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O private equity está em apuros?

Private equity em apuros: saídas de tecnologia despencam 77% e dívida de risco vence em 2028 e 2029

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

O texto da a16z, escrito pelo lado do venture capital, argumenta que o buyout de tecnologia perdeu o encaixe com o ciclo atual. Os números citados: o valor de saídas de empresas de tecnologia apoiadas por PE caiu 77% em relação ao ano anterior, e cerca de US$ 140 bilhões em empréstimos de risco ligados a PE vencem em 2028, mais US$ 160 bilhões em 2029. Em 2023 a 2025, o volume que vencia com dois anos de antecedência ficava em média perto de US$ 60 bilhões. Cerca de um terço é software e um quarto já tem rating CCC+ ou pior.

O autor aponta o problema nas safras de 2021 e 2022. Segundo ele, 70% da dívida executada em 2025 e 2026 veio de negócios dessas duas safras, e a relação dívida/valor desses tomadores foi de 44% para 75% em um ano, com juros sendo somados ao principal (PIK). O caso Medallia ilustra: a Thoma Bravo comprou a empresa em 2021 por cerca de US$ 6,4 bilhões e entregou o controle a credores liderados pela Blackstone, perdendo cerca de US$ 5,1 bilhões em capital. Os veículos de continuação já respondem por 14% do valor de saídas de PE no primeiro semestre de 2026, contra 5% em 2020. O texto é opinativo e vem de um investidor de venture, o que pesa na leitura das comparações.

O que mudou

O tema já vinha sendo acompanhado. Em 18 de fevereiro de 2026, o CEVIU noticiou "A SaaSpocalypse é um Evento de Crédito, Não uma História de Tecnologia", sobre a estrutura de dívida de US$ 500 bilhões erguida pelo private equity sobre o SaaS. Em 23 de fevereiro de 2026, saiu "Mercados SaaS colapsaram em 2026, mas seria o crédito privado um risco ainda maior?", com exposição estimada de US$ 600 a 750 bilhões. Em 13 de fevereiro de 2026, "Private Equity Não Vem Mais ao Resgate" já apontava o aperto no M&A de tecnologia. O que há de novo agora é o calendário concreto de vencimentos (2028 e 2029) e a queda de 77% nas saídas, que transformam o alerta de risco em prazo.

Por que isso importa

Para quem opera crédito privado ou investe em fundos de buyout, a leitura é que o risco não sumiu, apenas mudou de bolso: o fundo de crédito que assume as chaves e o fundo de buyout que perde o capital podem estar na mesma carteira. Para o mercado de tecnologia financeira, o sinal é de refinanciamento caro e saídas escassas nos próximos dois anos, o que pode pressionar avaliações e o apetite por novos negócios.

Linha do tempo

  1. CEVIU noticia que o private equity não vem mais ao resgate no M&A de tecnologia.

  2. CEVIU publica que a SaaSpocalypse é um evento de crédito, sobre dívida de US$ 500 bilhões.

  3. CEVIU cobre o risco do crédito privado por trás das aquisições de software.

  4. Saídas de tecnologia de PE caem 77% e US$ 300 bilhões em dívida de risco vencem em 2028 e 2029.

Perguntas frequentes

Quanto de dívida de PE vence em 2028 e 2029?

Segundo a análise da a16z, cerca de US$ 140 bilhões em empréstimos de risco ligados a PE vencem em 2028 e outros US$ 160 bilhões em 2029. Em 2023 a 2025, o volume com vencimento em dois anos ficava em média perto de US$ 60 bilhões. Cerca de um terço é software.

Por que as safras de 2021 e 2022 são o foco do problema?

Foram compradas perto do topo, com juros baixos e múltiplos altos. O texto diz que 70% da dívida executada em 2025 e 2026 veio desses negócios. Muitas dessas empresas não pagam juros em caixa e somam o valor ao empréstimo.

O que são veículos de continuação?

São fundos novos, geridos pelo mesmo patrocinador, que compram uma empresa do portfólio quando não aparece comprador externo, com investidores de secundário colocando o dinheiro. Responderam por 14% do valor de saídas de PE no primeiro semestre de 2026, contra 5% em 2020, segundo a Jefferies citada no texto.

A análise é neutra?

Não. O autor é do lado do venture capital e defende que o venture supera o buyout no longo prazo. Os dados citados vêm de fontes como PitchBook, J.P. Morgan, Bain e BIS, mas a conclusão é opinião dele.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
06 de novembro de 2026
Editoria
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