Ataque à cadeia de suprimentos do LiteLLM rouba senhas e segredos
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Segundo a fonte, atacantes comprometeram o processo de release do LiteLLM e publicaram a versão 1.107.0 no PyPI e no Docker (imagem litellm/litellm:1.107.0). O upload ocorreu às 11:39 UTC. Pesquisadores da Wiz dizem que o payload veio de commits maliciosos em um repositório com nome parecido com o da organização legítima (Berri-AI, com hífen, contra BerriAI). Esse repositório serviu para injetar três arquivos no pipeline: cook.pth, cook.py e sitecustomize.py.
O cook.pth faz o cook.py rodar toda vez que o Python é invocado, sem ação do usuário. O cook.py é o infostealer, com 16 módulos. Ele coleta credenciais de navegadores (Chrome, Firefox, Edge e Safari), AWS (~/.aws/, variáveis de ambiente e metadados IMDS), chaves de service account do Google Cloud, tokens do Azure, chaves de API de provedores de LLM, chaves SSH e GPG e histórico do shell. Os dados são cifrados com AES-256-CBC, a chave é protegida com RSA-4096 e o envio é um POST HTTP para um domínio dos atacantes. O sitecustomize.py é o RAT: sobe um daemon que consulta a infraestrutura dos atacantes a cada hora atrás de comandos.
O que mudou
Este não é o primeiro incidente do LiteLLM. Em 26 de março de 2026, o CEVIU noticiou "Pacote LiteLLM no PyPI comprometido para roubo de credenciais", atribuído ao grupo TeamPCP, com um arquivo .pth executado pelo Python, mecanismo parecido com o do cook.pth agora. Em 13 de agosto de 2026, o CEVIU publicou "Ataque na cadeia de suprimentos LiteLLM compromete mais de 2.500 organizações". A fonte atual cita o episódio de março e o número de 2.500 organizações e 434.000 pipelines de CI/CD (estimativa da CloudSEK). Diferente do que o CEVIU registrou antes, o material atual não atribui a autoria deste novo ataque a nenhum grupo.
Por que isso importa
Para quem opera LiteLLM como gateway de LLM, o risco é concentrado: o mesmo processo guarda chaves de provedores, identidades de nuvem e strings de conexão. Na leitura editorial, a repetição do alvo em meses diferentes sugere que pinagem de versão, revisão do pipeline de release e isolamento de segredos deixaram de ser opcionais. Quem rodou a 1.107.0 deve tratar tudo como exposto e rotacionar credenciais.
Linha do tempo
CEVIU noticia o comprometimento do LiteLLM no PyPI, atribuído ao TeamPCP, com roubo de credenciais.
CEVIU noticia ataque à cadeia de suprimentos do LiteLLM que atinge mais de 2.500 organizações.
Release do LiteLLM comprometido gera a versão 1.107.0 com infostealer e RAT; PyPI e Docker removem o pacote.
Perguntas frequentes
Como saber se minha máquina foi afetada pelo LiteLLM 1.107.0?
Segundo a Aikido, procure os arquivos /tmp/.pc_once_*, que indicam que a exfiltração já ocorreu, e /tmp/remote_code_loader.lock, que indica que o daemon de comando e controle rodou ou ainda roda. Vale também para quem usou a imagem litellm/litellm:1.107.0 ou as tags latest, main-latest e main-stable. Aikido, Wiz e Socket publicaram guias de caça a ameaças.
Qual é a última versão segura do LiteLLM?
A fonte aponta a v1.106.2 como a versão segura mais recente. A 1.107.0 foi posta em quarentena no PyPI e a imagem foi removida do Docker Hub e do GHCR. Pare de implantar a 1.107.0.
O que fazer se eu executei a versão comprometida?
Assuma que os segredos foram roubados e rotacione credenciais de nuvem, chaves de API de LLM, chaves SSH e GPG. Investigue ambientes onde o Python rodou após a instalação, incluindo contêineres de proxy e runners de CI. Verifique os indicadores de comprometimento publicados pelos pesquisadores.
Por que o malware roda sem o usuário abrir o LiteLLM?
O arquivo cook.pth faz o Python executar o cook.py sempre que o interpretador é iniciado na máquina. O sitecustomize.py, que é o RAT, também roda na inicialização do interpretador. Por isso qualquer execução de Python após a instalação dispara o código.
Fontes
- theregister.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 23 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

