Planejar com agentes de IA: mundos divididos, boundary objects e interfaces mais densas
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Aprofundamento
O texto de Maggie Appleton, designer, engenheira e pesquisadora do GitHub Next, parte de uma tensão. Todo mundo corre atrás de automação pesada (loops, fluxos agênticos, enxames de agentes), mas isso só rende se o humano entregar um plano excelente antes de sair de cena. Ela apresentou a primeira versão da palestra numa conferência interna da Microsoft e pretende continuar desenvolvendo o tema.
O argumento se apoia em Lucy Suchman e no livro Plans and Situated Actions, de 1987. Planos são, nas palavras dela, um recurso fraco para a ação ad hoc. Em engenharia, o plano esbarra em complexidade e problemas difíceis. O ponto central: quem planeja e quem executa não são o mesmo ser, então as decisões importantes precisam ser tomadas antes de o agente seguir sozinho. Além disso, o meio atual é pobre: humanos leem cerca de 240 palavras por minuto, e um agente escreve cerca de 4.500, quase 19 vezes mais. Ela propõe boundary objects, conceito de Susan Leigh Star e James Griesemer (1989), como forma de colaboração entre os dois mundos, sem exigir que um entenda totalmente o outro.
O que mudou
O tema já aparecia na cobertura do CEVIU. Em 18 de setembro de 2026, a matéria "Interfaces Visuais e a Colaboração entre Humanos e IA no Planejamento de Projetos" apontava o Markdown como gargalo e citava a mesma disparidade de leitura, 240 palavras por minuto contra a velocidade dos agentes. Agora o argumento ganha uma base teórica (Suchman, boundary objects) e um nome para a saída: interfaces mais densas. Em 18 de fevereiro de 2026, o CEVIU já tratara do desafio de exibir planejamento e decisões de agentes na interface. Em 25 de agosto de 2026, outra matéria discutiu modelos de mundo, tema que o texto também menciona como tentativa de ensinar agentes a interpretar a realidade física.
Por que isso importa
Para quem opera agentes no dia a dia, a leitura é prática: o gargalo talvez não esteja no modelo, e sim na forma como o humano decide. Se você aprova planos longos sem ler direito, a qualidade do resultado já foi comprometida. Ferramentas de planejamento que permitam editar, pausar, pesquisar e comentar em equipe parecem o próximo campo de disputa.
Linha do tempo
CEVIU noticia o desafio de visualizar o fluxo de trabalho de agentes em interfaces de usuário.
CEVIU noticia os modelos de mundo como próxima fronteira da IA.
CEVIU noticia interfaces visuais e colaboração entre humanos e IA no planejamento de projetos.
Maggie Appleton publica texto sobre planejamento com agentes, mundos divididos e boundary objects.
Perguntas frequentes
O que são boundary objects?
É um conceito de Susan Leigh Star e James Griesemer, de 1989. Descreve objetos que grupos diferentes usam e interpretam de modos distintos, mas que permitem colaboração. No texto, a autora sugere usá-los para ligar o mundo humano ao mundo dos agentes.
Qual o problema do planejamento atual com agentes?
Segundo a autora, é um meio feito de blocos de texto, sem edição direta do plano e sem pausas para aprofundar uma questão. Também é um processo privado, em que colegas não veem nem comentam as decisões uns dos outros. O agente ainda trata o que foi decidido como definitivo.
Por que o texto cita Lucy Suchman?
Porque o livro dela, de 1987, mostra que planos são um recurso fraco para a ação em contexto real. Sua pesquisa com uma copiadora da Xerox PARC também ilustra como humanos e máquinas enxergam um ao outro como por uma fechadura.
Quem é a autora e onde o tema foi apresentado?
Maggie Appleton é designer, engenheira e pesquisadora do GitHub Next, o laboratório de P&D do GitHub. Ela apresentou a primeira versão da palestra numa conferência interna da Microsoft e pretende levá-la a palcos maiores.
Fontes
- maggieappleton.comfonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 26 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU

