Com IA, construir ficou fácil; difícil é decidir o que tirar do produto
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O texto parte de uma experiência na Livesport, empresa por trás do Flashscore, plataforma esportiva de placares ao vivo e estatísticas. Um pedido para melhorar o acompanhamento de pontos individuais no tênis foi construído com desenvolvimento assistido por IA. O autor conta que, pela primeira vez, o time gastou mais tempo discutindo o que construir do que construindo. Agentes de IA responderam a comentários no YouTrack, geraram um link de teste e chegaram a questionar uma revisão proposta. Quem conversava com eles era o assistente Claude do autor, não ele diretamente.
A tese: o gargalo não some, ele muda de lugar. Construir ficou rápido, mas testar, medir e decidir o que fica continua limitado. O autor aponta três frentes. Primeiro, medição: lançar muita coisa ao mesmo tempo impede saber o que funcionou, e poucos times têm tráfego como o do Booking.com, que segundo o texto roda mais de mil experimentos simultâneos. Segundo, coerência: funcionalidades antigas, configurações esquecidas e comportamentos desiguais se acumulam. Terceiro, critérios combinados antes: definir o que é sucesso, como medir e que resultado justifica mudar ou remover, e agir de fato quando a meta não é batida.
O que mudou
O tema não é novo na cobertura do CEVIU. Em 14 de abril de 2026, a matéria "Vômito de Funcionalidades: A IA e o Desafio de Manter o Foco no Produto" já apontava que a IA facilita construir muito e dificulta manter o foco. Em 1 de maio de 2026, "Um novo desafio para Product Managers de software" falava em decidir o que não construir. Em 13 de maio de 2026, "Customer development tem um problema com IA" tratava da disciplina de parar trabalhos sem resultado. Em 12 de junho de 2026, "A IA não facilita o seu trabalho" dizia que a IA leva as equipes mais cedo às partes difíceis. Em 29 de junho de 2026, "Menos é mais, mais ou menos" lembrava que mais entregas não significam produtos melhores. O que a matéria de hoje acrescenta é um caso prático da Livesport e o foco explícito em remover funcionalidades, medição com tráfego limitado e coerência do produto.
Por que isso importa
Leitura editorial: para quem gerencia produto, a restrição de engenharia deixava de filtrar ideias por você. Agora esse filtro precisa ser deliberado. Na prática, isso sugere escolher quais experimentos merecem a audiência disponível, fixar critérios de remoção antes do lançamento e tratar a coerência da experiência como responsabilidade de alguém. Em times com pouco tráfego, o ganho pode estar mais em prototipar e validar cedo do que em lançar mais.
Linha do tempo
CEVIU noticia que programar ficou mais fácil, mas vencer com produtos de IA não.
CEVIU publica "Vômito de Funcionalidades" sobre foco de produto com IA.
CEVIU aborda o desafio de decidir o que não construir.
CEVIU discute customer development e a disciplina de parar trabalhos com IA.
CEVIU publica "A IA não facilita o seu trabalho".
CEVIU publica "Menos é mais, mais ou menos".
Artigo com experiência da Livesport mostra que decidir o que tirar do produto é o novo desafio.
Perguntas frequentes
Por que a IA torna mais difícil remover funcionalidades?
Porque construir fica barato e rápido, mas a capacidade de medir e entender o impacto não cresce no mesmo ritmo. Segundo o texto, times também tendem a defender o que já investiram tempo para fazer. Sem critérios definidos de antemão, é fácil interpretar os dados para manter a funcionalidade.
O que significa dizer que a medição virou o novo gargalo?
Significa que lançar muitas mudanças ao mesmo tempo dificulta saber quais melhoram o produto. Cada experimento precisa de participantes suficientes para dar resultado confiável. O autor cita o Booking.com, com enorme base de usuários, como exceção que a maioria dos times não tem.
O que um time com poucos usuários pode fazer?
O autor sugere usar a velocidade da IA mais cedo no processo. Em vez de lançar tudo para ver o que acontece, o time pode construir vários protótipos funcionais, comparar abordagens e coletar feedback antes de decidir o que merece um lançamento completo.
Como a Livesport mantém coerência no produto com IA?
O time de DesignOps adaptou o design system no Figma para que ferramentas de IA o usem via integração com o Model Context Protocol (MCP) do Figma. Com isso criou o que chamam de baby Flashscore, uma versão funcional da estrutura do produto onde PMs constroem e testam protótipos dentro do mesmo framework de design do produto real.
Fontes
- medium.productcoalition.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Gestão de Produtos
- Publicado
- 03 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Gestão de Produtos

