Google Chrome encerra suporte a extensões Manifest V2 e seus contornos
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O Google Chrome encerrou definitivamente o suporte às extensões Manifest V2 em 24 de julho de 2025, com a liberação do Chrome 138 — data em que todas as extensões baseadas no Manifest V2 foram desativadas automaticamente e a opção de reativação foi removida. Essa data marca o fim de um processo de migração iniciado em 2020, com etapas progressivas: desde a proibição de novas submissões na Chrome Web Store em janeiro de 2022, passando pela desativação gradual nos canais Beta/Dev a partir de junho de 2024, até a desabilitação completa no estável em outubro de 2024 e, por fim, a exclusão total em julho de 2025. A transição afeta também navegadores baseados em Chromium, como Microsoft Edge (versão 137+), Opera (versão 119+) e Brave (versão 1.66+), embora estes tenham adotado cronogramas ligeiramente distintos. Importante destacar que o Firefox continua suportando Manifest V2 sem previsão de descontinuação, e o Thorium comprometeu-se publicamente a manter esse suporte indefinidamente.
A mudança não é meramente técnica: ela redefine os limites funcionais das extensões. O Manifest V3 substitui as páginas de background persistentes por service workers efêmeros, impõe a API declarativeNetRequest no lugar da flexível webRequest, proíbe código remoto executável e exige permissões granulares por site. Embora a Google cite ganhos em privacidade, segurança e desempenho, críticos apontam que essas restrições impactam diretamente ferramentas de privacidade e bloqueio de conteúdo — especialmente porque o limite de 30.000 regras dinâmicas e 330.000 regras estáticas na declarativeNetRequest ainda representa um gargalo para listas avançadas de filtros, como as usadas pelo uBlock Origin Lite ou AdGuard MV3.
Por que isso importa
Essa mudança importa porque redefine o equilíbrio de poder entre usuários, desenvolvedores e plataformas. Para o usuário final, significa que extensões antigas de bloqueio de anúncios, proteção contra rastreamento ou automação deixaram de funcionar — e não há mais contornos viáveis, como os métodos de ativação via linha de comando ou políticas de grupo que eram usados até março de 2025. Para empresas e profissionais de TI, o fim do Manifest V2 implica revisão imediata de políticas de segurança corporativa: extensões internas baseadas em MV2 precisaram ser migradas ou substituídas antes de junho de 2025, sob pena de falhas operacionais. Além disso, a adoção universal do Manifest V3 cria uma nova camada de padronização — mas também de dependência — em torno das decisões técnicas da Google, já que outros navegadores Chromium seguem seu ritmo sem alternativas nativas.
O impacto vai além da funcionalidade: é um precedente regulatório de fato. A Comissão Europeia já investigou a transição ao Manifest V3 sob a perspectiva da Digital Markets Act (DMA), questionando se a restrição à webRequest constitui abuso de posição dominante ao prejudicar concorrentes no ecossistema de privacidade. Enquanto isso, estudos independentes de maio de 2026 confirmaram que, apesar das limitações, bloqueadores de anúncios em Manifest V3 — como uBlock Origin MV3, AdGuard MV3 e Adblock Plus MV3 — mantêm eficácia comparável ao MV2 em cenários reais, graças a otimizações nas listas de regras e ao aumento progressivo dos limites da declarativeNetRequest.
Impacto para desenvolvedores
Para desenvolvedores, o Manifest V3 impôs uma curva de aprendizado significativa e exigiu reescrita quase integral de extensões complexas. A migração não é trivial: a troca de webRequest por declarativeNetRequest exige pré-compilação de regras, elimina lógica condicional em tempo real e dificulta atualizações dinâmicas de filtros. Service workers não têm acesso direto ao DOM nem persistência nativa de estado, forçando uso de armazenamento assíncrono (chrome.storage) e estratégias de cache robustas. Além disso, a política de segurança de conteúdo (CSP) mais rígida proíbe eval() e scripts inline, exigindo refatoração de bibliotecas legadas. Apesar de a Google ter lançado ferramentas como o Manifest V3 Migration Guide e o Extension Manifest V3 Validator, relatos frequentes apontam para lacunas na documentação e inconsistências entre ambientes de teste e produção.
Contudo, o Manifest V3 trouxe vantagens concretas: APIs baseadas em promises simplificam o tratamento assíncrono, o modelo de permissões granulares melhora a confiança do usuário e recursos como offscreen documents e suporte a user scripts (adicionados em 2025) ampliaram as possibilidades de automação sem violar os princípios de segurança. Hoje, mais de 85% das extensões ativamente mantidas na Chrome Web Store já são compatíveis com Manifest V3, e frameworks como WebExtensions Polyfill e bibliotecas como delegated-events ajudam a mitigar as diferenças entre MV2 e MV3 durante a transição híbrida.
Perguntas frequentes
Quando o Manifest V2 foi desativado definitivamente no Chrome?
O Manifest V2 foi desativado definitivamente no Chrome em 24 de julho de 2025, com a versão 138 do navegador. Nessa data, todas as extensões Manifest V2 foram desabilitadas permanentemente e a opção de reativação foi removida completamente — mesmo para usuários avançados ou ambientes corporativos.
O uBlock Origin ainda funciona no Chrome após o fim do Manifest V2?
Sim, mas apenas na versão compatível com Manifest V3: o uBlock Origin Lite. A versão clássica (MV2) parou de funcionar em 24 de julho de 2025. A versão Lite opera com a API declarativeNetRequest e tem limitações em comparação com a original, como ausência de filtros dinâmicos personalizados e menor capacidade de processamento de listas avançadas — embora estudos de 2026 indiquem eficácia próxima à do MV2 em cenários reais.
Qual é a diferença entre webRequest e declarativeNetRequest?
A API webRequest (Manifest V2) permitia interceptar, inspecionar e modificar requisições HTTP em tempo real, com lógica condicional arbitrária. Já a declarativeNetRequest (Manifest V3) exige que todas as regras de bloqueio ou modificação sejam declaradas previamente — sem execução de código JavaScript no momento da requisição. Isso aumenta a segurança e o desempenho, mas reduz a flexibilidade, especialmente para bloqueadores de anúncios que dependiam de decisões dinâmicas baseadas em contexto.
O Firefox ainda suporta Manifest V2?
Sim. O Mozilla Firefox continua suportando extensões Manifest V2 sem previsão de descontinuação. Além disso, sua implementação do Manifest V3 é mais permissiva: mantém suporte à API webRequest para bloqueio de conteúdo e não impõe os mesmos limites de regras da declarativeNetRequest. Isso torna o Firefox uma alternativa viável para quem depende de funcionalidades restritas no Chrome.
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- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 11 de junho de 2026
- Fonte
- CEVIU
