Stablecoins não dolarizadas ganham tração na Base com crescimento expressivo de usuários
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A Base deixou de ser só um rail para o USDC e virou o primeiro laboratório prático de diversificação cambial em DeFi. Enquanto o USDC bate recorde de volume (US$ 21,5 trilhões em transações onchain no ano), os dados do Dune mostram que stablecoins não dolarizadas, como EURC e BRZ, estão ganhando tração real: 15 mil a 25 mil endereços semanais na Base, contra quase zero em meados de 2025. Isso não é especulação marginal: o EURC, emitido pela Circle sob reserva integral e auditado mensalmente, já integra uma rede de 25 bancos europeus adicionais, alinhado à entrada em vigor da MiCA. No Brasil, o BRZ se beneficia da Resolução BCB nº 561, que restringe apenas fluxos específicos de pagamentos internacionais (eFX), mas mantém aberta a negociação e uso em DeFi, o que explica sua adesão crescente na Base, especialmente em pares com protocolos de agentic finance como x402.
O movimento é estrutural: a Base está sendo usada como infraestrutura para tokenização de ativos em múltiplas moedas, não como um playground de experimentação. O relatório da Cambrian Network confirma que modelos de receita recorrente, como micropagamentos em stablecoin, exigem estabilidade local, não só global. Ou seja, pagar em euros na Europa ou em reais no Brasil não é mais uma ideia, mas uma operação com escala real, e a Base é onde isso está acontecendo agora.
O que mudou
Em maio de 2026, a cobertura CEVIU destacava a liderança da Base em volume de transações com stablecoins, mas quase exclusivamente com USDC, 90% do volume agentic onchain ainda girava em torno dele. Agora, em junho de 2026, há uma mudança mensurável: o número de endereços usando stablecoins não dolarizadas saltou de 'praticamente zero' para 15–25 mil por semana. Não é mais uma promessa ou um teste isolado: é um padrão consolidado, com infraestrutura bancária real (EURC) e respaldo regulatório local (BRZ + Resolução BCB 561). A evolução não foi técnica, a Base sempre suportou múltiplos tokens , , mas de adoção prática e interoperabilidade com sistemas fiduciários.
Por que isso importa
Stablecoins não dolarizadas na Base não são só uma alternativa: são um indicador de maturidade institucional. Elas reduzem riscos cambiais para comerciantes, facilitam compliance local e permitem que protocolos como x402 processem pagamentos em moeda nativa, sem conversões caras ou lentas. Isso afeta diretamente o custo de operação de fintechs, marketplaces e até cooperativas brasileiras integradas ao ecossistema. Além disso, mostra que a regulação não trava inovação: a Resolução BCB 561 e a MiCA não eliminaram stablecoins locais, mas impuseram regras que as tornaram mais confiáveis, e, portanto, mais adotáveis.
Linha do tempo
Base lidera volume de transações com stablecoins, com 90% do volume agentic onchain concentrado no USDC
USDC atinge US$ 77 bilhões em oferta e US$ 21,5 trilhões em volume de transações onchain no ano
Protocolo x402 registra 75,41 milhões de transações e US$ 24,24 milhões em volume de pagamentos nos últimos 30 dias
Relatório aponta que depósitos bancários tokenizados devem ganhar protagonismo à medida que o interesse pelas stablecoins arrefece
Relatório da Cambrian Network mostra migração de agentic finance para receitas recorrentes via micropagamentos em stablecoin
Número de endereços transacionando stablecoins não dolarizadas na Base atinge média semanal de 15–25 mil
Perguntas frequentes
Por que stablecoins não dolarizadas estão crescendo exatamente na Base e não em outras redes?
A Base tem três vantagens: baixo custo de transação, forte integração com infraestrutura de pagamento da Coinbase (como x402), e foco explícito em ativos tokenizados multimoeda desde 2026. Outras redes priorizam velocidade ou privacidade, mas a Base foi desenhada como camada de liquidez para ativos reais, incluindo moedas fiduciárias com lastro local.
O EURC e o BRZ têm o mesmo nível de segurança do USDC?
Sim, em termos de modelo de reserva. O EURC segue o mesmo padrão da Circle: reserva integral em depósitos bancários e títulos soberanos, com auditorias mensais. O BRZ, emitido pela Bitso, opera sob supervisão do Banco Central do Brasil e segue as exigências da Resolução BCB 561, incluindo segregação de ativos e relatórios trimestrais de reservas.
Esse crescimento ameaça a hegemonia do USDC?
Não substitui, mas redistribui. O USDC continua dominante em volume global (US$ 77 bilhões em circulação), mas sua participação em casos de uso locais, como pagamentos entre empresas brasileiras ou contratos de frete na UE, está caindo. A tendência é de coexistência: USDC para cross-border, EURC/BRZ para operações domésticas on-chain.
Quais são os riscos reais dessa diversificação?
Dois principais: fragmentação de liquidez (menos profundidade em pares não-USD) e divergência regulatória, por exemplo, o Genius Act nos EUA exige licença bancária para stablecoins, enquanto a MiCA na UE permite emissão por entidades autorizadas. Isso pode gerar atritos em pontes entre redes ou dificuldades de convergência em protocolos de agentic finance.
- Categoria
- CEVIU Cripto
- Publicado
- 09 de junho de 2026
- Fonte
- CEVIU Cripto
