JPMorgan processado por suposto esquema “Ponzi” cripto de US$ 328 milhões
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O JPMorgan Chase está na mira de uma ação coletiva por ter mantido contas da Goliath Ventures mesmo com indícios objetivos de fraude, não só sinais de alerta típicos de lavagem (como movimentações circulares e volume desproporcional), mas também o padrão clássico de esquema Ponzi: pagamentos a investidores antigos com dinheiro de novos entrantes, sem receita real. Entre janeiro de 2023 e junho de 2025, US$ 253 milhões passaram por uma única conta comercial da Goliath no banco, enquanto US$ 123 milhões foram direcionados à Coinbase, tudo sob a gestão do CEO Christopher Delgado, preso em fevereiro de 2026.
A ironia está no contraste entre a postura pública de Jamie Dimon, que há anos chama bitcoin de 'fraude' e alerta sobre riscos sistêmicos, e a operação prática: o banco lucrou com taxas de processamento e manutenção dessas transações, mesmo após múltiplos gatilhos de due diligence terem sido acionados internamente. A queixa cita ainda a ausência de atividade comercial verificável da Goliath, o estilo de vida extravagante de Delgado (jatos particulares, imóveis de luxo, festas temáticas) e o pedido de falência do Capítulo 11 feito pela empresa em 16 de março de 2026, com passivos estimados entre US$ 100 mi e US$ 500 mi.
Por que isso importa
Esse caso testa os limites da responsabilidade bancária em operações de fintech e cripto, especialmente quando instituições tradicionais atuam como 'portas de entrada' para ativos digitais sem aplicar controles equivalentes aos usados em operações de crédito ou câmbio. Se o tribunal reconhecer a negligência do JPMorgan, pode gerar precedente para exigir maior rigor na análise de clientes de alto risco em cripto, impactando não só grandes bancos, mas também neobancos e plataformas de custódia que operam no Brasil sob a regulação do Banco Central. Para investidores brasileiros, é um alerta prático: depósitos em moedas digitais não têm garantia do FGC, e a segurança depende mais da cadeia de custódia do que do nome da plataforma.
Perguntas frequentes
O que é exatamente o esquema da Goliath Ventures?
A Goliath prometia retornos mensais de 3% a 8% em 'pools de liquidez' de criptomoedas, mas na prática usava dinheiro de novos investidores para pagar os antigos, um esquema Ponzi clássico. Não havia operação comercial real, só fluxos financeiros artificiais e gastos pessoais do CEO com bens de luxo.
Por que o JPMorgan está sendo processado e não só a Goliath?
Os investidores alegam que o banco ignorou pelo menos cinco tipos de sinais de alerta, movimentações rápidas e volumosas, padrões circulares de pagamento, mistura de recursos de diferentes investidores, ausência de faturamento e uso dos fundos para consumo pessoal. Isso violaria normas de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) nos EUA.
Investidores brasileiros podem ser afetados por esse processo?
Sim, se tiverem aplicado diretamente na Goliath via contas offshore ou plataformas estrangeiras vinculadas. No Brasil, não há proteção legal equivalente ao FGC para esse tipo de operação, e a recuperação de perdas dependerá do desfecho do processo nos EUA, que pode levar anos.
O que acontece com o dinheiro já transferido para carteiras na Coinbase?
Parte dos US$ 123 milhões foi rastreada até carteiras da Goliath na Coinbase, que já congelou os ativos sob ordem judicial. Mas recuperar valores exigirá identificação de fundos específicos, provas de origem ilícita e cooperação internacional, etapas complexas e de baixa taxa de sucesso em casos de cripto-fraude.
Fontes
- bankingdive.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Fintech
- Publicado
- 19 de março de 2026
- Editoria
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