Hackers exploraram falhas em iOS e Android para infectar celulares
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Segundo pesquisadores da Sekoia, a campanha começava quando um usuário de iPhone ou Android acessava um de potencialmente centenas de sites. Um JavaScript injetado no tráfego traçava o perfil do navegador e do aparelho, e a partir disso o atacante entregava uma de três cadeias de exploits zero-click, sem nenhuma interação da vítima. Os payloads, adaptados à plataforma, tentavam roubar cookies do navegador e, em alguns casos, senhas de Wi-Fi e dados completos do dispositivo.
Foram três vetores: injeção direta de JavaScript no tráfego de sites legítimos, domínios proxy (como america250[.]holiday, reverse proxy do america250.org, e theowo[.]club, que espelhava o site de um hotel de luxo em Londres próximo a instituições do governo britânico) e o comprometimento da cadeia de suprimentos de um serviço ucraniano de análise web que atende milhares de sites. Uma grande produtora de gás da Ucrânia também foi usada como site comprometido. O JavaScript era o mesmo nos três casos. Uma das cadeias era o DarkSword, kit para iOS que, segundo o Google, clientes da PARS Defense (fornecedora turca de vigilância comercial) e ao menos outros dois atores já usaram. As outras duas não foram nomeadas. A Sekoia atribui a ação ao Serviço de Inteligência Externa da Rússia com confiança "moderada a alta", com base no perfil dos alvos e em semelhanças com um ataque anterior atribuído ao APT29. Todas as falhas eram n-days, ou seja, já corrigidas: só aparelhos desatualizados eram afetados.
O que mudou
Em 24 de março de 2026, o CEVIU publicou "DarkSword e o Dilema do LLM: O Que Todos Mencionaram, Mas Ninguém Explorou", descrevendo o DarkSword como kit baseado em JavaScript que encadeava seis CVEs, três deles zero-days, contra iOS 18.4 a 18.7. Agora o mesmo kit aparece em uso por um grupo provavelmente russo, com as falhas já corrigidas. Em 5 de março de 2026, o CEVIU também noticiou o "Exploit kit Coruna compromete iPhones e rouba carteiras crypto", que teria sido usado inicialmente por grupos russos contra ucranianos. O padrão de kits de exploit para iOS circulando entre vários atores se repete.
Por que isso importa
Para quem opera segurança corporativa, a leitura é direta: como tudo era n-day, atualizar iOS e Android é a mitigação que bloqueia a campanha. Para equipes que protegem pessoas de perfil diplomático, jornalistas ou funcionários ligados à Ucrânia, vale tratar frota móvel desatualizada como risco real, e considerar que sites de análise de terceiros podem virar vetor de ataque.
Linha do tempo
CEVIU noticia o exploit kit Coruna para iPhones, inicialmente usado por grupos russos contra ucranianos.
Lookout, Google GTIG e iVerify divulgam o DarkSword, kit de exploração para iOS baseado em JavaScript.
Sekoia detalha campanha provavelmente ligada à inteligência russa que usou o DarkSword e outras cadeias contra iOS e Android desatualizados.
Perguntas frequentes
Quem estava por trás dos ataques a iOS e Android?
A Sekoia avalia, com confiança moderada a alta, que os atacantes fazem parte do Serviço de Inteligência Externa da Rússia. A atribuição se baseia no perfil dos alvos e em semelhanças com um ataque anterior atribuído ao APT29.
Meu celular atualizado estava vulnerável?
Segundo a pesquisa, todas as falhas exploradas eram n-days, já corrigidas. Os ataques funcionavam apenas em versões desatualizadas de iOS ou Android.
O que é o DarkSword?
É um kit de exploits para iOS. O Google afirmou que clientes da PARS Defense, fornecedora turca de vigilância comercial, e ao menos outros dois atores já o usaram.
Como o ataque chegava às vítimas?
Por três vetores: JavaScript injetado em sites legítimos, domínios proxy que imitavam sites reais e um serviço ucraniano de análise web comprometido. O script perfilava o aparelho e entregava uma cadeia de exploit zero-click.
Fontes
- arstechnica.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 06 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

