Um tamanho não serve para todos: o que é "bom design" depende da cultura
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O texto parte de uma provocação simples: clareza, restrição e funcionalidade são tratadas como medidas universais, mas vêm de tradições ocidentais específicas que foram institucionalizadas. Shiva Nallaperumal, do estúdio November, lembra que o Modernismo Suíço serviu bem à reconstrução do pós-guerra, quando faltavam recursos e movimentos como Art Nouveau e Art Deco pareciam excessivos. Era uma resposta a um momento, não uma lei.
Dr Danah Abdulla questiona até a ideia de que "bom design torna o produto compreensível": compreensível para quem? Segundo ela, simplificar demais pode deixar o design menos intuitivo e mais difícil de usar, além de apagar personalidade. Jodi Tang, da 5050Collective, cita Pierre Bourdieu e o livro Distinction (1979) para mostrar que o "bom gosto" costuma ser o de quem tem educação, dinheiro e plataformas para defini-lo. Escolas, livros, mídia e museus ajudaram a fixar o cânone, que é escrito sobretudo em inglês e em poucas línguas europeias. Tradições transmitidas por aprendizado direto ou em outros idiomas ficam fora dos currículos.
Os exemplos mostram a decoração com função real: as portas dos dzongs do Butão, em que cada material e pincelada carrega sentido, e os caixões de fantasia de Gana (abebuu adekai). Há também a revista Kumar, publicação gujarati que rejeitou a grade modernista e fazia sentido no seu contexto. A conclusão de Shiva: não existe design bom ou ruim, só apropriado ou inapropriado. Para Danah, universalidade deve ser revisável, não fixa.
O que mudou
Não há evolução de um mesmo produto ou evento aqui, mas o tema dialoga com a cobertura anterior. Em 15 de outubro de 2026, o CEVIU noticiou "Minimalismo na prática: a armadilha da simplicidade e o desafio da usabilidade", sobre como interfaces limpas podem transferir carga cognitiva ao usuário. Em 28 de setembro de 2026, em "Adeus, design minimalista? O futuro das interfaces pode ser mais ousado e distinto", o debate era a homogeneidade visual. E em 24 de março de 2026, "Projetado para o Ambiente, Não para as Pessoas: Bom gosto no design é o padrão de outra pessoa" já tratava de gosto como padrão alheio. A matéria atual acrescenta a camada cultural e histórica: de onde vêm esses padrões e quem os definiu.
Por que isso importa
Para quem desenha interfaces, a leitura é que "limpo" não é sinônimo de "usável" em todo contexto. Se o produto atende públicos de culturas diferentes, vale testar se a simplicidade que você aplica é compreendida por eles ou só confirma o seu repertório. A pergunta de Jodi, "quem criou a regra e por quê?", funciona como checklist de revisão de design system.
Linha do tempo
CEVIU publica sobre bom gosto no design como padrão de outra pessoa.
CEVIU questiona se o design minimalista de interfaces está perto do fim.
CEVIU discute a armadilha da simplicidade e a carga cognitiva no minimalismo.
Matéria mostra que o conceito de bom design depende da cultura.
Perguntas frequentes
O minimalismo é uma medida universal de bom design?
Segundo as fontes ouvidas, não. Clareza e simplicidade vieram de contextos ocidentais específicos, como o Modernismo Suíço no pós-guerra. Em outras culturas, decoração e complexidade podem cumprir funções reais.
O que significa dizer que bom design é "apropriado"?
Significa avaliar se o projeto cumpre seu propósito dentro do contexto cultural em que nasceu. Shiva Nallaperumal resume: não existe design bom ou ruim, só apropriado ou inapropriado. A intenção vem antes do resultado.
Quem define o que é bom gosto em design?
Jodi Tang, citando Bourdieu, aponta que o bom gosto tende a ser o de quem tem educação, dinheiro e plataformas. Escolas, livros, mídia e museus ajudaram a consolidar o cânone ocidental. Tradições não documentadas nessas línguas ficam de fora.
Design com referências locais funciona fora de sua cultura?
Pode funcionar. O livro Cantik Manis, da Tiny Studio, inspirado nos mercados indonésios, encontrou público em feiras de arte na Coreia do Sul e na China. Segundo a co-fundadora, o design ressoou com a estética kawaii.
Fontes
- blog.readymag.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Design
- Publicado
- 29 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Design

