NASA reformula a Artemis em torno da propulsão limitada da Orion, com a Starship levando a cápsula rumo à Lua
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A NASA detalhou em entrevista coletiva como pretende levar astronautas à superfície lunar já em 2028. A Artemis III segue prevista para o verão de 2027 e será uma demonstração perto da Terra, com acoplagem à Blue Moon e à Starship. A Artemis IV, com o pouso de fato, continua mirando 2028.
O ponto técnico central é a limitação de delta-V da Orion. Com o Módulo de Serviço de baixo desempenho, a cápsula não consegue sair da Terra, chegar à órbita lunar baixa e voltar para o pouso no Pacífico. Para a Starship, o plano agora prevê abastecer o módulo em órbita baixa da Terra e acoplar com a Orion em órbita terrestre alta. Dois dos quatro astronautas passam para a Starship para descer. A NASA não cravou o número de lançamentos de reabastecimento. Um painel de segurança falou em cerca de 22, Elon Musk disse que serão de seis a oito, e Jared Isaacman chamou esse valor de "estado final potencial" da Starship.
No lado da Blue Origin, a arquitetura usa quatro lançamentos da New Glenn, sem reabastecimento entre naves. Três estágios de transferência, derivados da Blue Moon Mark 1, empurram o conjunto com a Mark 2 até a Lua. O gráfico da NASA mostrou acoplagem em órbita lunar elíptica, a cerca de 8.500 km da superfície, mas a agência quer a opção de encontro em órbita lunar baixa, a algumas centenas de km. Isso reduz o propelente da Blue Moon na descida e na subida. Para levar a Orion até lá, a NASA trabalha com a United Launch Alliance numa versão estendida do estágio superior Centaur V, combinada ao estágio principal do SLS.
O que mudou
Em 11 de março de 2026, o CEVIU noticiou, em "Módulo Lunar Starship da SpaceX Provavelmente Enfrentará Mais Atrasos, Diz Relatório", que a NASA havia movido o prazo do pouso de junho de 2027 para 2028. O cronograma agora confirmado mantém 2028 para a Artemis IV. Em 27 de março de 2026, o texto "Plano da NASA para converter a Gateway em uma missão nuclear para Marte" registrou a pausa da estação lunar. Agora o cancelamento da Gateway aparece como o que tirou da SpaceX a exigência de acoplar na órbita de halo quase retilínea. Em 10 de junho de 2026, "A próxima missão lunar da NASA e seus pontos críticos de falha" já descrevia a Artemis 3 com Blue Moon e Starship, e o desenho de outubro de 2026 a define como teste em órbita da Terra.
Por que isso importa
Para quem acompanha propulsão e arquitetura de missão, a leitura é que a NASA decidiu corrigir a Orion em vez de empurrar todo o ônus para os módulos de pouso. Isso alivia a margem de propelente da Blue Moon e tira uma exigência energética da Starship. A incógnita do reabastecimento, porém, segue aberta e é o que mais pesa sobre o prazo de 2028.
Linha do tempo
CEVIU noticia que a NASA moveu o pouso lunar de junho de 2027 para 2028.
SpaceX adia planos para Marte e prioriza a missão lunar da NASA.
NASA pausa a Gateway para focar em base lunar de superfície.
Módulo Endurance, da Blue Origin, conclui testes em câmara de vácuo da NASA.
NASA anuncia a tripulação da Artemis 3, com Blue Moon e Starship.
NASA reformula a Artemis: Artemis III vira teste em órbita da Terra e a Artemis IV mira o pouso em 2028.
Perguntas frequentes
O que a Artemis III vai fazer agora?
Será um teste em órbita da Terra de cerca de duas semanas, previsto para o verão de 2027. A Orion acopla com versões de teste da Blue Moon e da Starship. Os resultados vão orientar a escolha do módulo de pouso da Artemis IV.
Por que a Orion tem problema de propulsão?
Seu Módulo de Serviço tem baixo desempenho e não entrega delta-V suficiente para partir da Terra, chegar à órbita lunar baixa e voltar para o pouso no Pacífico. A NASA contornou isso com a Gateway, em órbita de halo quase retilínea, e empurrou o esforço para os módulos de pouso.
Quantos lançamentos de reabastecimento a Starship precisa?
Não há número fechado. Um painel de segurança da NASA citou cerca de 22, Musk falou em seis a oito, e a NASA não cravou valor. As incertezas são a capacidade de carga da Starship, a evaporação de metano e oxigênio líquidos e a eficiência da transferência.
O que muda para a Blue Origin?
A arquitetura prevê quatro lançamentos da New Glenn e nenhum reabastecimento entre naves. A NASA também quer permitir o encontro com a Orion em órbita lunar baixa, o que reduz o propelente necessário para descer e subir. Para isso, desenvolve com a ULA uma versão estendida do Centaur V.
Fontes
- arstechnica.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Hardware
- Publicado
- 26 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Hardware

