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SEC recua e adia proposta que abriria caminho para ações tokenizadas nos EUA

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A SEC não só adiou a proposta de isenção para ações tokenizadas como recuou estrategicamente: o que era um sandbox regulatório ambicioso, com prazo de 12 a 36 meses e abertura para emissão por terceiros sem aval das empresas, agora está sob revisão radical. As bolsas listadas, Nasdaq, NYSE e Cboe, pressionaram diretamente contra a criação de um mercado paralelo fora do National Market System (NMS), exigindo que qualquer negociação tokenizada passe pelos trilhos existentes ou se registre como ATS, processo mais burocrático e supervisionado. Enquanto isso, a aprovação da Paxos como primeira depositária central de valores mobiliários nativa de blockchain (1º de junho) mostra que a SEC já está autorizando infraestrutura crítica, liquidação em tempo real, não apenas negociação, mas com foco em operações integradas ao sistema tradicional, não em redes descentralizadas.

O contraste é claro: o framework inicial previa inovação disruptiva; o que está sendo implementado agora é evolução pragmática. A Nasdaq e a NYSE já têm regras aprovadas pela SEC para negociar ações tokenizadas dentro de suas plataformas, usando a DTC como back-end, ou seja, o token é digital, mas a governança, os direitos acionários e a custódia seguem o modelo clássico. Isso resolve os riscos apontados pelas bolsas, mas limita o potencial de 24/7 e fracionamento global que impulsiona produtos como os bSTOCKs da Binance, que operam offshore, sem vinculação aos direitos reais de propriedade nas ações subjacentes.

O que mudou

Em 21 de maio, a CEVIU noticiou que a SEC preparava uma isenção que permitiria tokens criados 'sem consentimento do emissor'. Em 25 de maio, a comissária Peirce já havia restringido esse alcance, mas a decisão de 1º de junho vai além: a SEC abandonou temporariamente o modelo de isenção para ações tokenizadas e priorizou a integração com o sistema existente. O que era um caminho paralelo para emissão descentralizada virou um processo de adaptação do NMS à tecnologia. Também mudou o ritmo: enquanto a proposta original visava lançamento imediato, agora não há cronograma definido, e a próxima etapa será uma reescrita técnica, não uma votação.

Por que isso importa

Para o Brasil, isso significa que a entrada de ativos tokenizados no mercado doméstico não será via cópia do modelo norte-americano, mas sim por vias híbridas, como as iniciativas da B3 com RWA ou os testes da CVM com DLTS. A aprovação da Paxos e as regras da Nasdaq/ NYSE validam a tokenização como infraestrutura, não como experimento. Mas também mostram que o maior obstáculo não é tecnológico: é jurídico. Direitos de voto, dividendos automáticos e proteção contra emissões não autorizadas exigem atualizações nos estatutos sociais e na legislação societária, algo que o Brasil ainda não enfrentou de frente. Enquanto isso, o mercado global de RWAs cresceu 30% no primeiro trimestre de 2026, atingindo US$ 29 bilhões on-chain, e a pressão por soluções locais só aumenta.

Linha do tempo

  1. SEC anuncia preparação de isenção de inovação para negociação de ações tokenizadas em redes blockchain

  2. Comissária Hester Peirce esclarece que isenção cobrirá apenas versões tokenizadas de ações públicas existentes, excluindo representações sintéticas

  3. SEC adia formalmente a proposta de isenção para ações tokenizadas após pressão de bolsas e participantes do mercado

Perguntas frequentes

A SEC proibiu ações tokenizadas?

Não. A SEC adiou uma proposta específica de isenção, mas já aprovou regras que permitem ações tokenizadas dentro das bolsas tradicionais (Nasdaq, NYSE) e autorizou a Paxos a liquidar ações na blockchain. O que foi bloqueado é o modelo descentralizado de emissão por terceiros.

O que muda para investidores brasileiros?

Nada imediato. Produtos como bSTOCKs da Binance continuam acessíveis, mas sem proteção da SEC nem direitos acionários garantidos. No Brasil, a CVM ainda não definiu regras para tokenização de ações, e a B3 opera em modo experimental com títulos privados e fundos imobiliários.

Por que a Nasdaq e a NYSE se opuseram à isenção?

Elas temiam um mercado paralelo fragmentado, com menos transparência, menor proteção ao investidor e risco de conflito entre direitos tokenizados e os direitos registrados no sistema tradicional. Querem que a tokenização rode sobre a infraestrutura existente, não ao lado dela.

Qual o papel da Paxos nisso tudo?

A Paxos é a primeira empresa de blockchain com registro completo como depositária central nos EUA. Isso permite liquidação quase instantânea de ações, um ganho operacional real, mas não substitui a necessidade de regras claras para emissão, governança e direitos dos acionistas em formato tokenizado.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
01 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Fintech

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