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A fábrica de software esqueceu do design

A fábrica de software esqueceu do design, e um workflow de quatro estações tenta corrigir isso

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

O autor, Atif Azam, saiu da Coinbase há dois anos para construir produtos por conta própria e diz ter lançado quase uma dúzia deles. Parte do que usa hoje veio de produtos que ensinaram o que não fazer. Sua crítica à "software factory" (issue vira agente, agente vira pull request) é que quase toda versão pula o design. Quando ele aparece, é como screenshots de inspiração coladas no ticket. Ou nem aparece, e o agente decide sozinho como a coisa deve parecer, com bastante confiança.

O workflow tem quatro estações. No Linear mora a intenção: toda issue precisa dizer por que está sendo feita e como é o "pronto", seja escrita por ele ou aberta por agentes (um de suporte, um de DevOps). No Paper, tudo que tem lado de design, frontend ou experiência passa antes de ser construído. O agente trabalha no canvas via MCP, olha o que já existe e puxa do design system. O autor revisa, ajusta espaçamento e texto à mão ou deixa comentários para o agente resolver. Como os designs são HTML e CSS reais, nada se perde na ida para o código. Na terceira estação, o coding agent (ele usa mais o Codex, mas serve Claude Code ou outro) constrói a partir da issue e do design. Na quarta, ele revisa o resultado contra a intenção. Se o build diverge do design, nem sempre é bug: às vezes o agente achou algo melhor e o design é atualizado.

O limite é a memória. Agentes recebem contexto do momento, mas não o histórico: por que um fluxo foi testado e retirado, o que o analytics mostrou na última mudança de uma página, as versões anteriores de uma tela e o raciocínio por trás do design system, não só os componentes. Cada sessão começa do zero. O autor diz que ainda não fechou essa lacuna e que ninguém a resolveu bem.

O que mudou

A cobertura anterior do CEVIU aponta a mesma tensão por outros ângulos, mas sem tratar deste workflow. Em 6 de maio de 2026, em "Workflow Lab: Expandindo o Canvas com Figma MCP", o CEVIU noticiou agentes de IA escrevendo frames editáveis direto no canvas via MCP, ideia parecida com a do Paper. Em 16 de junho de 2026, "Design System e IA: por que regras em texto não funcionam, e o que fazer no lugar" já dizia que agentes ignoram diretrizes longas e priorizam código legado. E em 25 de agosto de 2026, "Sistemas de Design: Preparando o Terreno para a IA na Criação de Interfaces" falava de equipes refinando a documentação para que agentes entendam o sistema. A lacuna de memória descrita agora é a continuação desse problema: o agente enxerga os componentes, mas não o porquê deles.

Por que isso importa

Para quem opera design em time pequeno, a leitura é que o designer sai da produção de telas e passa a ser o ponto de decisão e revisão antes do código. Isso só funciona se as decisões ficarem registradas de forma que um agente consiga consultar. Para quem mantém design system, o recado é documentar o motivo das escolhas, não só o catálogo de componentes.

Linha do tempo

  1. CEVIU noticia o Figma MCP permitindo que agentes de IA escrevam frames no canvas.

  2. CEVIU noticia que regras em texto de design system não funcionam com agentes de IA.

  3. CEVIU noticia equipes refinando documentação de design systems para agentes de IA.

  4. Workflow de quatro estações com Linear, Paper, coding agent e review leva o design à fábrica de software.

Perguntas frequentes

Quais são as quatro estações do workflow?

Linear para guardar a intenção, Paper para o design em HTML e CSS feito antes da implementação, um coding agent para construir a partir da issue e do design, e uma etapa de review. Nela o autor confere o que foi construído contra o que pretendia.

Por que o design é feito no Paper antes do código?

É ali que se decidem layout e sensação do produto. Como os designs são HTML e CSS reais, nada se perde na passagem para o código. O agente também trabalha no canvas via MCP e pode consultar o design system.

Qual a principal limitação apontada?

Os agentes não têm o histórico por trás das decisões. Faltam designs anteriores, dados de analytics, o motivo de fluxos descartados e o raciocínio do design system. Cada sessão começa sem isso.

Uma divergência entre build e design é sempre bug?

Não, segundo o autor. Às vezes o agente errou, mas outras vezes encontrou uma solução melhor e o design é atualizado para refletir isso.

Fontes

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Categoria
CEVIU Design
Publicado
29 de outubro de 2026
Editoria
CEVIU Design

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