CEVIU Logo
Voltar

Hackers usam Google Ads para distribuir malware disfarçado de Ghidra, dnSpy e SpiderFoot

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A campanha atual não é um desvio pontual, mas o ápice de uma escalada técnica no malvertising via Google Ads: desde novembro de 2025, atacantes usam infraestrutura profissionalizada, incluindo a plataforma '1Campaign', revelada em fevereiro de 2026, para cloaking avançado, filtragem anti-análise e direcionamento seletivo por geolocalização, estado da sessão e até presença de VPN. Diferente de ataques anteriores com foco em credenciais (como o phishing contra ManageWP) ou wallets (Uniswap), essa operação prioriza a infiltração silenciosa com três cargas distintas: o RemusStealer (infostealer multiplataforma), o AnimateClipper (clipper com suporte a 20 blockchains) e o SessionGate (carregador ofuscado com criptografia derivada em tempo real). O alvo estratégico são profissionais de segurança e engenharia reversa, usuários que buscam Ghidra, dnSpy e SpiderFoot, tornando a falsificação visual quase indetectável mesmo para especialistas.

O tráfego é orquestrado por um TDS hospedado na CloudFront da Amazon, com lógica que exige confirmação explícita de clique e descarta bots com base em comportamento de mouse e tempo de permanência. Isso explica por que as páginas falsas passam nos testes iniciais de moderação do Google: elas só ativam o redirecionamento malicioso após interação humana verificável. Ainda assim, o Google removeu mais de 8,3 bilhões de anúncios inadequados em 2025, mas a detecção ainda ocorre *após* a veiculação, não antes, como prometido pela nova arquitetura baseada no Gemini.

O que mudou

Em comparação com a campanha de SEO poisoning contra o Gemini CLI e Claude (25/05), essa operação abandona a dependência de resultados orgânicos e opera exclusivamente via Google Ads patrocinados, com maior velocidade de ativação e menor risco de detecção inicial. Também evoluiu do modelo 'download único' (como no caso do Claude Code com mshta.exe) para um fluxo de múltiplas etapas: TDS → carregador ofuscado (SessionGate) → execução condicional de infostealer ou clipper. Além disso, enquanto os ataques anteriores visavam principalmente desenvolvedores, esta campanha segmenta ativamente analistas de ameaças, explorando a confiança implícita em ferramentas de código aberto de segurança, um salto tático que reduz a taxa de rejeição.

Por que isso importa

Empresas brasileiras com equipes de SOC, pentest ou resposta a incidentes estão em risco direto: um único clique em um link do Google Ads que parece levar ao GitHub oficial do Ghidra pode instalar o RemusStealer, capaz de extrair tokens de API, senhas de SSH, chaves PGP e até sessões ativas do VS Code. Não há necessidade de execução manual, o SessionGate carrega módulos em memória sem gravar arquivos em disco. Para CISOs, isso significa que políticas de 'não baixar ferramentas externas' já não bastam: o vetor agora é o próprio canal de busca legítimo. A falha não está no usuário, mas na lacuna entre a moderação automatizada do Google e a capacidade dos atacantes de simular comportamento humano com precisão crescente.

Linha do tempo

  1. Início da campanha malvertising com foco em ferramentas de segurança, conforme identificado pela Check Point Research

  2. Campanha de phishing AitM contra ManageWP usando Google Ads

  3. Campanha de SEO poisoning e Google Ads contra Gemini CLI e Claude

  4. Phishing via Google Ads clonando a Uniswap para drenar wallets

  5. Sites falsos da Anthropic distribuindo infostealer fileless para usuários do Claude Code

  6. Nova campanha com TDS avançado, RemusStealer e SessionGate distribuída via Google Ads contra Ghidra, dnSpy e SpiderFoot

Perguntas frequentes

Como identificar se um link do Google Ads para Ghidra ou dnSpy é falso?

Verifique o domínio real antes de clicar: links oficiais sempre apontam para github.com/NationalSecurityAgency/ghidra, github.com/dnSpy/dnSpy ou github.com/smicallef/spiderfoot. Sites falsos usam variações como 'ghidra-tools[.]com', 'dnspy-official[.]org' ou subdomínios suspeitos. Também observe se a URL contém parâmetros estranhos como 'utm_campaign=secure' ou redirecionamentos curtos.

O RemusStealer pode ser detectado por antivírus tradicionais?

Não confiavelmente. Ele usa técnicas de ofuscação em tempo de execução e carrega componentes via HTTPS diretamente na memória, sem escrever arquivos no disco. Ferramentas baseadas em EDR com análise comportamental em tempo real têm maior chance de interceptá-lo, mas muitos ambientes corporativos ainda rodam AVs baseados apenas em assinaturas.

Por que o Google não bloqueia esses anúncios antes de serem exibidos?

A moderação atual depende de análise pós-veiculação e relatos de usuários. Embora o Google tenha anunciado detecção baseada em intenção com Gemini, ela ainda está em fase de rollout e não cobre todos os vetores de cloaking avançado. A plataforma '1Campaign' foi projetada justamente para burlar esse tipo de análise, simulando cliques humanos reais e filtrando ambientes de sandbox.

Essa campanha afeta apenas usuários do Windows?

Sim, por enquanto. Todos os payloads distribuídos, RemusStealer, AnimateClipper e SessionGate, são binários Windows (.exe ou DLLs) executados via mshta.exe ou PowerShell. Não há evidências de versões para macOS ou Linux nessa rodada, mas o padrão de ataque (ferramentas de segurança como alvo) sugere que versões multiplataforma podem surgir em breve.

Avalie este artigo:
Compartilhar:
Categoria
CEVIU Segurança da Informação
Publicado
08 de junho de 2026
Fonte
CEVIU Segurança da Informação

Quer receber mais sobre CEVIU Segurança da Informação?

Conteúdo curado diariamente, direto no seu e-mail.

Conteúdo curado diariamenteDiversas categoriasCancele quando quiser
Hackers usam Google Ads para distribuir malware disfarçado de Ghidra, dnSpy e SpiderFoot — CEVIU News