Cinco palestras do P99 CONF mostram os trade-offs por trás dos designs de bancos de dados
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O resumo do P99 CONF 2026 (realizado em 21 e 22 de outubro) parte da conjectura RUM: read amplification, write amplification e space amplification não melhoram juntas. Melhorar uma costuma piorar outra, conforme workload e configuração. Gavra usa isso para explicar as LSM trees como um ajuste entre dois extremos: o log, que favorece escrita, e o array ordenado, que favorece leitura. Em object storage, o custo cai e a durabilidade sobe, mas cada GET e PUT tem preço e a leitura a frio é lenta: cerca de 150 microssegundos num cache miss em NVMe local contra 20 a 30 milissegundos no S3 Standard.
As outras palestras mostram o mesmo padrão em pontos diferentes. O Logstor, do ScyllaDB, troca RAM e trabalho na escrita por leituras com um único I/O em disco (p99.9 abaixo de 1 ms no teste preliminar, com valores de 2 KB, sem comparação direta com os exemplos de LSM). No Valkey, o gargalo era a thread principal, e o ganho veio de filas lockless que mantêm as I/O threads ocupadas (de cerca de 150 mil para 1,2 milhão de requisições por segundo, nesse workload). A turbopuffer usa quantização binária RaBitQ em 100 bilhões de vetores, mas passa a ficar limitada por CPU. A TigerBeetle escreveu seu próprio cliente de object storage em Zig para não travar o processamento de transações em um único core. Todos os números são específicos de cada teste.
O que mudou
A cobertura anterior do CEVIU trata de temas próximos, não de uma evolução do mesmo evento. Em 27 de julho de 2026, o CEVIU noticiou "Otimização da Busca Vetorial: Índices ANN On-Disk vs. In-Memory", sobre o custo de índices na faixa de 100 milhões a bilhões de itens com HNSW em RAM. A palestra da turbopuffer, agora, mostra uma resposta concreta a essa escala: dados em SSD, quantização e reranking. Em 31 de julho de 2026, o texto "Um Dilema de Custos Latentes em Bancos de Dados" já apontava a amplificação de escrita no MVCC do PostgreSQL, a mesma família de custo discutida aqui.
Por que isso importa
Para quem desenha pipelines e armazenamento, a leitura é que não existe otimização gratuita. Antes de adotar object storage, um engine de leitura ou um índice quantizado, vale perguntar qual custo muda de lugar: RAM, CPU, latência a frio ou complexidade operacional. Benchmarks de palestra servem como direção, não como garantia para o seu workload.
Linha do tempo
CEVIU noticia o debate sobre índices ANN on-disk versus in-memory para busca vetorial em larga escala.
CEVIU noticia os custos latentes do MVCC do PostgreSQL, incluindo amplificação de escrita.
Resumo do P99 CONF 2026 reúne cinco palestras sobre trade-offs em designs de bancos de dados.
Perguntas frequentes
O que é a conjectura RUM?
É a ideia de que o design de armazenamento equilibra read, write e space amplification. Melhorar uma dimensão pode piorar outra, dependendo do workload e da configuração. As cinco palestras usam esse enquadramento para explicar suas escolhas.
Por que usar object storage em bancos de dados se a leitura a frio é lenta?
Porque ele oferece custo de armazenamento menor, durabilidade e disponibilidade. No exemplo de Gavra, um cache miss em NVMe local leva cerca de 150 microssegundos, contra 20 a 30 milissegundos no S3 Standard. O cache e o agrupamento de escritas em arquivos imutáveis tentam manter essas leituras fora do caminho crítico.
O Logstor substitui a engine LSM do ScyllaDB?
Não. É uma engine opcional para workloads de chave-valor com muita leitura. Tabelas com cada engine podem rodar no mesmo cluster. Ele exige um índice maior em RAM e mais trabalho na escrita.
Os números das palestras valem para qualquer workload?
Não. O próprio material ressalta que os resultados são específicos de cada teste, como o ganho de cerca de oito vezes no Valkey ou os testes de PutObject da TigerBeetle. Os testes do ScyllaDB também usaram tamanhos de valor diferentes, então não são comparáveis diretamente.
Fontes
- thenewstack.iofonte original
- Categoria
- CEVIU Dados
- Publicado
- 02 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Dados

