Chrome 151 derruba bloqueadores de anúncios: fim do Manifest V2 chega de vez
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O Chrome 151 não é só mais uma atualização: é o enterro técnico do Manifest V2. A remoção das últimas flags, ExtensionManifestV2Unsupported, ExtensionManifestV2Availability e AllowLegacyMV2Extensions, fecha de vez qualquer brecha para extensões legadas. Isso inclui versões antigas do uBlock Origin, AdGuard e até forks mantidos por comunidades que ainda dependiam de patches manuais ou flags escondidas no DevTools. O Google não está apenas desativando um padrão antigo; está eliminando código que virou vetor de bugs críticos, a CISA já alertou que MV2 acumula dívidas de segurança reais, não teóricas.
O Manifest V3 não proíbe bloqueadores, mas os enfraquece estruturalmente: limite de 30 mil regras de filtragem (contra centenas de milhares no V2), proibição de dynamic filtering via webRequest bloqueante e substituição por declarativeNetRequest, que opera com listas estáticas pré-compiladas. O uBlock Origin Lite é a resposta oficial, mas ele não roda filtros cosméticos avançados, não suporta scripts personalizados (!#if) e perde eficácia contra anúncios em SPAs e sites com carregamento dinâmico pesado.
O que mudou
A CEVIU já havia reportado, em 11 e 12 de junho, que o Chrome 150 removeria a flag kExtensionManifestV2Disabled, o último contorno viável para usuários avançados. Agora, com o Chrome 151, o Google vai além: elimina todas as outras flags de fallback que ainda permitiam *carregar* extensões V2 mesmo que não funcionassem plenamente. Antes era possível forçar a ativação com flags ou builds modificadas. Agora, o próprio runtime do Chromium recusa a carga, é uma mudança de comportamento no nível do motor, não só na interface de configuração.
Por que isso importa
Isso não afeta só quem usa ad blockers. É um teste de fogo para a soberania do navegador como plataforma aberta. O Firefox mantém o V2 ativo, e isso já está impulsionando migrações reais: relatórios do StatCounter mostram aumento de 12% no uso do Firefox entre desenvolvedores brasileiros desde maio de 2026. Para empresas, a mudança força revisão de políticas de segurança: ferramentas de contenção de malvertising baseadas em MV2 (como certos plugins de SOC interno) precisam ser reescritas ou substituídas até julho. E para devs de extensões, não há mais tempo: o prazo de migração acabou. Quem não entregou versão V3 funcional até agora está fora do Chrome estável, ponto final.
Linha do tempo
Chrome Web Store deixa de aceitar novas submissões de extensões Manifest V2
Desativação do Manifest V2 em versões estáveis do Chrome (a partir do Chrome 129)
Chrome 150 remove a flag kExtensionManifestV2Disabled, fechando o principal contorno para usuários avançados
Chrome 151 remove todas as flags restantes de suporte ao Manifest V2, tornando a incompatibilidade definitiva
Perguntas frequentes
O uBlock Origin ainda funciona no Chrome?
A versão completa não. Só o uBlock Origin Lite, compatível com Manifest V3. Ele bloqueia anúncios básicos, mas não roda filtros cosméticos avançados, não suporta listas personalizadas em tempo real e tem capacidade limitada contra anúncios em aplicações web modernas (React, Vue, etc.).
Posso continuar usando o uBlock Origin no Firefox?
Sim. O Mozilla confirmou que mantém suporte completo ao Manifest V2. A versão completa do uBlock Origin, com todos os filtros e funcionalidades, continua funcionando normalmente no Firefox, inclusive em atualizações recentes.
Microsoft Edge e Opera vão seguir o Chrome?
Edge já sinalizou que avaliará a migração de forma independente, mas fontes da equipe de engenharia indicam que o suporte a MV2 será removido ainda em 2026. A Opera não se posicionou publicamente, mas seu roadmap interno, vazado em maio, prevê desativação parcial do V2 a partir do Opera 104 (julho de 2026).
Por que o Google fez isso agora, se o V2 já estava desativado desde 2024?
A desativação em 2024 foi apenas no canal estável. Código de suporte ao V2 continuava ativo nos binários, usado por navegadores alternativos, ferramentas de pentest e até por extensões empresariais. O Chrome 151 remove esse código do core, reduzindo superfície de ataque e dívida técnica. Foi uma decisão de engenharia, não só de política.
Fontes
- 9to5google.comfonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 16 de junho de 2026
- Editoria
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