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Microsoft mira computador quântico útil até 2029 com novo chip Majorana 2

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A Microsoft não está só aumentando o número de qubits no Majorana 2: trocou toda a base física do chip. Enquanto o Majorana 1 usava alumínio como supercondutor e um nanofio de arsenieto de índio puro, o novo modelo adota chumbo, mais eficaz contra ruído, e uma estrutura híbrida de arsenieto de índio com antimonieto de arsenieto de índio na região ativa. Essa mudança de materiais é o que explica o salto de menos de 12 ms para até 60 segundos de coerência em alguns testes. O avanço foi acelerado por uma ferramenta interna da Microsoft chamada Microsoft Discovery, uma plataforma agentic de IA que otimizou simultaneamente design, fabricação e detecção de defeitos, algo inédito em hardware quântico.

O prazo de 2029 para um computador quântico 'útil' é uma guinada estratégica: corta pela metade a previsão anterior da própria Microsoft (2033), e coloca a empresa em rota de colisão direta com a IBM, que mira um supercomputador quântico-cêntrico já em 2025. Mas há um contraponto real: o artigo técnico do Majorana 2 ainda não passou por revisão por pares, e críticos reforçam que os dados publicados não respondem às objeções levantadas em 2023 sobre a ausência de evidência inequívoca de modos de Majorana zero, a pedra angular da abordagem topológica.

O que mudou

O Majorana 2 não é uma iteração incremental: é uma reinvenção da pilha de materiais e da arquitetura de controle. Em comparação com o Majorana 1 (coberto indiretamente em nossa análise de maio de 2023 sobre os desafios da abordagem topológica), o novo chip triplica a duração média de coerência (de milissegundos para dezenas de segundos), eleva a contagem de qubits estáveis de 8 para 12, e introduz um ciclo de desenvolvimento impulsionado por IA agentic, algo inexistente na fase anterior. A parceria com a DARPA também evoluiu: saiu da fase exploratória (US2QC, 2023) para a validação prática sob o programa QBI, com metas concretas de benchmarking até 2033.

Por que isso importa

Se funcionar, o caminho topológico da Microsoft pode reduzir drasticamente a necessidade de correção de erros em tempo real, um gargalo que consome até 99% dos qubits em arquiteturas convencionais, como as da IBM ou Google. Isso significaria máquinas menores, mais baratas e mais fáceis de escalar. Para empresas brasileiras que já usam Azure Quantum, isso pode antecipar aplicações práticas em logística, simulação de fármacos e otimização de portfólios financeiros anos antes do previsto, mas só se a validação independente confirmar que os qubits topológicos estão realmente operando como prometido.

Linha do tempo

  1. DARPA seleciona Microsoft para programa US2QC, focado em sistemas quânticos subexplorados

  2. Microsoft e PsiQuantum entram na fase de co-design da Iniciativa de Benchmarking Quântico (QBI) da DARPA

  3. Lançamento do chip Majorana 2 com 12 qubits estáveis e coerência de até 60 segundos

Perguntas frequentes

O que torna o Majorana 2 diferente de outros chips quânticos, como os da IBM ou Google?

A Microsoft aposta em qubits topológicos, que armazenam informação em pares de partículas chamadas modos de Majorana zero, teoricamente imunes a ruídos locais. Já a IBM usa qubits supercondutores e a Google, qubits de íons aprisionados. O Majorana 2 é o primeiro chip comercial a tentar materializar essa ideia com estabilidade medida em segundos, não milissegundos.

Por que a comunidade científica ainda duvida do Majorana 2?

Físicos questionam se os sinais medidos correspondem mesmo a modos de Majorana zero, ou se são artefatos de ruído. O artigo técnico ainda não foi revisado por pares, e medições anteriores (Majorana 1) foram consideradas inconclusivas por grupos independentes. A prova definitiva exigiria observação direta da estatística não abeliana dessas partículas, algo não demonstrado até agora.

Qual o papel da IA na criação do Majorana 2?

A plataforma Microsoft Discovery, baseada em agentes de IA, foi usada para simular milhares de combinações de materiais, ajustar parâmetros de fabricação e identificar defeitos em imagens de microscopia eletrônica. Isso reduziu ciclos de teste físico e acelerou a transição entre teoria e protótipo, um uso prático inédito de IA agentic em engenharia de hardware quântico.

O que muda para desenvolvedores brasileiros com esse avanço?

Nada imediato. O Majorana 2 ainda é um protótipo de laboratório. Mas quem já trabalha com Azure Quantum ganha acesso antecipado a simulações mais realistas e novos SDKs para algoritmos topológicos. Se a validação com a DARPA for positiva, projetos-piloto em setores como petróleo e mineração no Brasil podem ser priorizados a partir de 2027.

Fontes

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Categoria
CEVIU
Publicado
03 de junho de 2026
Editoria
CEVIU

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