Stablecoins atreladas ao euro batem recorde histórico com expansão da tokenização financeira
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O recorde histórico de stablecoins atreladas ao euro não é só um número, é o primeiro sinal concreto de que o MiCA está funcionando como catalisador regulatório. Desde sua entrada em vigor para stablecoins em dezembro de 2024, tokens não conformes como o EURT da Tether foram retirados do mercado, abrindo espaço para emissões reguladas como a EURC da Circle (437 milhões de dólares em capitalização) e a EURe da Monerium (6 bilhões de euros em volume transacionado em 2025). A rede Base já reflete essa mudança: pools em euro lideram a liquidez entre stablecoins não dolarizadas, e o número de endereços ativos com esses ativos saltou de quase zero em meados de 2025 para 25 mil por semana.
O movimento vai além da DeFi. O consórcio Qivalis, com 37 bancos europeus, incluindo BNP Paribas e CaixaBank, está prestes a lançar sua stablecoin no segundo semestre de 2026, após obter aprovação técnica da Fireblocks e buscar licença EMI no Banco Central Holandês. Enquanto isso, o BCE prepara os projetos Appia e Pontes: o primeiro define o roadmap europeu para finanças tokenizadas até 2028; o segundo, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2026, permitirá liquidação em DLT usando moeda de banco central. Não é concorrência ao dólar. É arquitetura soberana para um sistema financeiro nativo da internet.
O que mudou
Em junho de 2026, a oferta de stablecoins em euro atingiu 900 milhões de dólares, superando o pico anterior de 721 milhões registrado em 2022. Isso representa mais que o dobro do valor de 2025, impulsionado pela saída de tokens não conformes (como o EURT) e pela entrada massiva de emissões reguladas (EURC, EURe, EURCV). A CEVIU já havia reportado, em 10 de junho, que pools em euro lideravam a liquidez na Base, mas agora sabemos que esse crescimento se traduziu em volume mensal de 3,83 bilhões de dólares (+9x desde o início do MiCA) e em transações de varejo que explodiram 12x nos últimos 15 meses.
Por que isso importa
Stablecoins em euro não são uma cópia do USDC. São um experimento institucional em escala: testam se uma moeda soberana pode ser operada de forma descentralizada, auditável e interoperável, sem depender de infraestrutura privada ou estrangeira. O BCE não quer substituir o dólar. Quer garantir que o euro digital funcione como base para títulos tokenizados, pagamentos transfronteiriços e contratos inteligentes regulados. Se der certo, o modelo pode ser replicado por outros blocos econômicos, Japão, Brasil, ASEAN, transformando a tokenização em um novo padrão de governança monetária global.
Linha do tempo
Regulamento MiCA entra em vigor para stablecoins na União Europeia, exigindo reservas segregadas, auditorias e direitos de resgate.
Stasis EURS registra aumento de 644% em capitalização, atingindo 283,9 milhões de dólares.
CEVIU reporta que stablecoins estão se tornando infraestrutura local, com volume do trimestre atingindo 4,5 trilhões de dólares.
Dune mostra que endereços ativos com stablecoins não dolarizadas na Base variam entre 15 mil e 25 mil por semana.
CEVIU destaca que Qivalis selecionou a Fireblocks e busca licença EMI no Banco Central Holandês.
Oferta de stablecoins atreladas ao euro bate recorde histórico de 900 milhões de dólares, segundo Token Terminal.
Perguntas frequentes
Por que as stablecoins de euro ainda representam menos de 0,4% do mercado global, mesmo com esse crescimento?
Porque o mercado global de stablecoins ultrapassa 300 bilhões de dólares, dominado pelo USDC e USDT. O segmento de euro partiu de uma base muito pequena, cerca de 650 milhões de euros no final de 2025, e cresceu rápido em termos relativos (mais que dobrou), mas ainda é ínfimo em escala absoluta. O salto real está no ritmo: volume mensal subiu quase nove vezes desde o MiCA.
Qual é a diferença prática entre a EURC da Circle e a Qivalis?
A EURC é uma stablecoin privada, emitida por uma empresa de tecnologia, totalmente compatível com o MiCA e listada em exchanges globais. A Qivalis é um projeto bancário coletivo, com foco em infraestrutura institucional, não busca listar em DeFi, mas sim integrar sistemas de pagamento, custódia e liquidação entre bancos europeus. São modelos complementares: uma para o mercado aberto, outra para o back-office financeiro.
O que os projetos Appia e Pontes do BCE têm a ver com stablecoins?
Tudo. O Pontes permite liquidação em tempo real de transações em DLT usando moeda de banco central, ou seja, stablecoins poderiam ser resgatadas diretamente contra euros digitais oficiais. O Appia define as regras técnicas e de governança para que ativos tokenizados (como títulos ou fundos) sejam reconhecidos legalmente na UE. Sem esses pilares, stablecoins europeias ficariam confinadas à especulação, não à infraestrutura.
Por que títulos do Tesouro tokenizados aparecem como infraestrutura para stablecoins?
Porque emissões reguladas de stablecoins precisam de reservas líquidas, seguras e auditáveis. Títulos tokenizados do Tesouro europeu oferecem exatamente isso: rendimento, liquidez e lastro soberano. A Token Terminal já observou que esses ativos deixaram de ser apenas produtos de rendimento para virarem ‘coluna vertebral’ das operações de stablecoins, especialmente para emissões que buscam alinhar-se ao MiCA e ao futuro euro digital.
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Fontes
- threadreaderapp.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Cripto
- Publicado
- 16 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Cripto
