Padrões de crescimento divergentes em stablecoins na América Latina
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O Brasil não só lidera a adoção de stablecoins na América Latina como está construindo um ecossistema funcional com duas moedas locais consolidadas: o BRLA e o BRZ. Enquanto o BRLA tem foco em infraestrutura on-chain e integração com o Pix, o BRZ opera com reserva em reais depositados no Banco Central, ambos com volumes semanais estáveis entre US$ 2,7 mi e US$ 4 mi. Já o MXNB mexicano, embora tenha ganhado impulso com a parceria da Ripple e Bitso no XRP Ledger, ainda enfrenta fragmentação de uso: 822 dólares de volume nas últimas 24 horas em 14 de junho mostra que sua liquidez está concentrada em momentos pontuais, não em fluxos recorrentes. Isso reflete uma diferença estrutural: no Brasil, as stablecoins locais já são usadas em pagamentos B2B e remessas domésticas; no México, ainda atuam majoritariamente como hedge inflacionário ou ponte para dólar.
A região como um todo movimentou US$ 324 bi em stablecoins em 2025, 89% a mais que em 2024, e deve chegar a US$ 442,6 bi até 2033. Mas esse crescimento não é homogêneo: 69% do volume latino-americano vem do Brasil, enquanto o México representa menos de 12%, apesar de ser o segundo maior mercado. A regulação também diverge: o BCB avança com normas específicas para stablecoins desde 2024, enquanto o México mantém uma postura mais cautelosa sob a Lei Fintech, limitando emissões a instituições autorizadas.
Por que isso importa
Essa disparidade não é só estatística: ela define quem vai definir os padrões de pagamento digital regional. Stablecoins locais com volume estável, como BRLA e BRZ, estão se tornando infraestrutura crítica para liquidação de pagamentos transfronteiriços, especialmente com a integração ao Pix e ao sistema bancário brasileiro. Já o MXNB, mesmo com suporte da Ripple, ainda depende de adoção empresarial real, não só de lançamentos técnicos. Para desenvolvedores e fintechs, a lição é clara: volume constante vale mais que pico esporádico. E para reguladores, mostra que estabilidade operacional (não só técnica) é o verdadeiro teste de maturidade.
Perguntas frequentes
Por que o BRLA e o BRZ têm volumes estáveis, mas o MXNB oscila tanto?
O BRLA e o BRZ têm integração com sistemas financeiros locais (como o Pix) e reservas auditáveis em reais, o que gera confiança e uso contínuo em negócios. O MXNB, embora lastreado no peso, ainda carece de adoção por empresas mexicanas e depende de parcerias pontuais, como a com a Ripple, sem ainda ter fluxos recorrentes de pagamento ou poupança.
Qual o papel da regulação nessa diferença entre Brasil e México?
O Banco Central do Brasil já publicou diretrizes específicas para stablecoins desde 2024, criando previsibilidade. O México, por sua vez, exige que emissoras sejam instituições autorizadas pela Comissão Nacional Bancária e de Valores (CNBV), o que limita a concorrência e a velocidade de inovação. Isso explica parte da lentidão no volume contínuo do MXNB.
O que significa '69% do volume latino-americano vir do Brasil' na prática?
Significa que, de cada US$ 100 movimentados em stablecoins na região em 2025, cerca de US$ 69 foram em moedas atreladas ao real, seja BRLA, BRZ ou outras. Isso coloca o Brasil à frente de países com economias maiores, como México e Argentina, e mostra que a infraestrutura local (Pix, BC, exchanges reguladas) está funcionando como catalisador real, não só teórico.
Por que stablecoins locais estão crescendo mais rápido que as atreladas ao dólar na região?
Stablecoins em moeda local evitam custos de conversão e risco cambial em transações domésticas e regionais. No Brasil, por exemplo, 90% dos fluxos de cripto envolvem stablecoins, e a grande maioria delas é em real. Elas também respondem a necessidades práticas: proteção contra inflação, acesso a serviços financeiros e redução de custos em pagamentos B2B, onde a volatilidade do dólar atrapalha contratos de longo prazo.
Fontes
- threadreaderapp.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Cripto
- Publicado
- 15 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Cripto
