Pesquisadores da Parameter Labs mostram cadeia de ataque que permitiria tomar contas do ChatGPT
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A cadeia descrita pela Parameter Labs atinge o recurso de artifacts do ChatGPT, que a OpenAI chamava de Canvas e que agora aparece como HTML Previews. Ali, apps HTML interativos rodam em um iframe com sandbox. Se esse isolamento falha, código não confiável passa a falar com as APIs da OpenAI e a alcançar dados privados.
O ponto de entrada é o MathLive, biblioteca JavaScript usada no suporte a gráficos. Ela traz um teclado virtual próprio, acionável na página pai via postMessage() a partir do iframe isolado. O código que recebe a mensagem usa innerHTML, e nada impedia outros frames, incluindo os de HTML Preview, de chamar esse método. Com isso, o código do iframe inseria HTML na página pai e podia injetar um novo iframe sem as restrições de sandbox. A CSP da OpenAI bloqueava scripts inline e liberava só alguns domínios, e um deles era o YouTube. O endpoint oEmbed do YouTube refletia JavaScript de um jeito que permitia a execução. Com JavaScript rodando no contexto do ChatGPT, o roubo de dados via APIs e a exfiltração por referência de imagem eram triviais.
O que mudou
Em 2 de novembro de 2026, o CEVIU noticiou "Pesquisadores encontram falha que permitia assumir contas do ChatGPT com apenas um link", que já descrevia a combinação do teclado do MathLive com o HTML Preview para escapar do sandbox. A cobertura de agora acrescenta o restante da cadeia: o uso de innerHTML para injetar um iframe sem sandbox, o desvio da CSP pelo YouTube e o endpoint oEmbed, a exfiltração por imagem e o fato de a OpenAI ter corrigido a falha e pago uma recompensa de 5.000 dólares.
Por que isso importa
Para quem opera ou audita produtos com conteúdo gerado por usuário ou por IA, o caso mostra que sandbox e CSP sozinhos não bastam. Um componente de terceiros com canal postMessage mal validado, somado a um domínio permitido na allowlist, abriu o caminho. Vale revisar quais origens a CSP libera e quais mensagens entre frames são aceitas. A fonte indica que a OpenAI já fechou a brecha.
Linha do tempo
CEVIU noticia falha que permitia assumir contas do ChatGPT com um link, combinando MathLive e HTML Preview.
Parameter Labs detalha a cadeia completa, com iframe sem sandbox, desvio de CSP via YouTube oEmbed e exfiltração de dados.
Perguntas frequentes
Quem estava exposto a essa falha no ChatGPT?
Qualquer usuário logado que abrisse uma URL de compartilhamento do ChatGPT criada pelo atacante. Nesse cenário, os dados privados poderiam ser exfiltrados e ações poderiam ser executadas em nome da vítima.
A falha já foi corrigida?
Sim. Segundo a fonte, a OpenAI fechou a brecha e pagou uma recompensa de 5.000 dólares pelo reporte. A fonte não detalha a correção aplicada.
Como o ataque contornou a política de CSP da OpenAI?
A CSP bloqueava scripts inline e só permitia carregar scripts de poucos domínios, e o YouTube era um deles. O endpoint oEmbed do YouTube podia refletir JavaScript de modo que ele fosse executado, o que deu ao atacante execução de código no ChatGPT.
Qual o papel do MathLive nessa cadeia?
O MathLive é usado pela OpenAI no suporte a gráficos e tem um teclado virtual acionável por postMessage() a partir do iframe isolado. O código receptor usava innerHTML, o que permitia injetar HTML na página pai e criar um iframe sem sandbox.
Fontes
- simonwillison.netfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 03 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação
