Avanço na refrigeração líquida permite operar servidores de IA a 45 graus Celsius
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Aprofundamento
A NVIDIA está avançando com a plataforma Vera Rubin, prevista para o segundo semestre de 2026, como a primeira infraestrutura de IA totalmente resfriada a líquido, operando com refrigerante a até 45 °C. Esse limite supera o da geração anterior Blackwell (40 °C) e representa um salto crítico: ao elevar a temperatura de entrada do líquido, reduz-se drasticamente a necessidade de chillers mecânicos e torres de resfriamento. A tecnologia é parte do referencial DSX AI Factory, que elimina consumo de água em quase 100% do ano, usando apenas dry coolers em clima favorável. A refrigeração direta ao chip (D2C), já validada com GPUs H100, mostra 82% menos resistência térmica que o ar, e soluções como o NeuCool® IR150 da Accelsius (lançado na GTC 2026) já suportam 150 kW por rack com compatibilidade ASHRAE W45.
Essa mudança não é só técnica: é estrutural. Data centers tradicionais gastam até 40% da energia total no resfriamento. Com líquido a 45 °C, o PUE cai para 1.05, 1.2, bem abaixo da média global de 1.56 em 2024 e dentro da exigência da UE (PUE < 1.3 até 2030). Grandes players já adotam: CoreWeave será um dos primeiros a implantar Vera Rubin; Google padroniza D2C em data centers modulares; AWS atingiu PUE de 1.15 em 2024 com solução própria. O mercado global de refrigeração líquida deve crescer de US$ 2,8 bi (2024) para US$ 13,05 bi até 2032, com CAGR de 21,21%.
Por que isso importa
Operar a 45 °C não é só sobre economia: é sobre viabilidade em escala. Servidores de treinamento de IA agora exigem 100, 200 kW por rack, muito além do limite prático do ar (≈50 kW). A água transporta calor 25× mais eficientemente que o ar, permitindo densidade de computação sustentável. Além disso, o calor residual sai a 55 °C (entrada a 45 °C), abrindo portas para reutilização, aquecimento de edifícios, processos industriais ou até dessalinização. E, ao eliminar torres evaporativas, evita-se o uso de 2,6 milhões de galões de água por MW/ano, um fator decisivo em regiões com escassez hídrica. Isso transforma o data center de custo operacional em ativo energético.
Impacto para desenvolvedores
Para desenvolvedores e engenheiros de infraestrutura, isso muda o stack físico: não há mais hot/cold aisles, ventilação forçada ou ruído acima de 85 dB. O foco desloca-se para integração de cold plates, compatibilidade com fluidos (como a mistura 75% água + 25% propilenoglicol usada pela NVIDIA), e projetos de loop fechado com CDUs (Unidades de Distribuição de Líquido Refrigerante). APIs de monitoramento térmico passam a ler temperaturas de entrada/saída do refrigerante, não do ar ambiente. Ferramentas de orquestração como Kubernetes já começam a incorporar métricas de densidade térmica por nó, e frameworks como NVIDIA Data Center GPU Manager (DCGM) passam a expor dados de fluxo e delta-T em tempo real. A transição exige novos testes de estresse: não só carga de CPU/GPU, mas também simulação de variação de temperatura do líquido entre 35 °C e 45 °C.
Perguntas frequentes
O que é a plataforma Vera Rubin da NVIDIA e quando será lançada?
A Vera Rubin é a próxima geração de infraestrutura de IA da NVIDIA, projetada para ser 100% resfriada a líquido com temperatura de refrigerante de até 45 °C. É esperada para o segundo semestre de 2026, conforme anunciado na CES 2026. Ainda não há data de lançamento fixa nem disponibilidade pública confirmada, apenas previsão baseada em roadmap oficial e anúncios em eventos como a GTC 2026.
Por que 45 graus Celsius é importante na refrigeração líquida de servidores de IA?
45 °C é o limite máximo de temperatura de entrada do refrigerante que permite operar sem chillers mecânicos na maior parte do ano, especialmente em climas ameno-frios. Isso reduz consumo de energia, elimina quase todo o uso de água e melhora o PUE. A temperatura não afeta o desempenho porque os cold plates mantêm os chips dentro dos limites térmicos validados, o líquido entra a 45 °C e sai a cerca de 55 °C após absorver o calor.
Qual é a diferença entre refrigeração líquida D2C e resfriamento a ar em servidores de IA?
O resfriamento direto ao chip (D2C) leva o refrigerante diretamente à superfície dos processadores, com 82% menos resistência térmica que o ar. Enquanto o ar é viável até ~50 kW por rack, o D2C suporta 100, 200 kW, essencial para treinamento de modelos grandes. A condutividade térmica da água é 25 vezes maior que a do ar, o que torna o D2C não só mais eficiente, mas também silencioso e com menor pegada física no data center.
Quais empresas já estão usando refrigeração líquida a 45 graus Celsius?
Nenhuma empresa opera publicamente com infraestrutura comercial a 45 °C ainda, essa temperatura é uma especificação da plataforma Vera Rubin, ainda não lançada. Porém, CoreWeave anunciou que será uma das primeiras a implantá-la. Já a Accelsius, na GTC 2026, apresentou o NeuCool® IR150, sistema compatível com ASHRAE W45 e preparado para Vera Rubin. Google e AWS usam D2C, mas com temperaturas de entrada típicas entre 35 °C e 40 °C atualmente.
Fontes
- blogs.nvidia.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Hardware
- Publicado
- 22 de junho de 2026
- Editoria
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