Desinformação não afasta jovens britânicos das redes sociais
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O TouchPoints é um projeto de pesquisa longitudinal do Institute of Practitioners in Advertising (IPA), não um produto de software ou ferramenta técnica. Desde 2006, ele coleta dados comportamentais de adultos britânicos (16+) em blocos de meia hora, mais de 33 milhões já registrados, mapeando mídia consumida, dispositivos usados, contexto emocional e rotina diária. É o único banco que cruza mídia com estado subjetivo: por exemplo, saber se alguém assiste a um vídeo no Instagram enquanto toma café pela manhã ou durante pausa no trabalho. Sua amostra de 6.256 pessoas em 2026 é representativa, mas tem limitações: só cobre o Reino Unido, não inclui menores de 16 anos e depende de auto-relato, não de rastreamento técnico direto.
O dado central da edição 2026 não é novo em si, preocupação com desinformação já aparecia em edições anteriores , , mas ganha peso por coincidir com a consolidação das redes como fonte principal de notícias (como já mostrado pelo CEVIU em 2026-06-18). A contradição jovem: 79% dos 16, 34 anos se dizem preocupados com fake news, mas passam 2h31/dia lá, e 88,9% estão lá toda semana. Isso não é apatia. É uma escolha estratégica: eles usam as plataformas para seguir fontes pessoais confiáveis, checar rumores com amigos e filtrar informação via rede, não via algoritmo.
O que mudou
Na edição 2025 do TouchPoints, redes sociais ainda competiam com TV e sites jornalísticos como fonte de notícia. Em 2026, elas assumiram posição dominante, não só como canal, mas como estrutura de verificação social. O dado de 'alcance semanal de 88,9% entre jovens' é 4,2 pontos percentuais acima do registrado em 2025 (84,7%), segundo comparação interna do IPA citada em briefing pós-lançamento. Também houve mudança na hierarquia de plataformas: TikTok subiu do 4º para o 2º lugar entre as mais usadas por jovens, atrás apenas do Instagram, um salto ligado ao aumento de uso de vídeos curtos para acompanhamento de eventos ao vivo e fact-checking colaborativo.
Por que isso importa
Para marcas, isso significa que confiança não se constrói com anúncios isolados, mas com presença consistente em contextos onde os jovens já validam informações: stories com fontes citadas, respostas públicas a dúvidas, parcerias com criadores que demonstram metodologia (não só opinião). O consumo não caiu, mudou de modo: o scrolling está em declínio (CEVIU, 2026-05-05), mas o tempo de engajamento profundo (salvar, compartilhar, comentar com intenção) aumentou 17% entre 16, 24 anos. Quem investe só em alcance, perde. Quem investe em credibilidade contextual, ganha espaço na rotina, não só na tela.
Linha do tempo
Lançamento inaugural do projeto TouchPoints pelo IPA
CEVIU publica análise sobre declínio do scrolling nas redes sociais
CEVIU reporta que redes sociais superaram TV como principal fonte diária de notícias
IPA lança edição 2026 do TouchPoints com dados sobre desinformação e uso contínuo por jovens
Perguntas frequentes
O TouchPoints é uma ferramenta que empresas podem usar diretamente?
Não. É um banco de dados fechado, gerido pelo IPA, acessível apenas a membros institucionais, agências e pesquisadores credenciados. Empresas precisam comprar relatórios setoriais ou contratar consultorias especializadas para interpretar os dados.
Por que jovens continuam nas redes se desconfiam tanto de fake news?
Eles não confiam nas plataformas, mas sim nas redes pessoais que constroem nelas. Usam grupos privados, mensagens diretas e interações com criadores conhecidos para validar informação, uma espécie de 'fact-checking social', não algorítmico. É menos sobre acreditar no feed e mais sobre controlar o fluxo.
Esse dado sobre 2h31/dia inclui uso profissional ou só pessoal?
Inclui ambos. O TouchPoints registra todo uso em bloco de meia hora, independentemente da intenção. Mas a edição 2026 mostra que 62% desse tempo entre jovens ocorre fora do horário de trabalho, principalmente entre 18h e 23h, com foco em entretenimento e conexão social.
Como esse dado afeta campanhas de influenciadores?
Mostra que o critério-chave deixou de ser alcance e passou a ser sinal de credibilidade: número de saves, tempo médio de visualização de vídeos longos (acima de 2 minutos), e volume de perguntas respondidas nos comentários. Finfluencers com baixa qualidade de conteúdo (CEVIU, 2026-05-21) ainda geram tráfego, mas não conversão, e prejudicam a percepção da marca associada.
Fontes
- ipa.co.ukfonte original
- Categoria
- CEVIU Marketing
- Publicado
- 03 de julho de 2026
- Editoria
- CEVIU Marketing

