Software interpolativo x software inédito: o que os agentes de IA conseguem escrever
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O autor propõe um espectro para o software em 2026. De um lado, o software interpolativo: código que está dentro da distribuição de treinamento dos modelos. Às vezes os agentes provavelmente foram treinados em exemplos diretos ("faça um app de tarefas", "clone o site X") ou em APIs específicas, como React. Outras vezes o software "rima" com muita coisa existente, ou fica entre dois programas conhecidos, e o modelo interpola entre exemplos parecidos. Issue trackers, formulários web, pipelines de treinamento, sistemas de CI e workflow engines entram nessa conta.
O critério prático é quantos bits de informação você precisa pôr no prompt para obter o que quer. Se são poucos, é interpolativo. O autor ressalva que isso depende da distribuição de treino dos modelos de fronteira, não da complexidade real: pedir um alocador de memória cabe em um prompt curto e rende algo complexo. No outro extremo está o software inédito, feito de componentes que não aparecem no treino ou combinados de um jeito que a intuição do agente não resolve sem muita orientação humana. Ele descreve a experiência como "lutar morro acima". Seu exemplo é um sistema distribuído em larga escala, reconstruído no trabalho com muitos agentes e tokens ao longo de quase um ano, que ainda exige acompanhamento humano diligente. Já "construa o Anki" ou "construa o Linear" saem de ponta a ponta com poucos prompts.
O que mudou
A cobertura anterior do CEVIU aponta na mesma direção. Em 26 de outubro de 2026, a matéria "Com a IA mais capaz, é hora de mirar software mais ambicioso" dizia que a IA já faz one-shot de muitos projetos, mas tem dificuldade com tarefas mais difíceis. Em 24 de setembro de 2026, "IA e Agentes de Código: Redefinindo a Composição Modular no Desenvolvimento de Software" tratava de agentes criando camadas finas e proprietárias sobre primitivos, o que muda o limiar para adotar frameworks. O texto atual dá um vocabulário a essa divisão: o que é interpolativo o agente entrega, o que é inédito segue pedindo gente.
Por que isso importa
Leitura editorial: para quem opera um time de engenharia, a pergunta útil deixa de ser "o agente consegue?" e vira "quanto do meu problema é interpolativo?". Segundo o autor, boa parte do trabalho do engenheiro hoje é transformar um problema inédito em interpolativo, para empurrar o máximo de implementação para os agentes. Isso reforça o peso de decomposição e de especificação, e não só de digitar código.
Linha do tempo
CEVIU noticia agentes de código criando camadas finas sobre primitivos e mudando o limiar de adoção de frameworks.
CEVIU noticia que a IA faz one-shot de muitos projetos, mas ainda falha em tarefas difíceis.
Texto propõe o espectro entre software interpolativo e software inédito para agentes de IA.
Perguntas frequentes
O que é software interpolativo?
É código que está solidamente dentro da distribuição de treinamento dos modelos. Costuma ter um design de referência conhecido e dá para especificar com poucas frases de prompt. Issue trackers, formulários web, sistemas de CI e workflow engines são exemplos citados.
Como saber se um software é interpolativo ou inédito?
O autor sugere contar quantos bits de informação você precisa incluir no prompt para obter o que quer. Se a resposta é pouco, é interpolativo. Isso depende do que os modelos viram no treino, não da complexidade intrínseca do software.
Agentes de IA conseguem escrever software inédito?
Conseguem ajudar, mas é difícil, porque não foram treinados para isso. O autor relata um sistema distribuído complexo que, mesmo com muitos agentes e tokens, ainda exige muita supervisão humana para funcionar como projetado.
A fronteira entre interpolativo e inédito é fixa?
Não. Segundo o texto, o que conta como interpolativo cresce conforme os ambientes de RL ficam mais diversos. No limite, combinações criativas o bastante de componentes existentes começam a parecer invenções novas.
Fontes
- benjamincongdon.mefonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 04 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU

