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Design da Apple perdeu centralidade, novo CEO precisa reverter o declínio

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A centralidade do design industrial na Apple não desapareceu por acaso, ela foi sistematicamente erodida desde 2019, com a saída de Jony Ive e a subsequente exclusão do estúdio de design da mesa executiva. Evans Hankey assumiu o cargo, mas sem cadeira no Executive Team, reportando-se ao COO Jeff Williams. Quando Hankey saiu em 2023 para fundar a io (adquirida pela OpenAI em 2025), Williams optou por não nomear um sucessor sênior, e sim absorver o time como uma unidade operacional subordinada. O resultado: liderança frágil, rotatividade alta e uma geração de designers juniores sem autoridade estratégica. O iPhone 2027 não é só um produto em desenvolvimento, é o primeiro teste real da capacidade de Ternus de reverter uma década de descentralização deliberada.

O redesenho 'Liquid Glass' da WWDC 2025 não foi um erro isolado. Foi o sintoma mais visível de um processo em que a forma passou a preceder a função, superfícies iridescentes sem justificativa ergonômica, térmica ou de fabricação. Isso contrasta com decisões anteriores, como a transição para o unibody de alumínio em 2008 ou o abandono do conector Lightning em 2023, ambas nascidas de debates técnicos profundos entre design, engenharia e produção. Hoje, esses debates são raros, e quando ocorrem, o time de design chega à reunião com propostas já validadas por outros departamentos.

O que mudou

Antes de 2019, o chefe de design tinha voz direta em decisões de roadmap, fabricação e até orçamento. Hoje, o time depende de aprovação prévia da engenharia de hardware e da divisão de software, e mesmo assim, só depois de apresentações formais com métricas de custo por unidade. A mudança mais concreta veio em 2023: a equipe deixou de definir prazos de entrega dos primeiros protótipos físicos. Agora, esses prazos são fixados pela engenharia de sistemas, com base em cronogramas de chips e fornecedores. O iPhone 18 (setembro/2026) será o primeiro produto a ser lançado sob essa nova hierarquia, mas também o primeiro a ter seu design revisado duas vezes após a fase de engenharia avançada, algo inédito desde o iPhone 6.

Por que isso importa

Design na Apple nunca foi só sobre aparência. Era o mecanismo de filtragem entre o possível técnico e o desejável humano. Quando o estúdio perdeu autonomia, a empresa começou a priorizar o que era viável em escala, não o que era necessário para o usuário. O iPhone 2027 não precisa apenas de um novo visual: precisa de uma nova lógica de interação física com IA generativa, algo que exige integração profunda entre sensores, materiais e interface. Sem um design com poder de decisão, essa integração vira uma colagem de componentes, não uma experiência coerente. E isso afeta diretamente a competitividade contra rivais que já alinham hardware, IA e UX desde a concepção, como a Samsung com o Galaxy AI e a Huawei com o Pura 70.

Linha do tempo

  1. Evans Hankey assume liderança do design industrial após saída de Jony Ive, mas sem assento no Executive Team

  2. Evans Hankey deixa a Apple para fundar a io, startup de hardware de IA

  3. Sabih Khan assume como novo COO, herdando supervisão direta do time de design industrial

  4. WWDC 2025 revela o redesenho 'Liquid Glass', criticado por priorizar estética sobre intencionalidade funcional

  5. John Ternus anunciado como próximo CEO, com foco declarado na restauração do peso do design

  6. Análise aponta que design industrial opera como suporte periférico e que iPhone 2027 será teste crítico da reversão

Perguntas frequentes

Quem é Evans Hankey e por que sua saída foi tão impactante?

Hankey sucedeu Jony Ive em 2019 como líder de design industrial. Diferentemente de Ive, ele nunca teve assento no Executive Team e reportava-se diretamente ao COO. Sua saída em 2023, para fundar a io, startup de hardware de IA adquirida pela OpenAI, expôs uma lacuna estratégica que a Apple não preencheu com um líder de peso equivalente.

Por que o iPhone não muda de design há cinco anos?

Não é falta de ideias, é falta de autoridade. Desde 2023, o time de design não tem poder para impor mudanças estruturais (como novos formatos, materiais ou métodos de montagem) sem aprovação prévia da engenharia de hardware. Isso congelou decisões críticas, mantendo o mesmo chassis e layout por gerações seguidas.

O que John Ternus já fez para reverter essa situação?

Antes mesmo de assumir como CEO em 1º de setembro de 2026, Ternus reestruturou as reuniões de roadmap para incluir o design como participante obrigatório, não como convidado. Também aprovou um orçamento extra para prototipagem rápida em escala interna, reduzindo a dependência de fornecedores externos nas fases iniciais.

O 'Liquid Glass' é só um erro estético ou revela algo maior?

Revela um problema sistêmico. A estética impressionante foi desenvolvida sem envolvimento da equipe de térmica ou de testes de durabilidade. Resultado: o acabamento iridescente descasca em 12% dos protótipos após 48 horas de teste de abrasão, um dado que só veio à tona *depois* da divulgação pública na WWDC 2025.

Fontes

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Categoria
CEVIU
Publicado
22 de junho de 2026
Editoria
CEVIU

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