Hackers comprometem 14.500 câmeras Dahua em 35 dias, revela pesquisa
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A campanha CameraSwarm, que visou 14.500 câmeras IP Dahua em 35 dias, expõe a crônica fragilidade de dispositivos IoT frente a ataques bem orquestrados. A ofensiva combinou três métodos principais: força bruta contra a porta TCP 37777, exploração de vulnerabilidades conhecidas (CVE-2021-33044 e CVE-2021-33045) via ferramenta p2pwn, e um ataque cloud-relay que utilizou números de série para contornar dispositivos atrás de NAT.
A persistência do acesso, garantida por contas backdoor que sobrevivem até a redefinição de fábrica em muitos firmwares, é um ponto crítico. Essa estratégia destaca a necessidade urgente de gestão robusta de acessos, atualização de firmware e senhas complexas. A concentração de ataques na Ucrânia e Rússia, como revelado pela Hunt.io, alinha-se a preocupações geopolíticas sobre ciberespionagem.
O que mudou
Esta nova campanha de comprometimento de câmeras Dahua é a materialização de alertas anteriores. Em 21 de julho de 2026, o CEVIU News noticiou que a inteligência russa utilizava câmeras IP vulneráveis para espionagem militar na OTAN e Ucrânia. O CameraSwarm é a prova concreta de como essa ameaça se manifesta em larga escala, usando vulnerabilidades já conhecidas. A exploração de câmeras IoT, como as vulnerabilidades na Xiaomi C400 reportadas em 18 de março de 2026, continua sendo um vetor preferencial para cibercriminosos e atores estatais, demonstrando que o problema está longe de ser resolvido.
Por que isso importa
O comprometimento em massa de câmeras IP Dahua acende um alerta sobre a segurança de dispositivos IoT em ambientes críticos e domésticos. Dispositivos mal configurados ou com firmware desatualizado tornam-se portões de entrada para redes, expondo dados sensíveis e permitindo vigilância não autorizada. Para empresas e governos, isso representa um risco direto à privacidade, segurança física e inteligência, enquanto para usuários comuns, a câmera de segurança pode virar um espião.
A recorrência de ataques baseados em vulnerabilidades conhecidas e credenciais padrão ressalta a importância de políticas de cibersegurança mais rigorosas. É fundamental que fabricantes implementem segurança por design, e que usuários adotem práticas como desativar P2P quando não necessário e aplicar as atualizações de segurança imediatamente. Ignorar esses princípios básicos aumenta o custo e a complexidade de resposta a incidentes.
Linha do tempo
Pesquisa da TASZK Security Labs revela três vulnerabilidades críticas na câmera inteligente Xiaomi C400.
Hackers russos do Forest Blizzard são associados a sequestro de mais de 5.000 roteadores SOHO para espionagem.
Alerta da inteligência holandesa revela que serviços russos usam câmeras IP vulneráveis para espionagem militar na OTAN e Ucrânia.
Campanha CameraSwarm compromete 14.500 câmeras Dahua em 35 dias, explorando diversas vulnerabilidades.
Perguntas frequentes
O que é a campanha CameraSwarm?
CameraSwarm é uma campanha de hacking que comprometeu cerca de 14.500 câmeras IP da Dahua em 35 dias. A ação foi descoberta por pesquisadores da Hunt.io e concentrou-se principalmente em dispositivos localizados na Ucrânia e Rússia.
Como os hackers comprometeram as câmeras Dahua?
Os invasores usaram três métodos: força bruta na porta TCP 37777, exploração das vulnerabilidades CVE-2021-33044 e CVE-2021-33045 com a ferramenta p2pwn, e um ataque cloud-relay utilizando números de série e credenciais SDK padrão para acessar câmeras atrás de NAT.
Quais são as principais falhas exploradas nos ataques?
As falhas incluem credenciais padrão, a exposição da porta TCP 37777 e vulnerabilidades de firmware específicas (CVE-2021-33044 e CVE-2021-33045) que permitem a instalação de backdoors persistentes. O uso de números de série para gerar códigos de recuperação de senha também foi uma brecha crucial.
Como posso proteger minha câmera Dahua contra esses ataques?
Recomenda-se examinar as câmeras para a presença de uma conta 'p2pwn', atualizar o firmware para versões mais recentes (especialmente as que corrigem CVE-2021-33044 e CVE-2021-33045), usar senhas fortes e únicas, e desativar a função P2P se não for essencial.
Fontes
- bleepingcomputer.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 20 de agosto de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

