Juiz federal de NY suspende ação sobre propriedade de quase 40 mil carteiras de Bitcoin inativas
Aprofundamento CEVIU
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O caso não é sobre recuperação técnica de chaves privadas, é sobre a tentativa de converter inatividade em abandono legal. Os demandantes, liderados por 'Noah Doe', invocam a Lei de Propriedade Pessoal de NY (Artigo 7-B), criada para objetos físicos perdidos e entregues à polícia. Mas Bitcoin não se perde: ele fica parado até alguém movê-lo. E isso está acontecendo agora, 339 carteiras da lista já foram reativadas desde os avisos OP_RETURN de 2025, incluindo duas movimentações em junho de 2026 com mais de US$ 5 milhões em BTC cada, ambas de endereços inativos há mais de 15 anos. O juiz Kathy J. King não julgou o mérito, mas reconheceu que a aplicação dessa lei antiga a ativos digitais exige uma análise jurídica cuidadosa, especialmente porque uma emenda de 2022 já direciona criptomoedas não reclamadas ao Controlador do Estado, não a particulares.
A avaliação dos demandantes de 'menos de US$ 10 por carteira' é tecnicamente insustentável: a Galaxy Research mostra que a média real é de 97,25 BTC por endereço, ou cerca de US$ 6 milhões cada. E 21.900 desses endereços estão ligados à atividade de Satoshi Nakamoto, o que transforma o processo em um teste de fogo para a noção de 'propriedade indeterminada' em blockchains públicas. A rede não reconhece ordens judiciais. Ela só reconhece assinaturas válidas.
O que mudou
Em maio de 2026, a CEVIU cobriu três casos distintos de congelamento judicial de ativos em Ethereum e Arbitrum, todos envolvendo exploits, jurisdição clara (ex: KelpDAO, Lazarus Group) e mecanismos on-chain de bloqueio via contratos ou DAOs. Este novo caso é diferente: não há exploit, não há contrato inteligente envolvido, não há acusação criminal. É pura tentativa de redefinir o conceito de 'abandono' em Bitcoin usando uma lei estadual de 1960. Também é o primeiro caso documentado em que movimentações reais de carteiras listadas ocorrem *durante* o processo, o que enfraquece diretamente a tese central dos demandantes.
Por que isso importa
Se o tribunal aceitar a tese de que inatividade = abandono, abre-se caminho para centenas de ações semelhantes em Nova York contra carteiras antigas, especialmente as vinculadas a mineradores da era inicial. Isso não transfere chaves, mas cria riscos legais para quem eventualmente recuperar esses ativos: exchanges poderiam recusar saques, bancos poderiam bloquear conversões, e custodiantes poderiam exigir provas de origem além da posse da chave. O precedente não afeta a rede, mas afeta o acesso regulamentado ao ativo, e isso já está sendo testado em tempo real, com transações saindo justamente das carteiras sob disputa.
Linha do tempo
Início da ação judicial por 'Noah Doe' contra 39.069 carteiras de Bitcoin inativas em Nova York
Queixa expandida para incluir o total de 39.069 carteiras
Advogado Ian R. Cohen apresenta amicus brief contestando aplicação da lei de propriedade perdida a Bitcoin
Juíza Kathy J. King assina ordem de suspensão temporária do processo
Decisão tornada pública: processo suspenso até audiência de 14 de julho para avaliar admissibilidade do amicus brief
Perguntas frequentes
O juiz declarou que essas carteiras pertencem aos demandantes?
Não. A decisão foi apenas uma suspensão temporária do processo até 14 de julho. Nenhuma propriedade foi transferida, nem reconhecida. O juiz está avaliando se a lei usada pelos demandantes sequer se aplica a Bitcoin.
Como alguém pode mover Bitcoins de uma carteira 'inativa há 15 anos'?
Basta ter a chave privada correspondente, seja guardada em papel, hardware ou memória. A inatividade na blockchain não significa perda da chave. Muitas dessas carteiras foram geradas por mineradores da era Satoshi, que mantêm acesso silencioso até hoje.
Por que a SEC e outros órgãos não estão envolvidos nesse caso?
Porque o processo não trata de valores mobiliários, oferta pública ou infração federal. É uma ação estadual baseada em lei de propriedade pessoal de Nova York, uma estratégia jurídica distinta das ações da SEC contra exchanges ou da DOJ contra grupos como o Lazarus.
O que acontece se o juiz rejeitar o amicus brief?
O processo retoma normalmente, com foco no mérito da alegação de abandono. Se o brief for aceito, passa a fazer parte do registro oficial e pode influenciar a interpretação da lei, especialmente o argumento de que criptomoedas não reclamadas devem ir ao Controlador do Estado, não a particulares.
- Categoria
- CEVIU Cripto
- Publicado
- 09 de junho de 2026
- Fonte
- CEVIU Cripto
