SaaSpocalypse pode não ser tão ruim quanto se pensava, aponta texto do clemsau.com
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O texto do clemsau.com parte de um episódio banal: o autor deixa o computador aberto por dias, e o terminal ghostty chegou a 43 GB de uso de memória numa máquina com 48 GB, com o Zed ocupando outros 16 GB. Se ferramentas maduras, feitas por engenheiros experientes, vazam memória, como uma empresa comum vai substituir todo o seu software escrevendo código por conta própria, como prevê a tese do SaaSpocalypse?
O autor lista cinco razões. Nem todo mundo consegue construir: quem não lê código não sabe se a saída está correta ou segura. Alguém precisa manter, hospedar e proteger: escrever é a parte barata, o custo está em monitoramento, dependências, patches, backups e plantão às 3 da manhã. Muita gente não sabe o que quer: software opinativo traz decisões prontas. Produto maduro é feito de casos de borda acumulados, que uma reescrita joga fora. E ferramentas compartilhadas são padrões compartilhados, com onboarding, integrações e contratação mais simples.
O texto também admite o outro lado. Muitas empresas pagam por produtos grandes e usam um décimo das funções, e um sistema interno pequeno poderia cobrir esse décimo. O ponto de equilíbrio entre construir e comprar se move conforme o desenvolvimento fica mais barato. O autor sugere um modelo com menos plataformas gigantes e mais ferramentas pequenas e descartáveis, com o software profissional concentrado nas partes críticas e compartilhadas.
O que mudou
O argumento conversa com uma discussão que o CEVIU vem acompanhando. Em 20 de fevereiro de 2026, a matéria "A Reinvenção do SaaS: Por que o SaaS está mudando, mas não desaparecendo" apontava que a equação de construir ou comprar tinha se invertido com a queda do custo de criar software. Em 23 de março de 2026, "Realidade ou Exagero?" descrevia empresas trocando assinaturas caras por ferramentas internas. Em 26 de maio de 2026, "O Apocalipse do SaaS É Balela" defendia que plataformas como SAP e Workday seguem protegidas por integrações, lógica de processos e compliance.
O texto de agora fica entre esses polos. Concede que o ponto de equilíbrio se move, como nas primeiras matérias, mas reforça manutenção, casos de borda e padrões compartilhados, argumentos próximos aos de maio. A novidade é o foco no custo de operar e na dificuldade de especificar o que se quer.
Por que isso importa
Para fundadores de SaaS, a leitura é que o código deixou de ser o diferencial e a operação virou o produto: confiabilidade, segurança, manutenção e conhecimento acumulado de casos de borda. Para quem vende para pequenas e médias empresas, vale perguntar qual décimo das funcionalidades o cliente realmente usa, porque é ali que uma ferramenta interna concorre. Para quem compra, a conta de construir deve incluir quem cuida do sistema daqui a dois anos.
Linha do tempo
CEVIU publica "A Reinvenção do SaaS", sobre a inversão da equação de construir ou comprar.
CEVIU publica "Realidade ou Exagero?", sobre empresas trocando SaaS por ferramentas internas com IA.
CEVIU publica "O Apocalipse do SaaS É Balela", sobre SAP e Workday.
Texto do clemsau.com argumenta que o SaaSpocalypse pode ser menos grave, citando manutenção, casos de borda e padrões compartilhados.
Perguntas frequentes
O que é o SaaSpocalypse?
É a tese de que a IA vai baratear tanto a criação de software que empresas passarão a programar suas próprias ferramentas e abandonar assinaturas de SaaS. O texto do clemsau.com questiona o tamanho desse impacto, sem negá-lo por completo.
Por que a IA não elimina a barreira para programar?
Segundo o texto, quem não lê código não sabe dizer se o resultado está correto, seguro ou fazendo o que foi pedido. Dá para ter uma demonstração funcionando, mas, quando quebra de um jeito que o agente não resolve, a pessoa fica travada.
Qual é o custo real de construir o próprio software?
O texto diz que escrever o código é a parte barata. O custo vem depois: hospedagem, monitoramento, atualização de dependências, correção de vulnerabilidades, backups e atendimento quando algo falha de madrugada.
O autor acha que construir internamente nunca vale a pena?
Não. Ele reconhece que muitas empresas usam uma fração das funções do que pagam e que uma ferramenta interna pequena pode servir. À medida que construir fica mais barato, o ponto de equilíbrio entre construir e comprar se desloca.
Fontes
- clemsau.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Empreendedores
- Publicado
- 05 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Empreendedores
