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Tether desiste de conformidade com o framework MiCA da Europa
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Tether desiste do MiCA na UE: Entenda a Decisão que Impacta o Mercado Cripto Europeu

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A decisão da Tether de não se adequar ao MiCA na União Europeia tem um forte pano de fundo em sua robusta estratégia de reservas. Conforme o CEVIU noticiou em 25 de março de 2026, a empresa já registrava US$ 10 bilhões em lucros em 2025, sustentada por uma exposição massiva de US$ 141 bilhões em Títulos do Tesouro dos EUA. Essa alocação, que supera a posse soberana da Alemanha, mostra a preferência da Tether por ativos de alta liquidez e baixo risco, como os US Treasuries, que compõem aproximadamente 80% de suas atuais reservas de US$ 183 bilhões.

A exigência do MiCA para que 60% das reservas estejam em depósitos bancários comerciais entra em conflito direto com essa estratégia. Para a Tether, alocar uma fatia tão grande de suas reservas em bancos tradicionais, cujos depósitos na UE são segurados apenas até €100.000, representa um risco desproporcional para seus 400 milhões de usuários. Este movimento sublinha a tensão entre a regulação tradicional e as práticas financeiras nativas da Web3.

O que mudou

O CEVIU já havia reportado em 3 de julho de 2026 a adoção integral do MiCA e como isso redesenhou o mercado cripto europeu, resultando na saída de cerca de 80% das empresas antes registradas. A novidade é que agora a Tether, um dos maiores emissores de stablecoins do mundo, não só confirmou sua saída de fato (com o USDT retirado das exchanges da UE em 1º de julho), mas também explicitou os motivos técnicos e estratégicos. A empresa detalhou a preocupação com a regra dos 60% em depósitos bancários, um ponto que antes era parte de um "impacto massivo" generalizado, mas agora é a causa específica para um player tão relevante. Além disso, a posição do Banco Central Europeu (BCE) e dos bancos centrais dos 27 países da UE, que já pediram a anulação da regra, indica uma possível reavaliação que antes não estava tão evidente, abrindo portas para um eventual retorno da Tether.

Por que isso importa

A decisão da Tether impacta a liquidez e a oferta de stablecoins na União Europeia, forçando os usuários a buscar alternativas ou a migrar para plataformas fora do bloco. Isso também intensifica o debate global sobre como regular stablecoins sem sufocar a inovação. A postura do BCE contra a regra dos 60% mostra uma fissura na própria frente regulatória da UE, indicando que o MiCA pode não ser estático e pode sofrer ajustes. Essa situação reforça a importância de um diálogo contínuo entre reguladores e o setor cripto para encontrar um equilíbrio entre proteção ao consumidor e viabilidade operacional dos projetos Web3.

Linha do tempo

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Perguntas frequentes

O que é o MiCA e qual seu objetivo?

MiCA, ou Markets in Crypto-Assets, é um framework regulatório da União Europeia. Ele busca unificar a regulação de criptoativos nos 27 países-membros. Seu objetivo principal é trazer mais clareza, proteção ao investidor e estabilidade financeira para o mercado de criptoativos dentro do bloco.

Por que a Tether se preocupa com a regra dos 60% em depósitos bancários?

A Tether já aloca a maior parte de suas reservas em Títulos do Tesouro dos EUA, considerados de baixo risco. A exigência do MiCA de 60% em depósitos bancários comerciais os exporia a riscos maiores, já que a cobertura de seguro na UE é limitada a €100.000 por conta. Isso significa que uma parcela significativa das reservas da Tether não teria a mesma proteção que seus US Treasuries.

Tether sairá permanentemente do mercado europeu?

De acordo com o CEO Paolo Ardoino, a Tether retirou o USDT das exchanges da UE, mas indicou um possível retorno "quando o MiCA se tornar mais seguro". A solicitação do BCE e dos bancos centrais da UE para anular a regra dos 60% sugere que pode haver uma revisão futura da regulamentação, o que poderia abrir caminho para o retorno da empresa.

Qual a relevância dos US Treasuries nas reservas da Tether?

Os US Treasuries (Títulos do Tesouro dos EUA) são considerados ativos de altíssima liquidez e baixo risco. A Tether os utiliza para lastrear o USDT, garantindo a estabilidade da stablecoin. Conforme reportado pelo CEVIU em 25 de março de 2026, a Tether tem uma exposição de US$ 141 bilhões a esses títulos, demonstrando sua confiança neste tipo de ativo em detrimento de depósitos bancários.

Fontes

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Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
24 de setembro de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

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