Ey Studio resgata a essência da Alemagna com modernismo pós-guerra
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O rebranding da Alemagna não é uma atualização estética, mas uma operação de arqueologia visual: o Ey Studio mergulhou nos arquivos da marca, desde a confeitaria de 1925 na Piazza del Duomo até os Autogrills dos anos 1950, para extrair uma linguagem que respira o 'Milagre Italiano'. A tipografia geométrica usada não é apenas vintage; foi desenvolvida com base em matrizes de prensa reais da época, com ajustes manuais que preservam a irregularidade do artesanato, algo raro em projetos que invocam o passado só por nostalgia. O azul gelo e o vermelho-alaranjado nas embalagens do panetone não são escolhas cromáticas aleatórias: são referências diretas à paleta das primeiras fábricas milanesas da marca, onde cores fortes funcionavam como sinalização industrial em ambientes de alta produção.
O pictograma da 'A' em forma de vieira, mantido quase intacto, atua como um gatilho mnemônico silencioso, não para impressionar, mas para reconectar. Isso coloca o projeto ao lado de iniciativas como o rebranding da Schweppes pela JKR e a abordagem de escavação cultural do Oneplus, mas com um diferencial: aqui, o passado não é citado, é reocupado. A Alemagna volta ao mercado não como uma relíquia restaurada, mas como uma marca que retoma seu lugar no cotidiano, sem filtros gourmet, sem camadas de ironia, sem tradução para o inglês.
O que mudou
Antes do rebranding, a identidade da Alemagna havia se diluído em versões genéricas pós-aquisição pela Unidal (1976) e em lançamentos pontuais como a T'a Milano (2007), que focava em nichos artesanais. O projeto do Ey Studio é a primeira intervenção sistêmica em mais de 50 anos que trata a marca como um todo, produto, ponto de venda, arquivo e herança familiar, e não como um portfólio de linhas isoladas. Diferente do trabalho da Koto no Norton Museum, que usa a arte como ponto de encontro, ou da Decimal para a CCAI, que constrói identidade a partir de movimentos sociais, o Ey Studio opera diretamente sobre a memória coletiva italiana: não representa o passado, ela o reinseriu no presente com precisão técnica e respeito pelo uso real, o panetone ainda é comprado no supermercado, não na loja de design.
Por que isso importa
Em um mercado saturado de marcas que apostam em minimalismo frio ou em storytelling digital hiperproduzido, o rebranding da Alemagna prova que autenticidade não depende de novidade, mas de coerência entre história, produção e uso. A escolha deliberada de evitar tendências 'gourmet' não é uma postura estética, é uma decisão de experiência do usuário: o consumidor italiano médio não busca um ritual de degustação, mas um momento de reconhecimento afetivo no corredor do supermercado. Isso torna o projeto um caso prático de design centrado no comportamento real, não no desejo do designer. E mostra que acessibilidade visual pode vir de raiz, não de simplificação.
Linha do tempo
Ey Studio lança o rebranding completo da Alemagna, alinhando identidade visual à era do Milagre Italiano
Publicação da CEVIU sobre a filosofia de 'escavação cultural' do estúdio Oneplus
Publicação da CEVIU sobre o rebranding da Schweppes pela JKR, com foco em resgate histórico
Perguntas frequentes
Por que o Ey Studio escolheu o modernismo pós-guerra em vez de outros períodos da história italiana?
Porque o 'Milagre Italiano' foi o momento em que a Alemagna escalou de confeitaria local para marca nacional, com fábrica de 30 fornos e 2.000 funcionários. O modernismo da época unia artesanato, industrialização e identidade popular, o que reflete exatamente o papel que a marca ainda ocupa hoje.
O que é o 'azul gelo' e por que ele voltou agora?
É a cor original usada nas embalagens de panetone desde os anos 1950, retirada dos tons das cerâmicas e azulejos das fábricas milanesas da época. Foi recuperado com precisão cromática, não como reminiscência, mas como código visual funcional, imediatamente reconhecível nas prateleiras.
O pictograma da 'A' com a vieira era usado apenas nos Autogrills?
Sim, aparecia nas placas, uniformes e cardápios dos Autogrills da Alemagna, rede que chegou a ter mais de 100 unidades. Sua reaparição não é uma homenagem, mas uma reativação de um sistema de sinalização já testado com milhões de italianos.
Esse projeto tem relação com a EY global (a consultoria)?
Não. O Ey Studio é um estúdio independente de design sediado em Vicenza, Itália. A confusão ocorre pelo nome similar, mas não há vínculo com a organização EY (Ernst & Young), cuja divisão de design EY Studio+ foi lançada em 2025 e atua em outro segmento.
Fontes
- itsnicethat.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Design
- Publicado
- 02 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Design
