Falhas no Private Relay da Apple Expõem IPs Reais em Navegadores iOS
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A Mysk, empresa de pesquisa em segurança, chacoalhou a comunidade tecnológica ao divulgar falhas que deixam o Private Relay da Apple de lado, expondo o IP real dos usuários. Eles acharam três jeitos de fazer isso: um com DNS prefetching, outro pelo WebAuthn's Related Origin Requests e o terceiro via WebTransport. Todas essas técnicas são um atalho que desvia o tráfego do proxy de privacidade, mostrando o endereço IP original do aparelho.
O problema se agrava porque todos os navegadores no iOS são obrigados a usar o motor WebKit, da Apple. Isso significa que a falha não atinge só o Safari, mas qualquer outro navegador que o usuário utilize no iPhone ou iPad. A decisão dos pesquisadores de liberar as informações sem aviso prévio à Apple vem de um histórico de longos prazos de correção da empresa, como visto no caso do vazamento de e-mails do Hide My Email, que levou mais de um ano para ser resolvido, conforme noticiado pelo CEVIU em 3 de julho de 2026.
O que mudou
A cobertura anterior do CEVIU, em 6 de agosto de 2026, já apontava um vazamento de IPs no Private Relay via interações com passkeys. A nova pesquisa da Mysk não só confirma essa vulnerabilidade via WebAuthn, que é a tecnologia por trás das passkeys, mas expande significativamente o escopo do problema. Descobriram-se mais duas falhas, por DNS prefetching e WebTransport, que também expõem o endereço IP real. Isso mostra que a superfície de ataque é mais ampla do que se pensava, com múltiplas vias para contornar a proteção do recurso, indo além da interação específica com credenciais de login.
Por que isso importa
Esta descoberta atinge o cerne da promessa de privacidade do Private Relay da Apple, projetado para mascarar o endereço IP do usuário. Se as falhas permitirem que qualquer site acesse o IP real, a funcionalidade perde sua essência, minando a confiança na segurança oferecida pela empresa. O impacto é grande, pois atinge todos os usuários de iOS que dependem dessa camada de proteção, reforçando a importância de soluções de VPN para uma proteção mais robusta e independente do sistema operacional.
Linha do tempo
Falha no Hide My Email da Apple expõe endereços de e-mail reais dos usuários
Falha no iCloud Private Relay da Apple expõe endereços IP reais a sites com passkeys
Falhas no Private Relay da Apple Expõem IPs Reais em Navegadores iOS
Perguntas frequentes
O que é o Private Relay da Apple?
O Private Relay é um recurso de privacidade da Apple que esconde o endereço IP e a atividade de navegação do usuário do Safari e de apps, encaminhando o tráfego por dois servidores separados. Ele foi criado para evitar que websites e provedores de rede construam um perfil detalhado do usuário.
Como essas falhas expõem o endereço IP real?
As falhas exploram mecanismos do sistema operacional e do WebKit que, em certas condições (DNS prefetching, WebAuthn's Related Origin Requests e WebTransport), permitem que o tráfego de rede ignore o Private Relay. Assim, a requisição sai diretamente do dispositivo do usuário, revelando seu IP real.
Quais navegadores são afetados pelas vulnerabilidades?
Todas os navegadores no iOS são afetados. Isso ocorre porque a Apple exige que todos os navegadores rodando em seus dispositivos móveis usem o motor de renderização WebKit, o mesmo que o Safari. Consequentemente, a vulnerabilidade atinge Safari, Chrome, Firefox e qualquer outro navegador no iOS.
As VPNs também são afetadas por essas falhas?
Não, as VPNs operam em um nível diferente, roteando todo o tráfego do dispositivo, não apenas o do navegador. Por cobrirem todo o sistema, elas não são impactadas por estas vulnerabilidades específicas do WebKit ou do Private Relay. Usar uma VPN pode ser uma alternativa para proteger o IP.
Fontes
- privacyguides.orgfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 07 de agosto de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

