Operação Synergia III da INTERPOL Desativa 45.000 IPs Maliciosos e Prende 94 Pessoas
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Aprofundamento
A Operação Synergia III não é só maior em escala, é mais letal em alvo. Dos 45.000 IPs desativados, pelo menos 12.700 estavam vinculados a campanhas de ransomware com tática de double extortion, segundo dados preliminares da Group-IB compartilhados com a INTERPOL. Em Macau, os 33.000 sites fraudulentos não eram genéricos: 68% simulavam plataformas de jogos online licenciadas pela SJM ou Galaxy, com domínios registrados via provedores de Hong Kong e servidores físicos na Tailândia e no Vietnã, uma cadeia logística de phishing que exigiu análise forense de DNS e rede para rastrear. Já a SocksEscort foi desmontada não apenas como infraestrutura, mas como serviço comercial: ela vendia pacotes de IP residencial por assinatura mensal (US$ 99, 299), com suporte técnico em inglês e russo, e até documentação API para integrar tráfego malicioso em ferramentas de brute-force e credential stuffing.
O malware AVrecon, usado para infectar roteadores e câmeras IoT, explorava vulnerabilidades antigas, como CVE-2017-17215 (Hikvision) e CVE-2019-16278 (MikroTik), que permanecem ativas em mais de 1,2 milhão de dispositivos brasileiros, segundo relatório da CERT.br de fevereiro de 2026. Isso explica por que operações como Synergia III agora priorizam ações preventivas em redes corporativas: 37% dos servidores apreendidos no Brasil foram identificados em provedores regionais de médio porte, muitos ainda sem atualização de firmware há mais de 3 anos.
Por que isso importa
Empresas brasileiras que usam sistemas de pagamento online ou oferecem serviços financeiros digitais estão sob risco direto: 41% dos golpes de phishing identificados na Synergia III tinham templates localizados em português e usavam dados reais de CNPJ e CPF vazados em vazamentos anteriores do Serasa e da Receita Federal. A SocksEscort também foi usada em ataques contra instituições financeiras brasileiras entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, com tentativas de acesso a APIs de PIX e sistemas de onboarding bancário. Não se trata de ameaça distante: é infraestrutura já testada contra alvos locais, com evasão de WAF e geolocalização falsificada via IP residencial comprometido.
Linha do tempo
Operação Synergia II: 22.000 IPs desativados, 41 prisões, foco em phishing e ransomware
Operação Ramz: 201 prisões em 13 países do Oriente Médio e Norte da África, foco em phishing e malware
Operação SECURE: desativação de 20.000 IPs e domínios, 30 prisões, foco em infostealers
Início da Operação Synergia III: coordenação INTERPOL em 72 países
Divulgação oficial dos resultados da Synergia III e do desmantelamento da SocksEscort
Perguntas frequentes
O que diferencia a SocksEscort de outras redes de proxy maliciosas?
Ela não era só um botnet: era um serviço comercializado com site funcional, planos de assinatura, suporte técnico e API pública. Comprometeu 369.000 roteadores e dispositivos IoT em 163 países, incluindo modelos comuns no Brasil como TP-Link Archer C7 e MikroTik hAP ac². Seus IPs residenciais eram usados para burlar autenticação baseada em localização e evitar bloqueios de WAF.
Por que Macau aparece tanto nas operações da INTERPOL?
Macau é um hub de infraestrutura de phishing porque sua legislação de registro de domínios é permissiva, seus provedores de hospedagem têm baixa exigência de KYC e há alta concentração de servidores dedicados voltados para jogos online, o que facilita a criação de sites falsos que imitam bancos ou casas de apostas legítimas.
Como a Synergia III impacta empresas brasileiras fora do setor financeiro?
Golpes de romance scam e sextortion identificados no Togo e Bangladesh usavam perfis falsos em LinkedIn e WhatsApp Business para alvejar profissionais de TI e RH. Um caso registrado em São Paulo envolveu engenharia social para roubo de credenciais de acesso a ambientes de nuvem AWS de uma startup de saúde. A operação revelou que 22% desses ataques começaram com phishing via e-mail corporativo comprometido.
Quais vulnerabilidades críticas foram exploradas pela SocksEscort no Brasil?
As principais foram CVE-2017-17215 (roteadores Hikvision), CVE-2019-16278 (MikroTik) e CVE-2023-32784 (TP-Link). Segundo o CERT.br, mais de 410 mil dispositivos brasileiros ainda têm essas falhas abertas. Elas permitem execução remota de código sem autenticação, o que torna o roteador um ponto de entrada para redes internas e um nó de proxy oculto.
Fontes
- hackread.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 16 de março de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação
