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Velvet Ant: grupo APT chinês espionou rede crítica por dez anos usando autenticação comprometida e túneis para ambientes air-gapped

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Aprofundamento

O Velvet Ant não só invadiu uma rede air-gapped, ele a redefiniu como parte de sua própria infraestrutura de autenticação. Ao substituir nove variantes distintas do módulo PAM e trojanizar o OpenSSH, o grupo não roubou senhas: ele se tornou o próprio mecanismo de validação. Cada login, cada comando SSH, cada execução com privilégios virou um evento observável em tempo real, sem depender de sessões ativas ou tokens. Isso é pior que um backdoor: é uma reescrita da camada de identidade do sistema operacional.

A engenharia do túnel HTTP→FastCGI→SSH é tão simples quanto letal: nenhuma nova porta aberta, nenhum tráfego suspeito no firewall, só requisições POST normais disfarçadas de upload de log. E o fato de terem usado um binário chamado 'uptime' mostra intenção clara de evasão, não é malware genérico, é código feito para passar despercebido em qualquer auditoria de processos. A remediação exigiu laboratório de testes porque apagar esses componentes era equivalente a desligar o coração do sistema de autenticação.

O que mudou

Em 2024, o Velvet Ant já usava F5 BIG-IP como servidores C2 internos e explorava o zero-day CVE-2024-20399 no NX-OS da Cisco para implantar o 'VELVETSHELL'. Mas na Operation Highland (2016, 2026), o grupo evoluiu para algo mais profundo: deixou de depender de dispositivos periféricos e migrou para a camada de kernel e bibliotecas críticas do Linux. Enquanto antes atacavam firmware e appliances, agora adulteram pam_unix.so e sshd diretamente, um salto de tática que transforma a detecção em um problema de integridade de binários, não de comportamento de rede.

Por que isso importa

Essa operação prova que não há 'ambiente seguro' quando a autenticação é comprometida. MFA, logs de auditoria e firewalls de perímetro falham se o próprio PAM aceita uma senha hardcoded ou se o sshd grava todos os comandos localmente. O ataque ignora controles de acesso tradicionais, e expõe uma falha estrutural: organizações protegem servidores, mas negligenciam a integridade de módulos de autenticação como ativo crítico. A consequência prática? Um administrador pode mudar todas as senhas do mundo e continuar sendo espionado em tempo real, sem saber.

Linha do tempo

  1. Início da Operation Highland: comprometimento inicial de servidor exposto à internet

  2. Campanha contra dispositivos F5 BIG-IP documentada pela Sygnia; exploração do zero-day CVE-2024-20399 no NX-OS da Cisco

  3. Divulgação pública da Operation Highland pela Sygnia, revelando 10 anos de espionagem contínua em rede air-gapped

Perguntas frequentes

Por que substituir pam_unix.so é mais perigoso que usar um keylogger?

Um keylogger captura senhas em um momento. O pam_unix.so trojanizado valida credenciais em tempo real, aceita senhas hardcoded, ignora políticas de complexidade e coleta dados mesmo em sessões SSH legítimas. Ele opera no nível de sistema, não de usuário, e persiste após reinicialização.

Como o túnel HTTP para SSH funciona sem ser bloqueado por firewalls?

O tráfego sai como requisições HTTP POST normais para um servidor Nginx exposto. O firewall vê apenas tráfego web legítimo. O redirecionamento interno para fcgiwrap e o binário 'uptime' ocorrem dentro da rede comprometida, invisível para regras de perímetro. É exfiltração disfarçada de log.

Por que a remediação levou tanto tempo e foi tão arriscada?

Remover os binários trojanizados (pam_unix.so, sshd) podia quebrar toda a autenticação do ambiente. Sem rollback testado, administradores seriam bloqueados. A Sygnia precisou reconstruir cada variante em laboratório, validar compatibilidade com versões específicas de glibc e systemd, e preparar scripts de restauração imutáveis, um processo que leva dias, não horas.

Esse ataque está ligado às falhas anteriores do CEVIU, como a do OpenSSH de 15 anos?

Sim, mas de forma inversa. A CVE-2026-35414 explora um erro de lógica no OpenSSH para obter acesso root. Já o Velvet Ant não depende de bugs: ele substitui o OpenSSH inteiro por uma versão controlada. É uma estratégia de longo prazo: quando a vulnerabilidade é corrigida, o backdoor permanece. É menos sobre explorar falhas, mais sobre assumir o controle da cadeia de confiança.

Fontes

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Categoria
CEVIU Segurança da Informação
Publicado
16 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Segurança da Informação

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