Modelos operacionais de TI estão defasados para a era da IA, aponta Gartner
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O Gartner não está só apontando um problema, está validando uma crise operacional que já vinha sendo documentada pela cobertura CEVIU desde março. A defasagem dos modelos de TI não é causada apenas pela IA, mas por uma convergência estrutural: maturidade em nuvem insuficiente (14% no nível avançado), arquiteturas híbridas e edge exigidas por latência e compliance, infraestrutura incapaz de acompanhar a velocidade dos agentes de IA, e responsabilidades de segurança e governança que se tornaram incompatíveis com modelos centralizados. Isso explica por que 66% dos CIOs respondem por sistemas de IA que não controlam totalmente, um sintoma, não a causa.
A mudança exigida vai além de 'agilizar' ou 'digitalizar'. É uma redefinição de fronteiras: entre TI e negócios, entre controle e orquestração, entre custo fixo e valor adaptável. Em ambientes multi-cloud, onde cada cloud tem políticas distintas de acesso, governança e faturamento, um modelo operacional baseado em processos manuais e revisões centralizadas simplesmente não escala, nem tecnicamente, nem financeiramente.
O que mudou
Em março, o foco era no gargalo da nuvem como obstáculo à IA. Em abril, na migração para arquiteturas híbridas e edge. Em junho, a pressão se tornou explícita: os CIOs estão sendo responsabilizados por sistemas que não governam (6 de junho) e por cibersegurança que não protege (17 de junho). Agora, o Gartner fecha o ciclo com diagnóstico sistêmico: não é falta de ferramenta ou habilidade isolada, é obsolescência do modelo operacional inteiro. O salto é conceitual: de 'como entregar TI' para 'como orquestrar tecnologia distribuída com accountability compartilhada'.
Por que isso importa
Modelos operacionais defasados geram risco operacional direto: falhas de governança em IA aumentam exposição regulatória (especialmente sob LGPD 2.0 e IA Act da UE), custos ocultos em multi-cloud crescem 37% ao ano quando não há alocação dinâmica de recursos, e decisões de negócio são retardadas por burocracias de aprovação que não foram projetadas para agentes autônomos. Para líderes de TI, isso significa que investimentos em IA sem repensar o modelo operacional não geram ROI, só ampliam dívida técnica e de governança.
Linha do tempo
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Perguntas frequentes
O que exatamente o Gartner quer dizer com 'technology operating model' em vez de 'IT operating model'?
É uma mudança de escopo: 'IT operating model' trata TI como um departamento prestador de serviço. 'Technology operating model' reconhece que tecnologia agora é construída por equipes de negócios, parceiros e agentes de IA, e a função do CIO passa de executor para orquestrador de políticas, guardrails e métricas de valor compartilhadas.
Como isso afeta o orçamento de TI? Os custos vão subir ou descer?
Os custos operacionais fixos tendem a cair, mas os custos variáveis de governança, segurança e integração sobem, especialmente em multi-cloud. Empresas que não migrarem para modelos de custo por consumo alinhados a resultados de negócio correm risco de duplicação de gastos e perda de visibilidade financeira.
Se o modelo centralizado está obsoleto, o que substitui as equipes de governança e segurança tradicionais?
Não é substituição, mas redistribuição: políticas de governança são codificadas em pipelines de CI/CD, controles de segurança são embeddos em APIs e agentes de IA, e auditoria passa de eventos pontuais para observabilidade contínua. A equipe de segurança deixa de ser 'portão' para ser 'arquiteto de confiança automatizada'.
Qual é o primeiro passo prático para um CIO começar essa transformação?
Mapear onde decisões tecnológicas já estão sendo tomadas fora do TI, em áreas como RH, finanças ou operações, e criar mecanismos de co-governança com essas áreas. Exemplo concreto: um painel compartilhado de custos de nuvem com SLAs de performance e segurança definidos em conjunto, não impostos.
Fontes
- ciodive.comfonte original
- Categoria
- CEVIU TI
- Publicado
- 19 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU TI

