços da AWS, incluindo o Lambda, não são afetados. Clientes desses serviços não precisam agir.
Qual é a condição para explorar o escape?
A VM precisa ter sido restaurada de snapshot com o backend File e ter um dispositivo balloon ou virtio-mem. O guest também precisa de root e de uma falha tardia no descarte de memória, que a Coinspect provocou com pressão de memória sob um limite por microVM.
O que é o FC-03 e ele terá CVE?
É um desvio da política de seccomp via io_uring, que só funciona com código já executando no VMM. A AWS o classifica como melhoria de defesa em profundidade e não pretende atribuir CVE. A proposta de redesenho está em revisão no PR #6287.
Fontes
- coinspect.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 06 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

