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GCash planeja captar US$ 1,5 bilhão no maior IPO da história das Filipinas

GCash planeja captar US$ 1,5 bilhão no maior IPO das Filipinas

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A Mynt vai à bolsa com um IPO que não é só o maior das Filipinas, é um teste de fogo para a maturidade do open finance no Sudeste Asiático. Ao listar 13,8% do capital em outubro, ela coloca no radar investidores globais uma fintech que processou 4,75 trilhões de pesos em pagamentos só no primeiro trimestre de 2026, com crescimento anual de 23,2%. Isso não é só escala: é infraestrutura. O GCash já funciona como banco digital sem ser banco, oferece crédito pessoal (com taxa média de juros de 2,5% ao mês), conta salário com integração direta a 150 mil empregadores e até seguro de vida via parceria com a Sun Life. E 92% dos seus usuários estão nas classes D e E, com 78% fora de Manila. Ou seja: esse IPO não é sobre valuation, mas sobre validação de um modelo de inclusão financeira que opera com custo unitário 60% menor que o de bancos tradicionais filipinos.

O timing é estratégico. Enquanto a PayPay (Japão) busca US$ 1,1 bi na Nasdaq com avaliação acima de US$ 10 bi, e a Opay (Nigéria) prepara listagem nos EUA por US$ 4 bi, a Mynt entra na corrida com um diferencial raro: lucro líquido consolidado de 5,6 bilhões de pesos no Q1, 24% acima do mesmo período de 2025, e receita recorrente em ascensão sustentável, não dependente de subsídios ou cashback agressivo. Isso contrasta com a Revolut, que mira US$ 200 bi de valuation sem lucro, ou a Ramp, que aposta em ARR para justificar sua escalada. A Mynt prova que fintechs emergentes podem crescer com disciplina financeira, e ainda assim captar US$ 1,5 bi.

O que mudou

Em março, a CEVIU noticiou a PayPay com avaliação 'acima de US$ 10 bilhões', um número genérico, baseado em rumores de mercado. Agora, a Mynt entrega o valor exato: US$ 10,9 bilhões, calculado a partir do preço máximo de 10 pesos por ação no prospecto oficial da SEC filipina. Também mudou o foco: enquanto a cobertura anterior sobre a Opay destacava apenas '40 milhões de usuários', a Mynt revela dados estruturais reais, como 78% dos usuários fora de Manila e 92% nas classes D/E, mostrando que seu crescimento não é numérico, mas socioeconômico. E, pela primeira vez, uma fintech do Sudeste Asiático detalha uso concreto dos recursos: 14,9 bilhões de pesos irão direto para crédito, reservas de liquidez e desenvolvimento de produtos, não para marketing ou aquisição de clientes.

Por que isso importa

Esse IPO é o primeiro grande teste pós-regulatório do Open Finance nas Filipinas. Desde 2025, o Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) exige que bancos compartilhem dados com fintechs autorizadas via API aberta, e o GCash foi uma das primeiras a integrar 12 instituições financeiras nesse ecossistema. Se der certo, abre caminho para que outras carteiras digitais da região (como a GrabPay ou a Touch 'n Go) sigam o mesmo caminho. Para o Brasil, é um alerta: enquanto o Open Finance nacional ainda luta com adesão de bancos menores, as Filipinas já têm uma fintech listada que usa dados abertos para conceder crédito com análise de fluxo de caixa em tempo real, sem burocracia de comprovante de renda. É um benchmark prático, não teórico.

Linha do tempo

  1. PayPay anuncia intenção de IPO na Nasdaq com avaliação acima de US$ 10 bilhões

  2. Ramp projeta receita anual recorrente (ARR) de US$ 1,4 bilhão antes de IPO potencial

  3. Revolut almeja valuation entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões em IPO futuro

  4. Opay contrata bancos para IPO nos EUA com avaliação projetada de US$ 4 bilhões

  5. Airwallex alcança valuation de US$ 12 bilhões após expansão de receita recorrente

  6. Mynt protocola IPO nas Filipinas com captação de US$ 1,5 bilhão e valuation de US$ 10,9 bilhões

Perguntas frequentes

Por que o IPO da Mynt é considerado histórico nas Filipinas?

Porque vai captar US$ 1,5 bilhão, superando o recorde anterior da Monde Nissin (US$ 1 bilhão em 2021), e avaliar a empresa em US$ 10,9 bilhões, mais que o maior banco do país, o BDO Unibank. É também o primeiro IPO de uma fintech regulada pelo BSP com modelo baseado em open finance.

Como o GCash se diferencia de outras carteiras digitais que buscam IPO em 2026?

Enquanto PayPay (Japão) e Opay (Nigéria) apostam em escala de usuários, a Mynt demonstra lucratividade real: lucro líquido de 5,6 bilhões de pesos no primeiro trimestre de 2026. Além disso, 92% de seus usuários são de baixa renda e 78% vivem fora de Manila, um caso concreto de inclusão financeira operacional, não apenas declarativa.

Quais são os principais acionistas da Mynt e como eles se beneficiam do IPO?

Globe Telecom, Ayala Corp. e MUFG Bank são acionistas majoritários. Do total captado (US$ 1,5 bi), apenas 30% vão para a Mynt; o restante é destinado a acionistas que vendem ações, incluindo Ant Financial, Warburg Pincus e LGVP Capital Partners. Isso reduz diluição para os controladores e valida o valor de mercado da operação.

Qual é o papel do GCash no ecossistema de open finance das Filipinas?

O GCash é uma das primeiras fintechs autorizadas pelo Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) a acessar dados bancários via API aberta desde 2025. Já integra 12 instituições financeiras, permitindo análise de crédito em tempo real com base em fluxo de caixa, não em documentos formais, o que impulsiona seu crescimento em crédito pessoal e salário digital.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
03 de julho de 2026
Editoria
CEVIU Fintech

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