Anthropic busca parceria com Samsung para desenvolver chips de IA sob medida
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A Anthropic não está só buscando um chip novo. Está montando uma estratégia de hardware em três frentes: parcerias de longo prazo com Google e Broadcom (3,5 gigawatts de TPUs a partir de 2027), negociações com Microsoft para uso dos chips Maia, e agora um projeto interno de silício próprio com a Samsung, liderado por Clive Chan, ex-engenheiro da equipe de chips da OpenAI. O foco técnico é claro: o processo SF2P de 2 nanômetros da Samsung, voltado para data centers de alto desempenho, e tecnologias avançadas de empacotamento de semicondutores. Isso não é só sobre custo ou escassez. É sobre controle de latência, eficiência térmica e otimização específica para os modelos Claude, especialmente nas cargas de inferência contínua em aplicações corporativas.
O timing não é acidental. A rodada Série H de US$ 65 bilhões, que elevou a avaliação da Anthropic a US$ 965 bilhões em maio de 2026, forneceu o capital necessário para esse salto. E a Samsung entrou como parceira estratégica nessa rodada, não como investidora passiva, mas como fornecedora de infraestrutura crítica. Enquanto a OpenAI já revelou seu Jalapeño com economia de 50% em custos de computação, a Anthropic ainda não definiu uso, potência ou integração física do chip. Mas o fato de ter contratado o líder técnico da rival mostra que o objetivo é operacional, não apenas simbólico.
O que mudou
Em abril de 2026, a CEVIU noticiou que a Anthropic 'estava se preparando' para desenvolver chips próprios, mas era só especulação baseada em rumores de escassez. Em maio, o foco mudou para a expansão massiva de capacidade com Google e Broadcom. Agora, em julho, a conversa virou parceria ativa com a Samsung, com engenheiro-chave recrutado, processo de fabricação definido (SF2P/2nm) e alinhamento estratégico confirmado pela participação da Samsung na rodada de financiamento. O que era intenção vira execução estruturada, ainda em fase inicial, mas com time, tecnologia e capital alinhados.
Por que isso importa
Isso muda o equilíbrio de poder no ecossistema de IA. Enquanto Nvidia domina o mercado de GPUs, empresas como Anthropic, Meta e OpenAI estão construindo camadas de hardware próprio que reduzem sua dependência operacional e financeira. Para o Brasil, isso significa que serviços de IA empresarial baseados em Claude podem ficar mais baratos, mais rápidos e menos suscetíveis a restrições de exportação de chips norte-americanos. Também pressiona provedores locais de nuvem: se a Anthropic começa a oferecer infraestrutura própria via parceria com Samsung, a competição por contratos corporativos vai além de preço, passa por compatibilidade de silício, latência de rede e suporte a modelos específicos.
Linha do tempo
Meta anuncia desenvolvimento de quatro chips próprios para reduzir dependência de fornecedores externos
Anthropic firma acordo com Google e Broadcom para 3,5 gigawatts de TPUs de próxima geração, entrada prevista para 2027
Anthropic inicia negociações com Microsoft para uso dos chips Maia, diante de gargalos de compute
Anthropic inicia conversas técnicas com a Samsung para desenvolvimento de chip personalizado em processo de 2 nanômetros
Perguntas frequentes
Por que a Anthropic escolheu a Samsung e não outra fabricante, como TSMC?
A Samsung tem duas vantagens: já é parceira estratégica na rodada de financiamento de US$ 65 bilhões e possui o processo SF2P de 2 nanômetros, voltado especificamente para data centers de IA, algo que a TSMC ainda não oferece em escala comercial. Além disso, a Samsung já produz chips para a Tesla e discute com o Google a fabricação do Icefish, o que prova sua capacidade em workload pesado de IA.
O chip da Anthropic vai substituir as GPUs da Nvidia?
Não. A Anthropic reafirmou que chips da Nvidia, Google e Amazon continuam centrais em sua estratégia. O novo silício será complementar, provavelmente focado em inferência otimizada para Claude em ambientes corporativos, não em treinamento de modelos do zero. É uma camada especializada, não uma substituição geral.
Qual o risco desse movimento para a Anthropic?
Desenvolver silício próprio leva anos e custa bilhões. Se o chip atrasar ou não entregar ganhos reais de eficiência, a Anthropic pode ficar presa entre a dependência de fornecedores e o custo fixo de um projeto falido. Há também risco de fragmentação: manter múltiplas arquiteturas (TPUs, GPUs, Maia, chip próprio) exige equipes de engenharia de hardware muito maiores.
Esse chip vai estar disponível para clientes da Anthropic ou só para uso interno?
Tudo indica que será usado internamente, pelo menos inicialmente. A Anthropic não mencionou licenciamento ou venda externa. O foco declarado é reduzir custos operacionais e aumentar controle sobre a infraestrutura que sustenta o Claude API, não virar fabricante de chips.
Fontes
- techcrunch.comfonte original
- Categoria
- CEVIU IA
- Publicado
- 03 de julho de 2026
- Editoria
- CEVIU IA

