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Escassez de profissionais de TI muitas vezes é um problema de complexidade disfarçado

Falta de profissionais de TI pode ser, na verdade, um problema de complexidade

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

O argumento de David Linthicum, ex-diretor de estratégia de nuvem da Deloitte, é direto: boa parte do que o mercado chama de escassez de profissionais de TI é um problema de complexidade. Ele descreve ambientes com duas décadas de aplicações sobrepostas, dados replicados em cópias inconsistentes, modelos de segurança empilhados e migrações para nuvem que geraram 500 microserviços, 40 deles redundantes. Nesse cenário, o perfil exigido para dar manutenção fica tão estreito que o mercado não o entrega.

O autor cita um caso em uma empresa de serviços financeiros que dizia não conseguir contratar engenheiros de nuvem. As aplicações novas dependiam de um sistema de back-office de 30 anos, documentado só na cabeça de um engenheiro perto da aposentadoria. Depois de documentar dependências, isolar o legado atrás de uma interface limpa e aposentar o que era possível, o problema de contratação praticamente sumiu. Ele propõe cinco verificações para CIOs: mapear dependências, achar conhecimento não documentado, medir tempo de onboarding, identificar o que simplificar e rever os requisitos das vagas. Ressalva que lacunas reais existem, como em segurança e engenharia de dados.

O que mudou

A cobertura anterior do CEVIU já tratava da relação entre complexidade e organização de engenharia, sem abordar contratação. Em 4 de março de 2026, o CEVIU noticiou "A Simplicidade Não Impulsiona Promoções na Engenharia de Software", sobre culturas que recompensam soluções elaboradas demais. Em 11 de março de 2026, saiu "Ninguém é Promovido pela Simplicidade", na mesma linha. A notícia atual acrescenta uma consequência de mercado: essa complexidade acumulada se converte em dificuldade de contratar e em dependência de poucas pessoas.

Por que isso importa

Para quem decide em TI corporativa, a leitura é que a pressão por headcount pode estar escondendo dívida técnica. Antes de abrir vagas ou financiar treinamento, vale medir onboarding, dependências e conhecimento concentrado em uma ou duas pessoas. Isso aproxima o tema de risco operacional e de continuidade, não só de RH.

Linha do tempo

  1. CEVIU noticia que culturas de engenharia tendem a recompensar complexidade em vez de simplicidade.

  2. CEVIU publica "Ninguém é Promovido pela Simplicidade", sobre o mesmo incentivo à complexidade.

  3. Linthicum argumenta que a escassez de profissionais de TI é, em boa parte, um problema de complexidade.

Perguntas frequentes

A falta de profissionais de TI é um mito?

Não. O autor reconhece que há lacunas reais, como em segurança e engenharia de dados. Ele argumenta que uma parte grande da queixa é autoinfligida, vinda de sistemas complexos demais que exigem conhecimento raro.

Como saber se o problema é complexidade e não falta de candidatos?

O artigo sugere medir quanto tempo um profissional capaz leva para ficar produtivo e quantos sistemas em produção dependem de conhecimento não escrito. Se esses números forem alarmantes, a causa provável está no ambiente, não no mercado.

Treinar mais gente resolve?

Segundo o autor, não sozinho. Formar mais engenheiros e colocá-los em sistemas que exigem anos de conhecimento acumulado só aumenta a fila de onboarding. A saída é reduzir a complexidade para que profissionais comuns consigam trabalhar.

Quais são as cinco verificações recomendadas aos CIOs?

Mapear dependências entre nuvem, legado e back-office, localizar conhecimento não documentado, medir o tempo de onboarding, identificar o que pode ser simplificado e reavaliar se as exigências das vagas compensam complexidade evitável.

Fontes

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Categoria
CEVIU TI
Publicado
30 de outubro de 2026
Editoria
CEVIU TI

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