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Trace Finance, brasileira de infraestrutura para stablecoins, capta US$ 32 mi para expansão global

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A Trace Finance não é só mais uma infraestrutura de stablecoins: é uma ponte regulamentada entre moedas digitais e o sistema financeiro tradicional, com licença de câmbio no Brasil, autorização como Money Services Business (MSB) nos EUA e estrutura em conformidade com a MiCA na Europa. Ela processou mais de US$ 10 bilhões em fluxos transfronteiriços institucionais, atendendo quatro dos maiores provedores globais de pagamentos na América Latina, incluindo a dLocal. O diferencial está na operação híbrida: não apenas converte fiat em stablecoin, mas também liquida, reconcilia e reporta transações sob supervisão bancária local, algo que startups focadas só em blockchain não oferecem.

O Brasil se tornou um hub estratégico nesse ecossistema: reclassificou operações com stablecoins como operações de câmbio em 2025, direcionando volume institucional para players regulados como a Trace. Enquanto isso, a capitalização do mercado global de stablecoins ultrapassou US$ 310 bilhões em 2026, com USDT e USDC respondendo por mais de 80% desse total. A rodada de US$ 32 milhões vem num momento crítico: a MiCA entra em vigor na UE em 1º de julho de 2026, exigindo autorização plena para emissores, e os EUA avançam com propostas de lei para regular stablecoins como títulos. Quem tem infraestrutura bancária + tecnologia nativa de stablecoin ganha vantagem competitiva imediata.

O que mudou

Em fevereiro de 2022, a Trace levantou US$ 4,3 milhões na rodada semente. Agora, em junho de 2026, a Série A de US$ 32 milhões representa um salto de ~10x na avaliação, e, mais importante, uma mudança de escala operacional: de fornecedora regional de liquidação para player regulado em três jurisdições-chave (Brasil, EUA, Ásia-Pacífico). Enquanto a cobertura anterior da CEVIU sobre a The Better Money Company (abr/2026) tratava de câmara de compensação *interchain*, e a OpenFX (abr/2026) apostava em liquidação cripto-tradicional, a Trace já opera essa integração no dia a dia, com volume real de US$ 10 bi processado e equipe triplicada desde o início do ano.

Por que isso importa

Stablecoins deixaram de ser experimentos técnicos e viraram instrumentos de pagamento transfronteiriço com peso econômico. Mas sem infraestrutura regulada, elas não entram no sistema bancário real, nem são aceitas por grandes corporações ou bancos centrais. A Trace Finance resolve exatamente esse gargalo: permite que empresas usem USDC ou USDT para pagar fornecedores na Colômbia, receber clientes na Indonésia ou liquidar contratos em tempo real, tudo dentro de controles de KYC, FX e compliance locais. Isso reduz custos de até 70% frente a SWIFT e acelera liquidações de dias para segundos. Para o Brasil, significa consolidar posição como exportador de infraestrutura financeira digital, não só de fintechs de consumo, mas de pilares sistêmicos para o open finance global.

Linha do tempo

  1. Trace Finance levanta US$ 4,3 milhões na rodada semente

  2. Banco Central do Brasil reclassifica operações com stablecoins como operações de câmbio

  3. The Better Money Company levanta US$ 10 milhões para câmara de compensação interchain de stablecoins

  4. OpenFX capta US$ 94 milhões para liquidação híbrida de pagamentos internacionais com stablecoins

  5. Flex lança banking para stablecoins com volume anualizado de US$ 9,1 bilhões

  6. Trace Finance capta US$ 32 milhões em Série A para expansão regulada na América Latina, EUA e Ásia-Pacífico

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre a Trace Finance e uma exchange de stablecoins?

A Trace não negocia ativos. Ela fornece infraestrutura bancária regulada para conversão, liquidação e reconciliação de stablecoins em pagamentos reais, com licenças de câmbio, MSB e conformidade com MiCA. Exchange é lugar onde se compra e vende; a Trace é o trilho por onde o dinheiro corre entre bancos, emissores e empresas.

Por que investidores como Paxos e Coinbase Ventures entraram nessa rodada?

Paxos emite USDP e atua como custodiante regulado. Coinbase Ventures busca infraestrutura que amplie o uso do USDC. Ambos precisam de parceiros que conectem suas stablecoins ao sistema financeiro tradicional, o que a Trace faz diariamente com bancos e empresas na América Latina e além.

Como a regulação brasileira ajudou a Trace Finance?

Desde 2025, o Banco Central do Brasil classifica operações com stablecoins como operações de câmbio. Isso direcionou volume institucional para players com licença de câmbio, como a Trace, e afastou soluções não reguladas. A empresa já opera sob essa regra há mais de um ano, com histórico comprovado de compliance.

O que explica o salto de US$ 4,3 mi (2022) para US$ 32 mi (2026)?

Não foi só crescimento orgânico. Foi validação de modelo: US$ 10 bi em volume processado, presença em três jurisdições regulatórias, time ampliado de 25 para 48 pessoas e demanda institucional real, não especulativa. O mercado agora paga prêmio por infraestrutura que já entrega, não por promessa técnica.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
18 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Fintech

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