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China testa foguete Long March 12B com estrutura para reutilização futura

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O Long March 12B não é um protótipo experimental: é um foguete operacional desde o primeiro voo, com carga útil real (o 10º lote da constelação Qianfan, resposta chinesa ao Starlink) e cronograma acelerado, desenvolvido em apenas 21 meses. Sua estrutura já incorpora grid fins e pernas de pouso, mas a tentativa de recuperação do primeiro estágio foi adiada para um próximo voo, diferentemente do que ocorreu com o Zhuque-3 (dez/2025) e o Long March 12A (também dez/2025), que falharam no pouso mesmo tendo voado com essa finalidade. O 12B é mais pesado e potente: 72 metros de altura, 22 toneladas de capacidade em modo descartável, e usa motores YF-102V movidos a querosene e oxigênio líquido, tecnologia mais madura e escalável que os experimentos anteriores.

A China está tratando a reutilização como uma exigência industrial, não como um salto tecnológico isolado. Enquanto a SpaceX testa o Starship em voos com cargas simuladas, a CASC lançou satélites funcionais no voo inaugural do 12B, sem aviso prévio de restrições aéreas, o que revela confiança operacional e pressão por velocidade na implantação da Qianfan, que pretende ultrapassar 15 mil satélites. Isso coloca o programa chinês em ritmo distinto do ocidental: menos ensaios teóricos, mais integração imediata entre infraestrutura, produção em série e missões comerciais.

O que mudou

O Long March 12B representa uma mudança concreta em relação aos dois lançamentos anteriores da China com foco em reutilização: o Zhuque-3 (dez/2025), que falhou no pouso após atingir órbita, e o Long March 12A (também dez/2025), que tentou pouso mas não conseguiu estabilizar o propulsor. Diferente deles, o 12B não tentou recuperação no voo inaugural, mas já nasceu com todos os componentes físicos necessários (grid fins, pernas, sistema de orientação adaptado) e com um projeto voltado para operação comercial contínua. É a primeira vez que a CASC entrega um foguete reutilizável projetado desde a origem para ser usado repetidamente em missões com carga paga real, não como demonstrador.

Por que isso importa

Reutilização não é só sobre reduzir custos: é sobre dominar o ciclo de lançamento, fabricar, integrar, lançar, recuperar, inspecionar, refazer. O 12B mostra que a China está migrando desse ciclo para uma lógica de fábrica espacial, onde o foguete é um equipamento de linha de produção, não uma peça única. Isso afeta diretamente a corrida por megaconstelações, a viabilidade de bases lunares e até contratos da NASA, já que a falha do New Glenn (01/06/2026) e os atrasos no Starship abrem espaço para alternativas competitivas em preços e agilidade. Se o 12B atingir taxa de reuso de 8, 10 voos por estágio, pode forçar revisões nos modelos de negócios globais de acesso ao espaço antes de 2028.

Linha do tempo

  1. Primeira tentativa de pouso orbital reutilizável da China com o Zhuque-3 da Landspace, falha na recuperação

  2. Lançamento do Long March 12A com tentativa de pouso do primeiro estágio, falha na estabilização

  3. Lançamento inaugural do Long March 12B com carga útil real (satélites Qianfan), sem tentativa de pouso, mas com estrutura completa para reutilização

Perguntas frequentes

O Long March 12B já fez pouso? Qual é o status atual da reutilização?

Não houve tentativa de pouso no lançamento de 1º de junho de 2026. A CASC confirmou que a recuperação do primeiro estágio será testada em um voo futuro, ainda sem data definida. O foguete já tem todos os componentes físicos necessários, mas ainda não os ativou em voo.

Como o Long March 12B se compara ao Starship ou ao Falcon 9?

É mais próximo do Falcon 9 em escala e propósito: foguete de dois estágios, reutilização parcial do primeiro estágio, foco em lançamentos frequentes de cargas comerciais. Diferente do Starship, não busca reutilização total nem viagens interplanetárias. Sua capacidade de 12 toneladas em modo reutilizável é menor que os 15+ toneladas do Falcon 9, mas sua cadência de produção e integração com a constelação Qianfan pode compensar isso operacionalmente.

Por que a China está apressando tanto a reutilização agora?

Por duas razões práticas: implantar a constelação Qianfan (15 mil satélites) antes que o Starlink domine o mercado global de banda larga via satélite, e garantir autonomia logística para suas missões lunares e de estação espacial. A falha do New Glenn e os problemas recentes do Starship criam uma janela estratégica, e a China está entrando nela com hardware funcional, não só com promessas.

Quais são os próximos passos confirmados pela CASC?

Além dos testes de recuperação do 12B, a CASC já anunciou planos para testes de pouso do Long March 10 (foguete lunar) e do módulo de propulsão de 5 metros revelado em abril de 2026. Também há relatos de que a variante 12C, com maior capacidade de carga e melhorias no sistema de guia, deve voar ainda em 2026.

Fontes

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Categoria
CEVIU
Publicado
03 de junho de 2026
Editoria
CEVIU

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