Interchecks capta US$ 50 milhões para acelerar pagamentos A2A no Brasil e nos EUA
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A Interchecks não está só captando US$ 50 milhões, está fechando um ciclo de sete anos de crescimento contínuo de receita líquida em três dígitos e lucratividade sustentável desde 2023. Com o financiamento total agora em US$ 68 milhões (incluindo os US$ 2 milhões da EML em 2020 e US$ 16 milhões na Série B de 2022), a fintech passa de player de infraestrutura para operador crítico de fluxo de caixa entre empresas. O lançamento imediato da solução Account Funding Transactions (AFT) é o verdadeiro diferencial: ela permite que neobancos, neocorretoras e carteiras de cripto financiem contas em tempo real usando débito direto, não só saquem. Tudo via uma única API RESTful, com verificação de conta, detecção de cartão duplicado e limites de velocidade embutidos.
Isso não é apenas mais um produto. É a resposta técnica ao gargalo do open finance: mover dinheiro *para dentro* de contas digitais com a mesma velocidade e segurança com que se move *para fora*. A parceria com a Mastercard, anunciada em dezembro de 2025, já está sendo ativada nesse novo modelo, especialmente em pagamentos recorrentes de assinaturas e seguros, onde falhas de cobrança custam até 30% de churn em setores como edtech e healthtech.
O que mudou
Em abril de 2026, a CEVIU destacou a OpenFX e a Linx Security, ambas com rodadas de US$ 94 mi e US$ 50 mi, como sinais de maturação do ecossistema de infraestrutura financeira. Mas a Interchecks agora mostra a evolução prática dessa maturação: não só capta o mesmo valor da Linx Security, mas já opera com lucro há três anos e lança um produto comercializado (AFT) no mesmo dia do anúncio da rodada. Enquanto a Payabli crescia com infraestrutura embarcada para comerciantes, a Interchecks migra para o core banking institucional, financiando contas de corretoras e exchanges. É a diferença entre fornecer ferramentas e operar o trilho por onde o dinheiro corre.
Por que isso importa
O Brasil tem 12 milhões de MEIs e 4,2 milhões de empresas formais que ainda dependem de boletos ou TEDs para receber clientes, métodos lentos e caros. A Interchecks oferece uma alternativa bancária nativa, regulada e escalável para que essas empresas integrem pagamento instantâneo *e* recebimento automático em seus sistemas, sem depender de contas-corrente tradicionais. Nos EUA, o cenário é pior: 70% dos pagamentos B2B ainda usam cheques ou ACH de 3 dias. Com a AFT, uma startup pode financiar sua conta na Mercury ou na Brex em segundos, e isso começa a mudar a forma como o capital de giro é gerido no dia a dia das PMEs. Não é sobre tecnologia bonita. É sobre reduzir o ciclo de conversão de vendas em caixa de 5 dias para menos de 1 minuto.
Linha do tempo
Interchecks e Mastercard anunciam parceria estratégica para ampliar Pay by Bank com capacidades de open finance
OpenFX capta US$ 94 milhões e Linx Security capta US$ 50 milhões, sinalizando maturação da infraestrutura financeira
Payabli alcança quase 100 mil comerciantes com infraestrutura de pagamentos embarcados
Protocolo Base supera US$ 100 milhões em pagamentos no trimestre, consolidando stablecoin como camada de liquidação
Interchecks captura US$ 50 milhões em Série C e lança Account Funding Transactions (AFT) em disponibilidade geral
Perguntas frequentes
O que é Account Funding Transactions (AFT) e por que é diferente do Pay-by-Bank?
AFT permite que empresas usem débito direto para *depositar* fundos em contas elegíveis em tempo real, como carteiras de cripto ou contas em neobancos. Já o Pay-by-Bank original da Interchecks focava em *saques* e pagamentos pontuais. AFT fecha o ciclo: agora é possível financiar, não só retirar.
Como a Interchecks se diferencia de outras fintechs de infraestrutura como Payabli ou Adyen?
Payabli atende principalmente comerciantes com soluções de checkout e faturamento. Adyen foca em gestão de liquidez para grandes corporações. A Interchecks opera no nível mais profundo: é a camada que conecta bancos, contas digitais e stablecoins para movimentação de caixa entre empresas, com certificação PCI Nível 1 e SOC 2 Tipo 2.
Por que a lucratividade desde 2023 importa nesse momento?
Mostra que o modelo A2A B2B é economicamente viável sem depender de subsídios ou escala massiva. Enquanto muitas fintechs ainda buscam break-even, a Interchecks já reinveste lucro operacional em produtos como a AFT, acelerando adoção institucional sem diluir controle acionário.
Qual o papel da parceria com a Mastercard nesse novo estágio?
A Mastercard fornece acesso à rede de open banking global e aos dados de conta validados. Isso permite que a Interchecks ofereça AFT em múltiplos países com compliance pré-aprovado, reduzindo de 12 para 3 meses o tempo de onboarding de novos bancos parceiros no Brasil e nos EUA.
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Fontes
- finextra.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Fintech
- Publicado
- 18 de junho de 2026
- Editoria
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