Antes da IA, o compilador também era visto como o fim da programação
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O texto do hrih.si parte de um relatório da IBM de 10 de novembro de 1954, que dizia que o FORTRAN "should virtually eliminate coding and debugging". O FORTRAN chegou em 1957 e eliminou de fato um tipo de codificação: quase ninguém traduz fórmulas em instruções de máquina à mão. O debugging continuou firme. O autor lembra ainda o The Last One, gerador de programas BASIC vendido em 1981, que prometia ser o último programa que alguém precisaria comprar.
O argumento central é que cada automação tira uma parte tediosa do trabalho e sobe o nível da tarefa, e o campo cresce mesmo assim. Os dados de 2026 que o autor reúne são mistos. No levantamento do Stack Overflow de 2025, 84% dos desenvolvedores usavam ou planejavam usar IA, mas 46% desconfiavam da precisão das respostas. O estudo randomizado da METR, no início de 2025, mostrou desenvolvedores 19% mais lentos com IA, ainda que achassem o contrário. A Faros AI observou mais pull requests e revisão bem mais lenta. O Stanford Digital Economy Lab aponta queda de 19% no emprego de jovens em funções expostas à IA, num estudo que os próprios autores chamam de descritivo, não causal.
O que mudou
A tese de que a saída gerada vira artefato que ninguém edita à mão já aparecia na cobertura do CEVIU. Em 13 de maio de 2026, o CEVIU noticiou "Trate a saída de agentes de IA como saída de compilador", sobre a revisão depender de tipos, especificações e testes, e não de ler o código. Em 5 de agosto de 2026, em "O Futuro do Software: Geração de Código por Especificações Formais e o Fim do Legado Eterno", o tema era o código gerado a partir de especificações. O texto atual acrescenta a perspectiva histórica (FORTRAN, 1954) e dados de adoção, produtividade e emprego.
Por que isso importa
Para quem opera times de software, a leitura é que escrever código tende a ficar mais barato e especificar, testar e revisar tende a ficar mais caro. Isso vale também para quem está começando: se as tarefas pequenas migrarem para agentes, a formação de juniores precisa de outro caminho. É uma leitura, não um fato comprovado.
Linha do tempo
CEVIU noticia a proposta de tratar a saída de agentes de IA como saída de compilador.
CEVIU noticia o avanço da geração de código por especificações formais.
Artigo do hrih.si compara a promessa do FORTRAN em 1954 ao discurso atual sobre IA.
Perguntas frequentes
O que a IBM prometeu com o FORTRAN em 1954?
Um relatório preliminar de 10 de novembro de 1954 dizia que o FORTRAN deveria eliminar virtualmente a codificação e o debugging. A linguagem chegou em 1957. Eliminou a tradução manual de fórmulas para instruções de máquina, mas o debugging continuou.
A IA deixa o desenvolvedor mais rápido?
Depende de como se mede. Em um estudo da METR no início de 2025, com 16 desenvolvedores experientes, o grupo com IA levou 19% mais tempo, apesar de achar que ganhou velocidade. Um estudo maior, iniciado em agosto de 2025, foi considerado pela METR pouco confiável em fevereiro de 2026.
O que mudou na revisão de código com IA?
Segundo a Faros AI, em 2026 o tempo mediano de revisão cresceu cinco vezes e 31% mais pull requests foram integrados sem revisão. A razão entre incidentes e pull requests mais que triplicou.
Os empregos de programação vão acabar?
O autor não acredita nisso. Cita a projeção do Bureau of Labor Statistics dos EUA de 10% de crescimento para a área de 2025 a 2035. Ele alerta, porém, para a queda na contratação de jovens de 22 a 25 anos, que os pesquisadores tratam como descritiva, não causal.
Fontes
- hrih.sifonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 22 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU

