Jane Street e rivais agora disputam poder computacional, além de velocidade
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Os traders high-frequency (alta frequência) lucram com pequenas diferenças de preço, entrando e saindo de posições em alta velocidade e casando compradores e vendedores. Durante anos, firmas como Jane Street e Hudson River Trading brigaram por nanossegundos. Agora a disputa inclui compute, a capacidade bruta de processamento, porque elas usam cada vez mais machine learning para prever o comportamento do mercado. A reportagem da Bloomberg, que é a fonte desta matéria e descreve o setor, não é um projeto único: trata de várias empresas independentes.
Os números e movimentos citados são concretos. Segundo um executivo anônimo de uma grande firma, o investimento em acesso a compute está entre 10 e 20 vezes acima do que era antes do lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022. A XTX Markets construiu um data center em Kajaani, na Finlândia, por €1 bilhão. A Jane Street tem um data center no Texas com mais de 4.000 GPUs Nvidia em 56 racks, e a Hudson River usa uma antiga mina na Noruega. A Citadel Securities prefere hyperscalers, com foco no Google e nos TPUs, que segundo a firma rodaram cargas até quatro vezes mais rápido que GPUs, com custo 30% menor. Os riscos também aparecem: custos em alta, chips que podem ficar obsoletos rápido, fornecedores sob pressão financeira e mercados financeiros ruidosos, difíceis para machine learning.
O que mudou
O tema já vinha sendo coberto pelo CEVIU. Em 9 de outubro de 2026, a matéria "A Ascensão dos Mercados de Capitais para Compute: Uma Nova Fronteira para Startups" tratava o compute como a classe de ativos de crescimento mais rápido, pela escassez de chips, memória, energia e data centers. Em 12 de outubro de 2026, "Escassez de processamento em IA força alianças inéditas entre gigantes da tecnologia" mostrava a corrida por capacidade redefinindo parcerias, e em 21 de outubro de 2026 veio "A Disputa por Compute: Infraestrutura de IA sob Pressão de Demanda e Oferta Restrita". A novidade agora é o recorte: o setor financeiro de alta frequência entra nessa fila como comprador pesado, com contratos e data centers próprios.
Por que isso importa
Para quem opera infraestrutura ou trabalha com dados, o recado é que a oferta limitada de compute não pesa só sobre laboratórios de IA. Firmas com muito caixa competem pelos mesmos chips, pela mesma energia e pelo mesmo talento. Na leitura editorial, isso tende a manter a pressão sobre preço e disponibilidade, e a estratégia de misturar data center próprio, hyperscaler e neocloud pode virar referência para quem precisa reduzir dependência de um único fornecedor.
Linha do tempo
CEVIU noticia o compute como classe de ativos de crescimento mais rápido.
CEVIU cobre alianças entre gigantes por causa da escassez de processamento em IA.
CEVIU publica sobre a disputa por compute e a oferta restrita.
Jane Street e rivais de alta frequência aparecem disputando compute além da velocidade.
Perguntas frequentes
O que é trading high-frequency?
São firmas que lucram com pequenas diferenças de preço, entrando e saindo de posições em alta velocidade e casando compradores e vendedores. Jane Street e Hudson River Trading são exemplos citados. Elas dependem cada vez mais de machine learning para prever o comportamento do mercado.
Por que essas firmas estão investindo tanto em compute?
Porque o sucesso delas está ligado ao poder computacional, segundo a teoria descrita na reportagem. Mais capacidade e chips mais rápidos ajudam a treinar modelos maiores e também a atrair os melhores pesquisadores. A Optiver chama de ciclo de investimento de mais de 10 anos.
Quais são os caminhos para obter compute?
Há data centers próprios, como os da XTX Markets e da Jane Street, e contratos com hyperscalers, como a Citadel Securities faz com o Google. Também há neoclouds, como CoreWeave e Lambda, que a Hudson River usa. Muitas firmas combinam mais de um caminho.
Quais são os riscos dessa aposta?
Os custos sobem e qualquer vantagem pode durar pouco. Chips comprados hoje podem ficar obsoletos, e fornecedores podem atrasar a construção de data centers ou perder contratos. Além disso, a lucratividade das firmas depende de volumes recordes de negociação, que podem não se manter.
Fontes
- bloomberg.comfonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 26 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU

