Falha no TCP do kernel Linux com CVSS 9.8 atinge Ubuntu, Red Hat e outras distribuições
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A falha é rastreada como CVE-2026-98432 e está no código TCP do kernel Linux. É uma race condition na montagem de novas conexões IPv4. Quando o handshake termina, o kernel passa ao novo socket as opções IP guardadas na requisição pendente, sem copiá-las. Se esse socket for destruído enquanto outra CPU ainda usa essas opções para responder a uma requisição reenviada, o kernel lê memória já liberada (use-after-free). IPv6 não sofre a mesma corrida, porque o kernel copia as opções nesse caso. O bug entrou no Linux 4.4, e a correção faz o kernel esperar as demais CPUs terminarem a leitura antes de liberar a memória.
A divergência de nota é o ponto central para quem gerencia vulnerabilidades. A equipe de CVE do kernel atribui 9.8, com complexidade de ataque baixa. Red Hat, Oracle e SUSE usam 8.1 (complexidade alta no vetor), a Amazon dá 7.0, e a página de CVE da Red Hat ainda mostrava 5.9 (Moderate) em 29 de outubro de 2026. A Anthropic disse em 27 de outubro de 2026 que seu modelo escreveu um exploit para execução remota de comandos como root contra servidores com listener multipath TCP. Em seu teste, vazar um endereço do kernel levou 48 minutos, e chegar à execução de comandos levou mais 5. A fonte não informa ataques em andamento, e a falha não aparecia numa cópia do catálogo KEV da CISA atualizada em 28 de outubro de 2026.
Quanto às correções, Debian, Oracle Linux, SUSE e Amazon Linux já têm pacotes, ao menos para alguns kernels. Ubuntu e RHEL ainda não, e a Red Hat não oferece mitigação que atenda aos seus critérios. Quem compila o próprio kernel encontra o ajuste nas versões 5.10.272, 5.15.223, 6.1.190, 6.6.159, 6.12.113, 6.18.56, 7.2.10 e 7.3. Em Go, desde a versão 1.24 os programas ativam MPTCP por padrão nos sockets de escuta. A equipe de segurança do Go diz que desligar MPTCP é mitigação frágil e que o melhor caminho é atualizar o kernel.
O que mudou
A cobertura anterior do CEVIU mostra uma sequência de falhas no kernel Linux em 2026, mas de componentes distintos. Em 30 de julho de 2026, o CEVIU noticiou "Vulnerabilidade Crítica de Dia Zero no Kernel Linux Descoberta com o Auxílio de IA" (net/sched). Em 10 de agosto de 2026, veio "Alerta Crítico: Falha de 18 Anos no Kernel Linux Permite Acesso Root e Evasão de Containers" (SCTP, use-after-free). Em 13 de outubro de 2026, "Falha Crítica no Linux vhost Permite Escalada de Privilégios para Root", e em 20 de outubro de 2026, "Falha Crítica em KVM Permite Escape de Máquina Virtual para Host". Não é evolução do mesmo bug: o CVE-2026-98432 é outro defeito, no TCP. O que se repete é o padrão de use-after-free no kernel e o uso de IA na descoberta, agora com exploit remoto.
Por que isso importa
Para quem opera servidores Linux, a leitura prática é que o CVSS isolado não decide a prioridade aqui. A distância entre 9.8 e 5.9 vem da dificuldade de ganhar a corrida, mas a Anthropic relata que uma tentativa perdida não derruba o sistema, o que permite repetir. Vale inventariar serviços com MPTCP (inclusive programas Go), acompanhar os avisos de Ubuntu e RHEL e instalar o kernel corrigido onde ele já existir. Sem mitigação confirmada, a atualização é o único caminho sustentado pela fonte.
Linha do tempo
CEVIU noticia dia zero no net/sched do kernel Linux (CVE-2026-53264), descoberto com auxílio de IA.
CEVIU noticia o SCTPhantom (CVE-2026-64564), use-after-free de 18 anos no kernel Linux.
CEVIU noticia a falha Vghost no vhost do Linux (CVE-2026-74580).
CEVIU noticia o PwnEscape, escape de VM para host via KVM.
Falha no TCP do kernel (CVE-2026-98432, CVSS 9.8) atinge Ubuntu, RHEL e outras distribuições.
Perguntas frequentes
Quais distribuições já têm correção para a CVE-2026-98432?
Segundo a fonte, Debian, Oracle Linux, SUSE e Amazon Linux já lançaram pacotes corrigidos, ao menos para alguns kernels. Ubuntu e RHEL ainda não tinham kernel corrigido e não informam data. A Red Hat passou a listar RHEL 8, 9 e 10 e OpenShift 4 como Affected em 30 de outubro de 2026.
Por que a nota CVSS varia entre 5.9 e 9.8?
A equipe de CVE do kernel deu 9.8 e classificou a complexidade do ataque como baixa. Red Hat, Oracle e SUSE consideram a complexidade alta, porque a race condition é difícil de vencer, e chegam a 8.1. A página de CVE da Red Hat mostrava 5.9, e a Amazon pontua 7.0.
A falha está sendo explorada em ataques reais?
Até 29 de outubro de 2026, nem os avisos dos fabricantes, nem o registro do CVE, nem o post da Anthropic relatavam ataques. A falha também não constava numa cópia do catálogo KEV da CISA atualizada em 28 de outubro de 2026. A Anthropic demonstrou um exploit funcional em teste próprio.
Desativar o MPTCP resolve o problema?
Não há confirmação disso. A equipe de segurança do Go chama a desativação de mitigação frágil, pois um único listener MPTCP exposto mantém o risco. Ela também diz que o bug não é específico do MPTCP e recomenda atualizar para um kernel corrigido.
Fontes
- thehackernews.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 30 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

